Nao me faz Andar pra Tras e nem Ficar Parado

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Uma pessoa não pode ser reduzida à estatística de suas próprias escolhas sem que alguma coisa essencialmente humana se perca na tradução.

O pluralismo não exige apenas multiplicidade de vozes, mas diversidade suficiente de caminhos para que essas vozes possam ser encontradas.

O poder comunicacional moderno não consiste apenas em decidir o que será dito, mas em decidir o que será digno de atenção.

Quem governa a circulação da informação exerce uma forma de poder que não precisa parecer governo para produzir efeitos políticos.

O Direito não regula apenas mensagens; regula relações de poder construídas através delas.

A psicologia descobriu que o homem não decide como imagina; o marketing descobriu como lucrar com essa descoberta; o Direito ainda investiga como protegê-lo sem negar sua liberdade.

A vulnerabilidade não diminui a dignidade humana; revela por que a dignidade precisa de proteção.

A autonomia humana não exige decisões perfeitas; exige condições suficientemente livres para que o erro continue pertencendo ao próprio indivíduo.

O Direito não existe para eliminar o erro da escolha, mas para impedir que alguém fabrique clandestinamente as condições do erro alheio.

A fronteira entre persuasão e manipulação não está na existência da influência, mas na qualidade da autonomia que permanece depois dela.

Quem controla a narrativa de uma pessoa pode não controlar sua vida, mas pode alterar profundamente o modo como os outros a enxergam.

A transparência não destrói o poder da comunicação; destrói apenas sua capacidade de fingir que não está exercendo poder.

Dizer ao indivíduo que está sendo persuadido não elimina a persuasão; devolve-lhe a possibilidade de negociar conscientemente com ela.

A verdadeira autonomia não consiste em escolher entre opções oferecidas, mas em conservar algum poder sobre a própria arquitetura da escolha.

A comunicação comercial tornou-se uma ciência de probabilidades: já não pergunta apenas o que você comprou, mas o que provavelmente comprará depois.

O problema jurídico do século digital talvez não seja a ausência de informação, mas a presença de uma informação tão personalizada que o indivíduo deixe de perceber o mundo fora dela.

A bolha informacional não aprisiona o indivíduo pela ausência de mundo, mas pela repetição de um mundo suficientemente confortável para parecer completo.

O Direito da comunicação não é o Direito contra a persuasão; é o Direito contra a transformação clandestina da liberdade em objeto de engenharia.

No mercado da atenção, o bem mais precioso não é aquilo que possuímos, mas aquilo que ainda conseguimos decidir para onde olhar.

Uma sociedade verdadeiramente livre não é aquela na qual ninguém tenta convencê-la, mas aquela na qual ninguém consegue transformar a consciência alheia em território sem soberania.