Nao me Peca pra te Esquecer
Calhordas se revelam pelo caráter, não pelos erros que todos cometemos. Daí que ninguém deveria ser tachado de canalha por esta ou aquela ação em particular, mas pelo conjunto da obra.
Conhece o velho ditado que se conselho fosse bom não se dava, se vendia? Concordo com ele em gênero, número e grau. Sempre tive ojeriza àqueles conselhos que me pedem como primeira opção, assim como os que me dão sem que os tivesse pedido. Quando peço é porque já esgotei minha capacidade de solução e aí toda ajuda é bem-vinda. e quando me pedem, pergunto se fizeram a mesma coisa, e então digo que vou trocar o conselho por alguma experiência para que o interessado reflita se serve pra ele ou não, já que pessoas diferentes podem chegar a resultados diferentes. Proporcionar reflexão é menos arriscado do que qualquer solução pronta.
Um vida plena é aquela em que no período de plantio não se poupou esforço pra que a terra acolhesse cada semente; e chegado o tempo da colheita se tem os frutos ao alcance da mão para nos deliciar e garantir o sustento.
Eu descobri que uma pessoa tomada pela paixão não irá me ouvir, por mais sensato que eu me mostre. A partir daí decidi que não perderia meu tempo tentando provar quem está certo.
Os afetos fazem com que desejemos confiar em todas as pessoas. Só que confiança não é uma escolha nossa, mas uma conquista delas.
Não busque pelo sentido da vida, que ela por si mesma não tem. Dê antes um sentido à sua – que está sob seu controle – emprestando-lhe um propósito que a torne prazerosa e acolhedora.
Quando não se deseja admitir um fato o que não vai faltar é argumento para negá-lo, mesmo que isso contrarie toda lógica.
Nossas crenças são versões puristas de um momento pessoal que não possui, necessariamente, relação direta com a realidade factual. Podem perdurar por efeito de escolha, ou mudar ao longo do tempo pelo choque entre o antes e o depois que uma consciência mais evoluída nos impõe. Realidades opostas – surgidas por mero exercício da lógica e das análises resultantes – nos revelam a inutilidade das “verdades” cultivadas e de nossa pequenez disfarçada de superioridade.
A pessoa sensata não se baseia em opiniões – sejam próprias ou de outrem – mas na lógica ditada por sua inteligência. Usa-as como fonte de um primeiro entendimento para, ao final, extrair a síntese desse confronto entre as teses alheias e a antítese que lhes impõe.
Se a humanidade realmente possui um criador, como acredita a maioria, ele sem dúvida não foi muito justo ao moldar a inteligência humana. Daí a razão pela qual você consegue ser tão burro quanto possa, mas não tão inteligente quanto queira.
Integridade não é uma virtude, mas apenas o esperado de qualquer ser humano que se reconhece como tal. O indivíduo íntegro não escolheu sê-lo, simplesmente atua em harmonia com sua natureza, pois que não é algo que se adquire, mas que se é!
Se ser uma pessoa honesta dependesse de escolha, a honestidade dela não seria autêntica, pois que surge e se desenvolve no indivíduo de forma natural e espontânea, e a isso se dá o nome de índole. A renúncia à desonestidade, porém, pode ser uma escolha a partir de uma tomada de consciência seguida da decisão.
Não conheci nenhum “dono da Verdade” que não tratasse sua acanhada visão de mundo como realidade absoluta e incontestável.
Você não precisa tomar posição em trincheiras se sua natureza pacífica não se coaduna com a visão de sangue. Sua ponderação e visão crítica o habilitam como poderoso estrategista que municia o lado certo para que este vença a guerra.
Tu me amas tanto quanto me repetes tantas vezes? Então não sintas meu trabalho como teu rival. Mais que sustentar-me o corpo, ele me sustenta a alma, e tomar-me por tua posse é o caminho mais curto para que ele mo arranque de ti.
A diferença do libertário por ideologia para o franco-libertário é que este último não escolhe sê-lo: apenas descobre, em algum momento, que sempre o foi, e que terá o mundo em sentido contrário permanentemente disposto a combatê-lo.
Não ando por sobre trilhos, que já me chegam prontos e me conduzem para um destino pré-definido. Vou sempre preferir trilhas que me cobram abrir picadas, escolher entre múltiplos destinos e lidar com descobertas que os trilhos não podem dar.
Meu papel não é ser o céu para onde voam os que me buscam: basta saber-me a pista de onde decolam. Tampouco a fonte da água que lhes aplaca a sede, mas apenas o leito do rio que a conduz até eles. Sou antes o farol na borrasca, não o Porto; o cinzel nas mãos do artista, não a Escultura; o milestone que os situa, não a Linha de Chegada.
Não basta o amor para nortear nossos rumos. A vida nos apresenta um cardápio repleto de opções, e a escolha correta cobra que se mostrem compatíveis entre si.
