Nao me Peca pra te Esquecer
Não somos senão artífices do invisível, forjando sentidos na vastidão do incognoscível, enquanto o tempo escapa pelas frestas do ser.
Entre as sombras da alma, habita o silêncio que não se desfaz, e é nele que a psique se descobre, metamorfoseando dor em renascimento.
A eternidade não reside no tempo, mas na profundidade com que vivemos cada instante — o agora é a única forma palpável do infinito.
Há tormentos que não gritam — apenas sussurram dentro da consciência, travestidos de rotina, enquanto corroem o ser pelas frestas do inconsciente.
Ainda que os sóis fenecessem e o firmamento se rasgasse em penumbra, meu afeto por vós não feneceria; pois jaz em mim como promessa lavrada em pergaminho e selada com o lacre do tempo idoso.
A solidão do espaço não assusta tanto quanto o ônus da escolha entre salvar o mundo e abandonar quem se ama.
De ti, restou-me o inebriante perfume da tua ausência — e as palavras não ditas, que o tempo, implacável, se levou antes que pudessem nascer.
Juro-te amor eterno, não pelo amanhã incerto, mas pelo instante em que teus olhos me revelaram a melodia de todos os meus dias.
Dizem que cedo demais me entrego,
que aceito as quedas como se fossem nada.
Mas não veem o campo que enfrento em silêncio,
nem a guerra travada na alma cansada.
Julgam-me fraco por não gritar ao cair,
por não sangrar em praça pública a dor.
Mas lutei — com dentes, com sonhos, com pranto
até a última chama do meu próprio ardor.
Travei batalhas que ninguém testemunhou,
no escuro, onde só o coração escuta.
E cheguei a um ponto tão alto, tão fundo,
que a vitória ou a perda tornou-se diminuta.
Resiliência é meu escudo, bravura meu chão.
Não preciso da glória estampada na testa.
Aprendi que há honra também na rendição,
quando a alma, mesmo ferida, permanece honesta.
Com o tempo descobri que as mulheres não precisam ser entendidas, e sim amadas.
Contudo,concluo que o amor excede todo entendimento. Fala por si só, mesmo não sendo coerentemente descrito em meras palavras.
A liberdade é excepcional. Assim como a felicidade, sua existência depende da não observação.
Um sujeito livre se tornou apenas alguém que tem razão sobre coisas equivocadas.
Ainda vos amo como nunca antes.
Como se o antes não houvera, uma memória intrínseca.
A teu amor já não me encontro, aos teus pensamentos, tampouco!
Ô doce loucura de amar!
O infinito não me foi concebido, entretanto deixo em aberto seu fim, pois todas as coisas são mutáveis, seja em energia ou sensações.
