Nao me Comove mais

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Eu não cheguei para ensinar o mundo a ver.


Cheguei para servir.
Empresto meus olhos
não porque vejam melhor,
mas porque aprenderam a parar.
A permanecer.


A respeitar o que é simples
e o que quase passa despercebido.
Há beleza onde ninguém olha.
Há histórias onde ninguém fica.
Há luz mesmo quando o dia parece opaco.
Eu empresto o meu olhar
para que outros possam enxergar
o que meus olhos aprenderam a vislumbrar:
o sagrado do cotidiano,
a dignidade do silêncio,
a esperança que insiste
em morar nos detalhes.
Meu trabalho não é sobre imagens.
É sobre presença.
É sobre revelar sem invadir,
mostrar sem ferir,
acolher sem explicar.
Sirvo quando fotografo.
Sirvo quando observo.
Sirvo quando escolho não passar rápido.
Se você aceitar,
te empresto meus olhos por um instante.
Não para fugir do mundo —
mas para reencontrá-lo
com mais cuidado,
mais verdade,
e um pouco mais de alma.

Presenças que Não se Despedem


Aqueles que partem antes de nós não deixam apenas saudade.
Deixam um vazio que não se mede, um espaço que ninguém ocupa.
Mas deixam, também, a permanência da sua história —
uma presença silenciosa que continua ecoando no tempo.
Fica a ausência do calor de um abraço,
o gesto interrompido,
o sorriso guardado na memória.
Fica o olhar que ainda nos atravessa,
a voz que já não tem som,
mas insiste em nos chamar por dentro.
Eles partem do alcance das mãos,
mas não se ausentam do que fomos com eles.
Habitam as lembranças,
os lugares,
as palavras que repetimos sem perceber,
os silêncios que se tornam mais densos.
Há quem parta e leve consigo o mundo que conhecíamos.
E há quem fique —
não no corpo,
mas no que nos ensinou a sentir.
Na saudade que dói,
mas também sustenta.
Porque amar alguém é aceitar
que, mesmo na ausência,
algumas presenças jamais se despedem.

Orações escritas


Deus,
hoje eu não tenho força para explicar o que dói.
Meu coração está pesado, meus pensamentos cansados,
e minhas palavras quase não saem.
Estima-me em Ti, Senhor.
Quando eu não conseguir me amar,
quando eu não conseguir me sustentar,
sustenta-me Tu.
Lembra-me que ainda sou vista,
mesmo quando me sinto pequena, esquecida ou frágil.
Ajuda-me.
Ajuda-me a atravessar este dia.
Não peço grandes respostas,
apenas o alívio de não caminhar sozinha.
Segura-me quando eu vacilar,
acolhe-me quando eu chorar em silêncio.
Se for possível, descansa minha alma em Ti.
E se não houver descanso agora,
fica comigo na tristeza.
Isso já basta.


7de janeiro de 2026

Somente por amor a gente se arrisca.


É por amor que caminhamos em direção ao que não sabemos explicar, como quem segue uma miragem no meio do deserto. Sabendo, no fundo, que pode não ser real — e ainda assim indo. Porque o amor não pede garantias, pede entrega.


O amor nos ensina a decifrar silêncios, a escutar o que não foi dito, a tocar mistérios com mãos trêmulas. Ele nos faz acreditar em promessas que ainda não existem, em destinos que só se revelam para quem ousa permanecer. É uma música que começa baixa, quase imperceptível, mas que cresce dentro da gente até não caber mais no peito.


Há algo de miragem no amor: ele cintila à distância, nos chama, nos ilude e nos salva ao mesmo tempo. Às vezes é engano, às vezes é esperança. E mesmo quando descobrimos que não era água, seguimos adiante, porque a travessia também nos transforma.


Amar é arriscar-se ao impossível. É atravessar desertos internos guiados apenas por uma melodia que insiste em tocar. É escolher sentir, mesmo sabendo do cansaço, da sede, da queda. Porque só o amor nos convence de que vale a pena ir além do que é seguro, além do que é lógico, além do que é visível.


E no fim, mesmo que a miragem se desfaça, algo permanece: o som da música que nos moveu. A coragem de quem ousou. A certeza de que só por amor a gente vai tão longe.


Por Jorgeane Borges

Há uma pressa que não leva a lugar nenhum.
Na corrida pela vida, esquecemos de viver.
O esforço constante para sobreviver ocupa tanto espaço que a própria vida passa despercebida — silenciosa, enquanto estamos ocupados demais tentando dar conta de tudo.

E quando percebemos, não foi o tempo que faltou.
Faltou presença.

Devocional



Hoje, uma palavra na minha devocional me atravessou. Não como conforto imediato, mas como espelho. Ela trouxe à memória cenas de injustiças — aquelas que vemos acontecer entre pessoas, aquelas que nos atingem diretamente e até aquelas que apenas assistimos à distância. Cobranças excessivas, falácias disfarçadas de verdades, julgamentos lançados com facilidade. E quase sempre reagimos com indignação. Achamos absurdo. Injusto. Condenamos quem condena.


Mas, nesse movimento, algo me foi revelado: eu esqueço de olhar para a pessoa que mais me julga.


Sou eu.


Sou eu quem mais me cobra. Quem mais aponta meus erros. Quem revisita falhas antigas como se fossem sentenças eternas. Sou eu quem, em vez de reconhecer qualidades, insiste em enumerar defeitos. Quantas vezes fui carrasca de mim mesma? Quantas vezes fui juíza severa, algoz silenciosa, aplicando penas sem direito a defesa?


Eu não me deixo descansar. Não me concedo pausa. Não me permito respirar antes mesmo que qualquer ataque externo exista. Muitas vezes, o tribunal já está armado dentro de mim, e a sentença já foi proclamada antes que alguém diga qualquer coisa.


Carrego um dilema interno diário: julgo como erro aquilo que talvez seja apenas humanidade. Trato processos como fracassos. Transformo aprendizado em culpa. E vivo me antecipando à dor, como se isso me protegesse — quando, na verdade, só me cansa.


Essa reflexão não nasce para me absolver sem consciência, mas para me lembrar que justiça também começa no modo como me trato. Que misericórdia não é permissividade, é entendimento. E que talvez o maior ato de fé seja aprender a silenciar essa voz acusadora e permitir que a graça — inclusive sobre mim — tenha espaço para existir.


Hoje, mais do que apontar injustiças no mundo, eu escolho observar como tenho sido comigo. Porque, muitas vezes, a batalha mais dura não é contra os outros — é contra a forma como aprendi a olhar para mim mesma.


13 de Janeiro 2026

Há um julgamento acontecendo o tempo todo.
Não na praça, nem nos tribunais,
mas dentro.


Apontamos o dedo para o mundo
e, quando ninguém vê,
erguemos o martelo contra nós mesmos.
Condenamos erros, falhas, atrasos, silêncios,
como se fôssemos obrigados a acertar sempre.


Mas que sociedade se constrói
quando cada um aprende a ser
o próprio algoz?
Que mudança é possível
se a primeira relação consigo,
já nasce em guerra?


Talvez transformar o mundo
comece por um gesto quase invisível:
diminuir a dureza do julgamento interno,
reconhecer a humanidade no outro
porque ela foi, antes, reconhecida em si.


Mudar a si não é se absolver de tudo.
É aprender a julgar com consciência
e viver com mais responsabilidade
e menos crueldade.

"Cuidado! Podemos nos tornar escravos daquilo que não conhecemos!"⁠

Perdoe-me, não fui boa o suficiente para você. A minha intenção nunca foi ser boa, não tenho vocação para santinha, comportadinha, bonitinha, queridinha, inha, inha, inha. Bato boca, reclamo, faço esparro, tenho ataques, sinto ciúmes, sou espalhafatosa, escandalosa, espetaculosa, ponto.

A perfeição é horrível, ela não pode ter filhos.
Fria como o hálito da neve, ela tapa o útero

Onde os teixos inflam como hidras,
A árvore da vida e a árvore da vida.

Desprendendo suas luas, mês após mês,
sem nenhum objetivo.

O jorro de sangue é o jorro do amor,
O sacrifício absoluto.

Quer dizer: mais nenhum ídolo, só eu
Eu e você.

Assim, com sua beleza sulfúrica, com seus
sorrisos

Esses manequins se inclinam esta noite
Em Munique, necrotério entre Roma e Paris,

Nus e carecas em seus casacos de pele,
Pirulitos de laranja com hastes de prata

Insuportáveis, sem cérebro.
A neve pinga seus pedaços de escuridão.

Ninguém por perto. Nos hotéis
Mãos vão abrir portas e deixar

Sapatos no chão para uma mão de graxa
Onde dedos largos vão entrar amanhã.

Ah, essas domésticas janelas,
As rendinhas de bebê, as folhas verdes de confeito,

Os alemães dormindo, espessos, no seu insondável desprezo.
E nos ganchos, os telefones pretos

Cintilando
Cintilando e digerindo

A mudez. A neve não tem voz.

Sylvia Plath
in Jornal Verve, número 14 ( p.8). Rio de Janeiro: 1988.

Nota: Poema "Os Manequins de Munique" (tradução de Claudia Roquette-Pinto).

...Mais

Quando criança conclui : se Deus, como todo mundo me dizia, era bom, por que eu não era o cara mais fofo do mundo ? Decidi que Deus não existia. Ou não era bom. O ateísmo é uma conclusão óbvia, não há nenhuma grande inteligência nisso. Qualquer golfinho consegue ser ateu.

Não tenho medo de dizer te amo, não tenho medo de dizer que sim, nem medo de arriscar. Faço o que eu tenho vontade, sei arcar com as minhas consequências. Eu vivo o que a vida me oferece e tento aproveitar ao máximo cada oportunidade. Eu vivo o momento, posso até me preocupar com o futuro, mas não fico o tempo todo planejando. Prefiro usar meu tempo vivendo. Não tenho medo e por isso as coisas acontecem. Sou aberta para os novos sentimentos. Não tenho medo de me apaixonar, de ser feliz, de conhecer. O meu único medo é deixar de viver uma coisa que pode modificar toda a minha existência. Felicidade a gente encontra nas coisas simples. Alegria e carinho, vem ás vezes de onde a gente menos espera.

Concordo plenamente com o lema "Acordo arrependida, mas não durmo com vontade". Sentir vontade pra quê? Prefiro me arrepender do que eu fiz, do que me arrepender do que eu deixei de fazer. É torturante pensar em como deveria ter sido se eu tivesse feito tal coisa. Se eu me arrepender, não vai ser nem a primeira e nem a última vez. Arrependimento ensina, medo paralisa.

Conquistando um homem em 4 palavras: não quero relacionamento sério.

Saudade do que ainda não vivi
O futuro não me interessa...
Mas quero que vc faça parte dele.
Mesmo que vc nunca tenha me pertencido
espero que volte
à muito tempo não sinto o que sinto agora.
Eu nunca te vi ...
mas sua imagem já é nitida em mim.
Esperança de que a vida fique à nosso favor
que um dia nós vamos no esbarrar por aí
Sem a mínima explicação
Com certeza de alguma coisa que não sabemos o nome.
Ah sim! Foi sem querer, mas de repente... eu já te amo.
Não é comum escrever poesia por alguém que nunca viu ...
Mas sente...
É estranho,mas é verdade.
Essa é uma das coisas que me sobem a cabeça e me deixa assim:
De um jeito que te deixa sem palavras.
Eu nunca fui pra Lua
Eu nunca vi Deus
Eu nunca dormi na praia
Eu nunca morri;
Eu nunca tive tanta certeza de uma coisa tão boa e tão abstrata ao mesmo tempo.
E eu gosto disso.

Ele é um bobo, que faz caretas e piadas e que ri de tudo. Não sei o que ele é pra você, mas pra mim ele é perfeito.

"Lutar e ganhar todas as batalhas não é a suprema glória, a glória suprema é quebrar o inimigo sem lutar."

"Fé? Nah. Eu só não tenho nada melhor para fazer."
-Murphy

O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são.

Chorei pela pessoa errada
Que não merecia o meu amor..
Antes que eu desse
Uma segunda chance;;
Pensei nas lagrimas derramei
É difícil sorrir, com vontade de chorar.
É difícil dizer adeus, com vondade de ficar....
Mais difícil é esquecer ..
Alguem que quero amar"

Não vou mais chorar
Se você quiser embora
Nao vou mais sofrer ....
Por um amor perdido..
Eu vou te esquecer..
Poder ter certeza disso..
Você não quis amor
E Só brincou comigo

Eu fui feito, pelas leis, um criminoso. Não pelo o que eu fiz, mas pelo que eu lutei, pelo que eu pensei, por causa da minha consciência.

Nelson Mandela
Long Way to Freedom, Nelson Mandela, 1995