Nao Mereco tanto Amor
Não sei precisar a hora, ou o lugar, ou o olhar, ou as palavras que lançaram as bases. Faz muito tempo. Eu já estava no meio antes de me dar conta de que havia começado. (Orgulho e Preconceito)
Às vezes, as coisas não acontecem em ordem cronológica na vida das pessoas. Especialmente em nossas vidas. Já faz um bom tempo que a nossa ordem cronológica ficou bem confusa.
Eu sou uma ovelha negra, não importa o quanto me adorne para disfarçar. Eu sempre irei afrontar aquilo que me incomoda, sobretudo se eu sei que o caminho está errado.
Eu tropeço no possível, e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.
Pelo contrário, a melhor coisa de ir a algum lugar e não achar o que estava procurando, é achar alguma coisa que não estava procurando.
Tem gente que deveria entender duas coisas: Eu não ligo pra opinião dessa pessoa e ela não faz nenhuma diferença na minha vida.
Sempre preferi aqueles que admiram mais aos outros do que a si. Não por desamor, não por auto-estima decadente. Mas é que essa coisa de se auto-massagear nos trava. Nos tira de um ciclo de evolução. Faz com que fiquemos a estabelecer comparações constantes.
Gosto de quem tem ciência da própria desimportância. Me encanta essa gente que vai buscar nas diversas fontes do universo um sentido para a fome da alma. Que produz mais dúvidas do que conclusões. Me apego a quem seduz sem afirmar ‘sou’, muito menos ‘tenho’; mas que diz ‘vamos descobrir’. Ahhhh, descobrir o mundo a dois.
Que meus passos sejam guiados pelo mistério. Que meus erros escrevam meus manuais. Meu corpo, tão passageiro, sendo apenas instrumento para descobrir o gosto que viver tem.
No fim, aqueles que admiram aos outros mais que a si, tornam-se admiráveis por gostarem mais de pessoas do que de reflexos.
Que eu evapore e você solidifique. Mas, quando juntos, sejamos água transparente. Molhando e deixando embaçado o espelho na nossa frente.
O espírito crítico é essencial. O questionamento é correto, mas nós fomos treinados para não questionar, para não criticar, fomos cuidadosamente treinados para nos opormos. Por exemplo, se eu disser algo que não vão gostar – como o farei, espero – naturalmente começarão a opor-se, porque a oposição é mais fácil do que descobrir se o que digo tem algum valor. Se descobrirem que o que eu digo tem valor, então há ação, e por isso terão que alterar toda a vossa atitude perante a vida. Por esse motivo, como não estamos preparados para fazer isso, criamos uma hábil técnica de oposição. Isto é, se não gostarem de qualquer coisa que estou a dizer, apresentam todos os vossos preconceitos profundamente enraizados e obstruem-na, e se eu estiver a dizer algo que os possa magoar, ou que os possa aborrecer emocionalmente, refugiam-se nestes preconceitos, nestas tradições, neste pano de fundo; e reagem a partir desse pano de fundo, e a essa reação chamam crítica. Para mim não é espírito crítico. É apenas oposição habilidosa, que não tem valor.
Que você tenha uma noite perfeita,
daquelas em que descansamos não só
o físico, mas o emocional também!
Boa noite!
Toda vez que deixamos, nos acovardamos, estamos não só deixando de crescer, estamos nos escondendo, essa é a pior regressão !!!
Façam acontecer sempre, caso de errado volte e faça diferente, mas faça !
Tabacaria
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
que ninguém sabe quem é
( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Não grite sua dor aos quatro ventos, procure ajuda. Não exponha demais suas mazelas, respeite seu luto e o silêncio que vem junto. A vida é cíclica e tudo faz sentido, mesmo que demore muito. E não deixe nunca de confiar no seu poder de superação: é a maior dádiva que a vida nos deu.
Entre pausas e silêncios,
barulhos de uma mente calada e cansada.
Não é ausência — é excesso contido.
Pensamentos que ecoam baixo,
como quem pede descanso sem saber pedir.
Aqui estou.
Não para explicar,
nem para resistir.
Apenas para permanecer
até que o silêncio
deixe de ser abrigo.
Inteira no cansaço,
presente no intervalo,
aprendendo a existir
sem ruído.
Talvez o pior não seja errar,
mas apontar no outro aquilo
que ainda não tivemos coragem
de encarar em nós.
Julgamos para não sentir,
acusamos para aliviar o peso,
transferimos a culpa
na tentativa de nos absolver.
Mas o que é empurrado para fora
continua morando dentro.
E enquanto o erro tiver rosto alheio,
a mudança seguirá adiada.
Lugar Secreto
Meu lugar secreto não é refúgio,
é onde me escondo quando o medo me encontra primeiro.
Ali estou aprisionada,
não por grades visíveis,
mas por silêncios que se repetem
e pensamentos que me paralisam.
Há um peso que não sei nomear,
mas que me impede de seguir.
Não é falta de desejo,
é excesso de cansaço.
O corpo até permanece,
mas a alma hesita.
Quis asas.
Quis distância suficiente
para não lembrar,
para não tocar no que ainda dói.
Mas fiquei.
Não por coragem,
mas por medo de ir
e por não saber quem eu seria do outro lado.
No meu lugar secreto,
aprendi a sobreviver em pausa.
A respirar raso.
A esperar que o tempo resolvesse
o que eu não consegui enfrentar.
Ainda assim, há fé.
Pequena, silenciosa,
mas firme o bastante
para não me deixar desistir.
Minha esperança não está em fugir,
mas em Deus,
que me encontra exatamente aqui,
onde estou paralisada
e já não consigo fingir força.
Se não consigo seguir,
que Ele me sustente.
Se não consigo voar,
que seja descanso.
Talvez o recomeço não seja partir,
mas permitir que Deus me alcance
no lugar onde permaneci.
