Nao me Peca pra te Esquecer
Da Inércia do Êxtase (Força Criadora e Destrutiva)
“As feras do espírito não lutam por destruição, mas por lembrança.”
“Ser forte não é dominar o outro, mas suportar-se inteiro.”
“A felicidade é uma força perigosa; os ignorantes a temem, os medrosos a chamam de soberba.”
“A força que se agita é ruído; a força que repousa, cria.”
“O poder é descanso; a luz, modéstia; o prazer, quietude.”
“Ser mago é existir sem provar nada.”
“O mais alto poder não é voar, mas permanecer imóvel enquanto o universo se move.”
Do Vácuo Eterno (Dissolução e Retorno)
“O nada não é ausência, mas pausa do divino.”
“Quem aprende a respirar no vácuo descobre que o silêncio é Deus em repouso.”
“O mago que teme o vazio ainda não encontrou a plenitude.”
“Entre o nada e o tudo repousa a paz que cria o universo.”
“Ser é apenas uma forma transitória de não ser.”
“A eternidade é o instante sem pressa.”
A Dor da Luz
Antes da forma, havia a luz.
Mas luz sem sombra não possui rosto.
Brilhava infinita, indivisível,
e nada podia ser visto dentro dela.
Então a inteligência despertou
no silêncio da eternidade.
E desejou conhecer.
Para conhecer,
afastou-se da unidade.
E nesse afastamento nasceu o limite.
O limite deu contorno ao infinito.
O tempo começou a respirar.
E Saturno ergueu seus muros de pedra
para que a consciência tivesse onde caminhar.
Pois sem limites não existe percepção,
e sem oposição não existe visão.
Assim a inteligência aceitou a dor,
não como punição,
mas como preço da liberdade.
Porque sem liberdade não há erro,
e sem erro não há aprendizado.
A queda abriu os olhos da consciência.
A sombra desenhou o rosto da luz.
E o universo surgiu como um espelho
onde o espírito poderia reconhecer a si mesmo.
A forma é a luz interrompida.
A matéria é a pausa do infinito.
E no coração da experiência
a inteligência aprende lentamente
que a escuridão não destrói a luz,
apenas revela seu contorno.
Assim caminha o ser:
da unidade inconsciente,
à queda na dualidade,
até o retorno consciente à origem.
Pois a jornada da consciência
não é fugir da sombra,
mas atravessá-la.
E quando finalmente retorna à luz,
traz consigo aquilo que antes não existia:
sabedoria.
Porque Deus cria a luz.
Mas é a experiência que ensina
a vê-la.
São José dos Pinhais, 05 de março de 2026.
Mago Trimegista
CONHECIMENTO NÃO DEVE PERMANECER INFORMAÇÃO, MAS CONVERTER-SE EM TRANSFORMAÇÃO DA MANEIRA DE EXISTIR.
O MAGO NÃO PROCURA DESTRUIR SEUS ARQUÉTIPOS. PROCURA COLOCÁ-LOS EM CONSELHO. DA IDENTIFICAÇÃO COM O ARQUÉTIPO À ADMINISTRAÇÃO DOS ARQUÉTIPOS.
UMA DAS MAIORES FORÇAS DO MAGO NÃO ESTÁ APENAS NA QUANTIDADE DE MATERIAL ESTUDADO, MAS NA CAPACIDADE DE CONSTRUIR CORRESPONDÊNCIAS ENTRE TRADIÇÕES DIFERENTES SEM SIMPLESMENTE REDUZI-LAS UMAS ÀS OUTRAS.
O MAGO NÃO APRESENTA SEUS ESTUDOS COMO MECANISMO DE DEPENDÊNCIA. AO CONTRÁRIO, SUA PRÓPRIA DEFINIÇÃO REJEITA DEPENDÊNCIA ESPIRITUAL.
O MAGO NÃO É PROPRIETÁRIO ABSOLUTO DO CONHECIMENTO. ENSINAR OBRIGA AQUELE QUE ENSINA A REORGANIZAR AQUILO QUE PENSA SABER.
O OBJETIVO NÃO É PERMANECER EM UM EXTREMO, MAS APRENDER O RITMO, ATRAVESSAR OS POLOS E HABITAR CONSCIENTEMENTE O CENTRO. PORÉM, QUERER CONTROLAR O PÊNDULO TAMBÉM PODE SER UMA FORMA DE PERMANECER PRESO A ELE.
O MAGO NÃO POSSUI FIÉIS. O MAGO ENSINA QUE CONSCIÊNCIAS SÃO CAPAZES DE CONSTRUIR SEUS PRÓPRIOS TEMPLOS.
Quem pergunta antes de julgar frequentemente encontra razões que o julgamento apressado não permitia enxergar.
ODE À CHUVA
Deixa eu ver a chuva,
olhar não me satisfaz.
Deixo tudo de lado
para os meus lados
ouvirem essa queda
de água pingada.
Deixa a suspensão do chão
trazer cheiro de infância,
essa dança das folhas
a me abanar a face.
Deixa eu ver a chuva,
que muito tardia
é agora sua vinda.
Deixa.
É rápida
e logo finda.
Téia Alves
PERGUNTA NÃO INDAGA
O que há atrás das uvas
Dos pés descalços
Das tristezas
Da espera
Da esperança?
O que é essa sombra da água
Do vento que para
Da nuvem que ensaia chuva
Do vento que nada leva?
Como secar o que água não molha?
Há algo que exista,
Que resida e resista
na pessoa de alma molhada?
O que tem essa bendita fruta de pés descalços?
O que eu tenho?
O que há, portanto, ó sacrossanto?
Porque eu sou essa indagação de ontem?
Téia Alves
O conhecimento não aumenta apenas aquilo que sabemos; aumenta também a dimensão daquilo que descobrimos não saber.
