Nao me Peca pra te Esquecer
As asas boçais da violência
Um dia em que a boçalidade superou o estado democrático de direito. Ainda bem que o Menino do Mucuri nasceu em 1964, num estado de beligerância, acostumado com rajadas de tiros e toda sorte de arbitrariedades neste período de nuvens negras na história do Brasil.
Em plena época de crise de saúde pública em ordem planetária, agentes públicos, despreparados, autoritários e boçais ainda tentam se valer pelo poder da força, são almas e descendentes da ditadura, abutres roedores da Administração Pública, que vivem feito sanguessugas nas trincheiras e às margens da lei.
Não sabem nem por onde a sirene vem, mas ouvem o barulho da sirene e nem se comovem do sofrimento alheio. Tudo isso é festa, a banda passa, o tempo muda e a história modifica, um dia esses contumazes agressores da norma serão vítimas do próprio sistema.
Não há homens prepotentes, nem chacais sociais. Existe na verdade sociedade covarde, pusilânime, que a tudo aceita e nada acontece com a tirania de bocais que destilam suas peçonhas nos quadrantes do território e se homiziam nos umbrais da Administração Pública. A tirania é antes de tudo uma fraqueza coletiva que aceita uma falsa fortaleza individual. Pobre do cidadão que se ver sufocado pela violência estatal, institucionalizada, em nome da defesa social. E olha que há bons agentes públicos, aliás, é uma regra, mas aqueles cabotinos de plantão que acham que têm um Rei na barriga geralmente conspurcam a Instituição e coloca em risco os interesses da Sociedade.
As alvoradas da liberdade não surgem como um acontecimento natural. As manhãs da liberdade se fazem com a vigília corajosa dos homens que exorcizam com sua fé os fantasmas da tirania.
Dica para o meu epitáfio: A transposição poética do Menino do Vale do Mucuri é um sinal de vida eterna
Emoções irradiantes; extrema raridade; num domingo; um colorido exalante; beleza da noite; ensaios de estrelas incandescentes; brilho riscando os céus; explosão de felicidade; o manto protetor de duas preciosidades; Júlia Botelho com sua exuberância; lado outro, a dona do meu tenro coração; dotes culinários, enfeitando a mesa de café; profunda felicidade.
Hoje, seguramente, é um dos dias mais difíceis de minha vida; em plena virada de ano, fogos coloridos e luminosos riscando os céus, o mundo comemorando novos tempos; a pessoa que mais amo, recolhida numa UTI de um hospital; na reclusão de um quarto, o sofrimento rasga o meu peito e agride frontalmente meu tenro coração.
Nasci com a pureza de caráter; morrerei incorruptível; se preciso for, abrirei mão de cargos ou funções em nome da minha inabalável reputação
O poder-dever de agir é atividade inafastável de todo agente público; se precisar de alguém para relativizar esse preceito, arrume outra pessoa e ponto final
Morrerei com os ensinamentos de minha mãe. Filho, tenha conduta inabalável diante dos perigos e desafios da vida!
Quando tiver que fazer opção entre o cargo e respeito ao erário público, faça opção por este; aquele é transitório; este é perene.
Quem tem coragem de cumprir ordens obscuras, também tem coragem e disposição para vender sua própria alma
Emendar as ruinas; engessar os pedaços; recolher os destroços; reconstruir e revitalizar. Essa é a missão de quem ama.
Tenha calma; o sofrimento é efêmero; logo a máscara vai ao chão e todo mundo vai enxergar com clareza o engodo do palhaço narcisista
Metaforicamente, a vida é uma escada composta em torno de 100 degraus; a enérgica subida começa ao nascer e se estende até aos 50 anos; depois disso começamos o processo de descida dos degraus a fim de encerrar o encanto da vida
Felicidade? O que existem na verdade são bons momentos; o somatório de bons momentos, desafios, desencantos, frustrações forma a plenitude da vida. Portanto, felicidade é um conceito puramente abstrato.
Quem gosta de viver em paz em sociedade deve defender a extinção de benefícios para delinquentes, o que significa menos risco de sofrer lesão a seus bens juridicamente protegidos, e saber que o preço da liberdade é a eterna vigilância do comportamento.
Entre proteger os interesses da sociedade e defender os direitos dos delinquentes, há sempre plausibilidade na prevalência da supremacia da coletividade; a prisão é uma experiência amarga e traumática; o cárcere avilta e degenera; por isso, a melhor opção é respeitar as regras do pacto social; assim, aquele que obedece as regras em sociedade não precisa de nenhum favor legal, nem de saída temporária; aquele que comporta segundo as matrizes legais pode sair quando quiser, é detentor de capacidade ambulatória, pode desfrutar das maravilhas da natureza, desfilar pelas ruas da cidade, atravessar a avenida Paulista quando bem quiser, pode transitar, sair e apreciar a beleza de Ipanema não somente por sete dias, mas enquanto tempo viver, durante o tempo que quiser; quem pretende apreciar os encantos da Lagoa da Pampulha é só não delinquir; quem ama a liberdade deve aprender a respeitar as convenções sociais; quem gosta de andar na orla da praia de Boa Viagem deve aprender a respeitar as cláusulas do contrato social.
