Nao me Peca pra te Esquecer
Recolhe-te em ti mesmo e observa. E se achas que ainda não és belo, faze o que faz o criador de uma estátua que deve ser bela. Ele corta aqui e ali, alisa acolá, torna uma linha mais leve, uma outra mais pura, até que na estátua surge um belo rosto. Faze o mesmo: corta o excesso, endireita o que está torto, leva luz ao que está sombrio, trabalha para fazer com que tudo resplandeça em beleza, e não cesses de cinzelar a tua estátua até que ela desprenda sobre ti o divino esplendor da virtude, até que vejas a bondade final estabelecida com firmeza no santuário sem mácula.
" Quanto tempo demorou pra perceber que muitas pessoas desse mundo não deveriam sofrer, por isso estou aqui pra proteger. Eu faço o meu corpo de escudo se for pra salvar você. "
Ser "normal" é o ideal dos que não têm êxito, de todos os que se encontram abaixo do nível geral de adaptação.
Agora é outra que se perde em ombros tão largos, tomara que ela não se perca tanto ao ponto de um dia não enxergar o quanto aquele abraço é o lado bom da vida.
Não sou previsível, nem tampouco multifaces, não existe o "Eu" concreto, não há possibilidades de descrever-me. É no abstrato que eu me acho, eu me generalizo, eu me simplifico e deixo de ser um processo particular. E, sem querer, nele sei quem eu sou: uma incógnita.
- Talvez vocês sejam feitos um para o outro.
- Não estou apaixonado por ela.
- Não?
- Não.
- E, mesmo assim, pensa nela com frequência.
Se não pode confiar se afaste ou reveja-se. Há desconfiança que não passa de insegurança própria projetada no outro.
''Talvez a bela não seja tão bela e a fera não seja tao fera assim, tudo é questão de percepção individual.''
O engenheiro, por sua vez, fala pouco porque tem receio de emitir uma afirmação que não possa provar, enquanto os opositores criam factoides e parecem saber mais, ainda que estejam mentindo. O engenheiro não mente.
Não consigo ser má. Pelo menos de uma forma planejada, fria, calculada. As pessoas pensam que é uma qualidade, não percebem que é uma fraqueza...
Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada. Não tenho esperanças nem saudades. Conhecendo o que tem sido a minha vida até hoje — tantas vezes e em tanto o contrário do que eu a desejara —, que posso presumir da minha vida de amanhã senão que será o que não presumo, o que não quero, o que me acontece de fora, até através da minha vontade? Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o repetir. Nunca fui senão um vestígio e um simulacro de mim. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.
Breve sombra escura de uma árvore citadina, leve som de água caindo no tanque triste, verde da relva regular — jardim público ao quase crepúsculo —, sois, neste momento, o universo inteiro para mim, porque sois o conteúdo pleno da minha sensação consciente. Não quero mais da vida do que senti-la a perder-se nestas tardes imprevistas, ao som de crianças alheias que brincam nestes jardins engradados pela melancolia das ruas que os cercam, e copados, para além dos ramos altos das árvores, pelo céu velho onde as estrelas recomeçam.
Monstros não são feitos apenas de aparências horrendas, garras e dentes. Monstros nascem de atitudes. Atitudes imperdoáveis.
ANJO, PARA SEMPRE AMAR-TE-EI
Amo-te tanto, que não sei o quanto
Do tamanho do amor que estou sentindo,
Amo-te e amo ver-te sempre sorrindo,
Não importa que custe até meu pranto.
Amo-te tanto, que provoco espanto,
Ao ver o imenso amor em mim contido,
Amo-te meu amor, meu anjo lindo...
Tanto, que me arrepio co’este teu canto.
Queria poder ir ao céu te buscar!
Mesmo que pela torre de Babel,
Escalá-la-ei só pra poder olhar-te,
Queria ter asas pra contigo estar,
Deitados entre as nuvens lá do céu,
Iria beijar-te e para sempre te amar!
– Havia um cavalo. Ele queria se vingar de seu inimigo, um cervo. Mas ele não podia matar o cervo sozinho. O cavalo conheceu um homem, um caçador, e fez um acordo. Ele aceitou as rédeas do homem e permitiu que colocasse uma cela em suas costas. Juntos, eles mataram o cervo, e o cavalo saboreou a vitória. Mas o caçador não soltou o cavalo e o transformou em seu escravo.
– Então a sua vingança lhe custou a liberdade? Espero que tenha valido a pena.
– Não valeu.
