Nao Mereco tanto Amor
Sua presença
Eu a olhava todos os dias
Mas você se afastou tanto
Que eu te perdi de vista
Te olhava sorrindo
Te olhava rindo
Hoje te vejo partindo
Tento me conformar
Mas nos meus sonhos
Você faz questão de estar
Sigo minha vida
Mas sem você
Tudo se complica
O sol, nas nuvens se perdeu
Pois não achou juntos
Você e eu.
Mas do que adianta dizer tanto?
Se o que realmente quero e preciso dizer é um clichê e sincero
Eu te amo!
Tanto os sonhos precisam de interpretações segundo as construções culturais e o envolvimento social do analisado, quando suas formas de resistência. A resistência, ou melhor dizendo, as resistências, são formas de negar a busca por uma possível “cura” de si. Uma forma de bloquear a análise que, de certo modo, vê nesse mecanismo, um objeto a ser analisado.
De tanto olhar para cima em oração a burguesia cristã se esqueceu de perceber a miséria que habita o seu entorno. Não tenho tempo para essa banalidade religiosa que transformou a "memória" em espetáculo. A cada dia a dor do outro parece ser mais esquecida. A dor do Cristo, semi nu, parece ter se tornado ornamento numa celebração de corações vazios.
Quando escrevo poema espero que sua letra rasgue a alma. De tanto sangrar libere o encanto: poesia.
POEMA PATOLÓGICO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Resolvi escrever uma história pra ti;
para tanto evoquei o fantasma de Dante;
já montei a fornalha no abismo que abrigo,
reservei numa estante o lugar mais sombrio...
Serás livro comido por traças e fungos,
teu enredo é destino dos que não têm luz,
tua cruz é viver pra contar um segredo
que não cabe nos olhos e ouvidos de alguém...
Viverei pra que um dia não tenhas vivido,
não encontres passado nem tenhas futuro,
sejas vaga presença no escuro das horas...
Minha calma se firma na patologia
de sonhar que meu dia traz a tua noite
ou a tua versão do juízo final...
REENCONTRO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Foi um tanto confusa pra minha saudade
a mornura do encontro que tanto esperei;
houve grade, fronteira, sinal de limite
ou alarme velado entre tênues lacunas...
Foste branda e polida, puseste adoçante
onde nunca faltava o excesso de açúcar,
teu afeto distante frustrou a presença
e fiquei constrangido com a simpatia...
Não há como sentir dessa forma contida
o que a vida curtiu tão profundo em meu ser
ou deixar decair o que voou tão alto...
Nem te quero comum, reticente, formal,
no formol, na vitrine, com tal reverência
de museu; catedral; conferência; consulta...
DESBRAVADOR
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Quero tanto sentir que já posso voltar
a sorrir pros teus olhos de volta pra mim,
dar um fim nesse fim que só acho que dei
ou livrar a saudade que ruge aqui dentro...
Não te quero tão longe, mesmo tão de perto,
nem acerto meu passo nas fugas que finjo,
dói até se não dói a frieza entre nós
e a força dos nós que detêm meus impulsos...
Apesar de saber que será sempre assim,
esse ter e não ter que ronda nossas rondas,
direi sim ao só isso desse pelo menos...
Tudo quanto não quero é te perder de vista
e não ter essa vista que veste meus olhos
que desbravam florestas e mananciais...
TODA ILUSÃO DO MUNDO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sonho tanto e nem sonho que todos os sonhos
podem ser mais que sonhos, alcançar a vida,
mas me fazem viver, dão sentido à viagem
que seria perdida nas ruas do tempo...
Não há como afundar os meus passos no chão;
ser alguém tão sem asas; vazio de cores;
tão avesso à paixão, que me torne um titã
sem as dores e os gozos de sentir quem sou...
Quero toda ilusão que se tem neste mundo,
para ver dos meus voos onde vale a pena
ir mais fundo, apostar nas verdades tocáveis...
É sonhando acordado que durmo pro medo
de acordar e saber que já não sei de nada,
diluir meu segredo e virar presa fácil...
CIMENTO
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Tanto aborre
cimento.
Padecimento.
Muito apodre
cimento.
Desaparecimento.
Recrudes...
envelhe...
emburre...
endure
cimento.
Nem me fale!
Fale
cimento.
Mas...
Um momento!
Por que tanto
estarre
cimento?
Se faz sofrer,
quebra o cimento
e ao mesmo tempo
sê cimento.
Cimento renas
cimento.
Compare
cimento...
rejuvenes
cimento.
Supera tudo,
põe terra, ferro,
pedra
e cimento.
Cimento esque
cimento.
POEMA & POESIA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tenho tanto a gritar, fazer protesto,
que me deixo esquecer do que faz bem,
do que vem escondido sob as farpas
ou no trem das verdades doloridas...
Trago tantos espinhos entalados,
tanta pedra nos rins das esperanças,
a tal ponto que as flores não importam;
meus estados não sentem seus perfumes...
E assim muitas vezes não decanto
todo encanto que a vida proporciona
e não cobra direitos autorais...
Elimino as crianças e os jardins
dos meus sins ao poema com poesia,
para ser um poeta de combate...
SEMPRE NU
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tenho tanto a calar; por isso escuto;
é meu culto às verdades que não sei;
porta exposta pro mundo sempre novo,
lei dos olhos que buscam horizontes...
Há um tempo a ganhar, portanto invisto
nesta pausa, o suposto perder tempo,
me revisto e me flagro sempre nu
de certezas; conclusões; embalagens...
Trago muitas perguntas sobre tudo,
no silêncio de minha ignorância;
na ciência do vasto não saber...
É a velha incerteza que me leva;
tenho treva, por isso teço a luz,
para tê-la no fim de cada túnel...
POR QUEM NOS LEIA CORRETAMENTE
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Às vezes, confiamos tanto em determinadas pessoas, e Por isso as tratamos com tanta entrega, tamanho desprendimento, e desarmados a tal ponto, que tais pessoas desconfiam de nossa entrega, nosso desprendimento e nossas armas ao chão. Desconfiam de nossa confiança irrestrita, os afetos que julgamos haver conquistado com a devida e suposta profundidade.
Agindo assim, somos tão inusitados nessa rendição de corpo e alma, que as pessoas de quem mais gostamos; habituadas ao fingimento, à má fé e às intenções escusas do outro, acabam sempre achando que “aí também é demais”. Que as boas intenções são sisudas. A moralidade usa uniforme. Só é de confiança o cidadão recatado e devoto; que tem sempre um discurso politicamente correto, religioso, cívico e de condenação a “certas liberdades da sociedade moderna”.
Mas não desistamos do ser humano. Podemos até desistir de algumas pessoas, mas devemos nos embrenhar na procura de outras, até acharmos alguém que nos leia corretamente. Que não nos distorça nas entrelinhas nem tenham temor da coragem que temos de ser quem somos. Quem abrace a nossa confiança e se desarme ao nos ver livres de armas, escudos e soslaios.
LETRA NOVA PARA UMA VELHA CANÇÃO
Demétrio Sena, Magé – RJ.
É tanto pranto
para chorar,
que é como ter
um mar em mim...
Guardo as águas
de muitas mágoas;
dor sem fim.
Em minha estrada
sem horizonte,
não acho ponte
pra outro amor...
Morro aos poucos,
na solidão
dessa dor.
Estou sem céu,
sem lua, estrelas,
meu caminhar
é infinito...
Abafo angústias
e meu silêncio
devora o grito.
Nem mais espero
a quem amar
como te amei
num tempo findo...
Já não vivo,
percebo apenas
que vou indo.
Agora eu sei,
não há no mundo
um sentimento
mais denso e fundo...
Este amor
é minha sorte;
vida e morte.
SAGRADOS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Meu sagrado é sagrado igual ao seu;
minha fé vale tanto quanto a sua;
minha lua equivale ao seu altar
e meu templo não tem que ter paredes...
Se não tenho sagrado, eis meu sagrado;
se me falta uma fé para seguir,
tenho fé que ter fé não é caminho;
só um ponto secreto; inconsciente...
O sagrado se ajusta em cada um
e nem sempre o sagrado será sacro,
texto macro e matriz concentradora...
Uma fé não engloba toda fé;
não é fruta no pé ou mesa posta
nem resposta padrão pro que não vemos...
METAFORIA
Demétrio Sena - Magé
Tanto quanto
faz parte
que a morte seja
o prenúncio
de Marte...
Ou que a vida
pra ser devida,
seja certa
por inserta
indevida...
Poeta é algo
bem controverso,
que mina
língua ferina
contra verso...
Também constrói
desconstruções,
desinstitui
por instinto,
instituições...
Definição
de poeta...
Metáfora:
meta fora
da meta.
... ... ...
Respeite autorias. Isso é lei
PORQUE PENSO, PENSO E PENSO
Demétrio Sena - Magé
A minha garganta
tem um calo,
de tanto que me calo...
...
O que a cerca
tem a dizer acerca
do quanto me cerca?
...
Em
qual
idade
temos
qualidade
devida
de
Vida?
...
Mais valem os dois pés voando, do que bater o pé teimoso e pirracento em uma questão infértil.
...
Há muitas formas de se driblar o Facebooksonaro. Quer um exemplo? Quando você quiser chamar aquela besta de besta, e não ser punido por isso, é só se referir àquela besta como aquela Topic... ou aquela Van.
...
Escolha,
porém o faça
com arte...
ou se aparte.
Porque uma parte
de mim
é uma parte.
A outra
é à parte.
...
Estou no fim do começo;
começo meio no fim;
voar virou meu tropeço
e dizer não, virou sim...
...
O que mais me magoa
é que você sempre faz
o que mais me magoa...
...
Isso não é normal;
eu nem bem fiquei bem
e já fiquei bem mal...
... ... ...
#respeiteautorias É lei
INTENSO
Demétrio Sena - Magé
Sinto muito; por isso espero tanto,
que me frustro com tanto sentir pouco;
há um pranto pra cada frustração
desse louco sonhar que me possui...
Em amor, outros laços, tanto faz,
esta carga excessiva do que sou
é capaz de afastar as almas mornas
e qualquer coração menos intenso...
Tem um fogo de afetos que me tem;
um além, um sentido sem sentido
para quem se deteve lá no sexto...
Porque sinto, e por isso eu sinto muito
por não ter a medida comedida
dos que seguem a vida feito pluma...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
COMPLEXO PASSIONAL
Demétrio Sena - Magé
O resumo de tudo é que te amo tanto
e com tal devoção, que me dói tal sentir;
com demência, quebranto, precipitação;
desejando mentir sobre o fogo notório...
Eu te amo com mágoa de ti e de mim,
conto cada rompante de ambos os lados,
vou ao fim que não tem, meço cada minuto,
redesenho passados, invento presente...
Quero sempre mudar as verdades ferinas
ou ficar frio e seco, para ser imune
às ruínas que a vida propõe aos amores...
A verdade afetiva que pauta meus passos
traz temor, embaraços, alucinações
sobre nunca ter tido reciprocidade...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
NEM TANTO
Demétrio Sena - Magé
Uma mágoa; quem sabe, algumas mais;
uns enganos; talvez uns desenganos,
minha bolsa de afetos por alguém
leva bem entre os panos de vivências...
Mas o meu armazém não é sem fim;
ele pode ruir a qualquer hora;
tudo em mim é vencível com o tempo
e a força dos baques repetidos...
Sou longânimo, é fato, mas humano;
até forte, mas não esse titã
que põe dano após dano sob o pé...
Nem o lago sereno que pareço,
quando ponho no avesso cada linha
do meu rosto frustrado com quem amo...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
