Nao me Peca pra te Esquecer
O mundo não foi feito para autistas, mas isso não significa que autistas precisem se moldar ao mundo. O desafio não é "ensinar" alguém no espectro a agir de maneira neurotípica, mas criar um ambiente onde todas as formas de ser possam coexistir com dignidade.
Respeitar o autismo é entender que não há uma única maneira correta de pensar, sentir ou se comunicar.
Microagressões não são pequenos ataques. São cicatrizes invisíveis que lembram o autista de que ele precisa se justificar por ser quem é.
A grandeza de uma sociedade não se mede por sua capacidade de moldar todos à mesma forma, mas por sua disposição de abraçar as infinitas formas de ser humano.
A educação emancipadora não ensina o que pensar, mas ensina a pensar, a desconfiar do que já foi pensado e a recusar o que se impõe como única verdade.
Não é o mundo que precisa deixar de se melindrar. É a sociedade que precisa aprender a respeitar o que sempre ignorou.
Não ligue para as coisas fúteis que eles sempre vêem em você,
faça eles verem mais.
Faça eles enxergarem o que eles não conseguem.
A vida não é ruim enquanto você não tenha perdido o seu pai ou sua mãe. A vida não é ruim enquanto as pessoas que você ama não estão doentes ou enlouquecendo. A vida não é tão ruim enquanto seus amigos não venham se entregar para bebidas, vícios e drogas. A vida não é tão ruim enquanto você não precise reencontrar algo que você perdeu. A vida não é tão ruim até que um maldito câncer venha esperar que mais um corpo se entregue. Mas acredite, quando eu disser que a vida só não é mais ruim, porque você ainda pode acreditar em Deus. E se você tem saúde, família e amigos, você tem tudo, e pode lutar muito ainda por suas coisas, quantas vezes for necessário.
Reconhecer a própria ignorância e ser capaz de mudar de ideia é uma virtude da ciência, não uma falha.
Nós somos uma espécie corredora. Mas não estamos uma espécie corredora.
Às vezes sou vento, às vezes sou chuva, às vezes sou limpo, às vezes sou sujo, às vezes não sou nada, às vezes sou tudo, às vezes eles me amam, às vezes me odeiam, às vezes não estou no padrão.
Em todos os vazios às vezes, eu tinha minhas peças nos caminhos e aqueles momentos eram o desabrigo.
Eu já morri uma vez. Não teve grito, não teve sangue e quase ninguém percebeu, o que escorria não era sangue, eram lágrimas.
Era uma manhã de sexta e tudo ficou escuro pro alguns instantes.
O silêncio cheio de barulho, foi a causa da minha morte.
E de repente no dia seguinte, eu estava ali, mas ninguém notou minha morte.
Há 4 anos e alguns meses fui embora de mim enquanto sepultava aquela que me deu corpo, alma e ar.
Por pura teimosia voltei a viver.
Por amor voltei a respirar.
E é sobre isso, a mãe da gente não deveria morrer nunca!
Animais humanos pedem passagem, vomitam nos horizontes reclamos de rendição. Não suportam desperdiçar a vida em danças que movimentam corpos que já morreram. A cidade cheira concreto, cheira cimento. O sangue jamais poderá correr pelas veias desses casarões que alucinam o transeunte e o tornam mais um solitário escondido sob a alegoria da satisfação.
E nós, que sempre tivemos medo da felicidade notamos juntos que não havia mais o que temer. Ela deixara de ser uma quimera e se tornara a realidade que compartilhamos todas as manhãs. Quando estou longe de você, desde o instante que digo tchau até vê-la outra vez, a maior presença que sinto é a sua ausência.
Nada poderia ser dito para dizer como nos deliciamos com a presença de nós mesmos. Não precisamos de mais ninguém nesse espaço remoto e litúrgico onde os poemas deixam de ser escritos e passam a descrever o que experimentamos.
Não é apenas seu corpo, esse desnudo espaço que pranteio no universo, palco das minhas alucinações, mas também sua alma, que compartilha com a minha, a versão mais ardente de uma paixão que pode ser sentida pelos poros da pele que eu insisto em querer beijar. Decorar cada aspecto da sua superfície, me deliciar nas encostas que reclinam sobre meu dorso, especular cada pedaço dos seus tecidos, e provar faminto cada sentença do seu gosto.
A garota desastrada derrubou seus perfumes! Dessa vez não foram os fracos que fizeram vingança, mas ela soube que os frascos se vingam e se jogam com seu cheiro de doce comunhão.
Num pequeno gesto o rosto se envolveu! O rosto apenas não, o corpo todo, uma vez que gostos pela metade serão sempre uma parte do que queremos! Esperar pelo que nos conta tarde é retornar cedo à forma que tivemos... E a garota desastrada observa! Ela poderia viver a intensidade de um momento na escolha de uma sensação. Ela não precisava provar nada, ela não queria dizer nada! Sentir já era o bastante. A primeira vez nem sempre é a última chance, e cada anoitecer era uma porta para um universo de possibilidades! O mundo que se acostume com ela! Ela não se incomodava, não se incomoda. Não ouse pensar que algo a fará desistir do que quer.
Sabe o que eu acho? Eu acho o segredo de uma oportunidade a entrega mais autêntica de um momento! Por favor, me prenda, por favor me surpreenda, me super prenda e se entregue ao que cada instante quer dizer. O ideal seria o esquecimento, mas quem disse que seguimos na natureza objetiva a idealização das coisas? Não sabemos o que é perfeito! Mas a perfeição nem é nosso desejo também.
A garota desastrada lê cada linha, absorve cada frase! As palavras massageiam seu corpo com suaves toques de sinceridade que a encantam mais do que um céu estrelado. Ela conseguirá entender? Sim, ela já entendeu, e se não tivesse entendido, problema de quem escreveu, afinal o interessado sempre deve dar um jeito! Não precisa de caminhos, não precisa de atalhos, pois na simplicidade do mistério que nos rodeia palpita constantemente a essência das formas que buscamos.
A garota desastrada poderia ser desinteressada, poderia ver o mundo cair só pelo prazer do estrago, mas nos detalhes de cada vão acontecimento ela percebe que mesmo que falte o senso do bom senso, o calor de um gosto desejado arde mais do que a fogueira de São João.
