Nao Machuque o meu Coracao
Deito em minha cama, acosto-me junto ao meu travesseiro, dou uma longa respirada de alívio e faço a auto-reflexão inerente ao meu dia; fecho os olhos, ajeito o cobertor e tento esvaziar minha mente para dormi, mas não consigo! Algo está presente em meu pensar, impossibilitando meu sono; então viro, tento me concentrar novamente e até consigo cochilar, mas meu inconsciente me desperta alguns minutos depois, mas o que será que tanto me prejudica? Será um sentimento de fracasso? Será um incômodo por não conseguir quebrar as amarras que me prendem ao meu passado? Ou será o medo do futuro? Não, não, talvez seja a eterna saudade do incerto, do dia não-mecânico, não-programado! Parece que só ele é que me proporcionará um momento gratificante para esvaziar minha mente o suficiente para me render ao descanso diário, que talvez hoje eu não mereça...
Um estranho Inverno permanece sobre o meu corpo, esperando que um insuportável Verão chegue e que consiga apenas viver no meu coração.
Hoje é um daqueles dias que ficar quietinha no meu quarto é a melhor solução.
Mas amanhã me aguardem!!!
Vou confiar no poder do amor. Vou apostar, vou sair vencedor. Encontre alguém, meu cupido amigo, que seja a metade do que aqui restou.
Senhor.
Hoje quero por todo o meu dia e noite nas tuas mãos,
e vou acreditar que tudo o que aconteça,é a Tua vontade.!
Dá-nos a coragem de recusar a sedução de ter,
ajuda-nos a dizer não ao supérfluo,
com um coração desapegado e pobre.!
Faz-nos mais solidários uns com os outros,
mais unidos, generosos e humildes como Tu.
Senhor eis-me aqui…
Quero estar sempre disponível para Ti.!
Fui até meu jardim secreto; me armei de pá, ancinho, adubos e sementes.
Fui plantar cataventos. Por quê? O nome já diz; para que ventos os levem.
Meu jardim estava um pouco triste, a chuva da insegurança abatera-se sobre ele. Então sentei-me ali naquela pedra e esperei que a chuva passasse.
Enquanto esperava, imaginava meus cataventos, e eles giravam, giravam, e o vento divertia-se com seus rodopios que eram tantos, que dissipou a chuva. E as nuvens se abriram; um sorridente Sol se mostrou entre elas. E numa parceria inesperada, vento e sol secaram meu jardim.
Peguei minha pazinha, meu ancinho e trabalhei minha terra, esperançosa pelos cataventos. Lançara minhas sementes de verdes cataventos.
E esperei por eles, dias e dias, regados pela chuva da paciência e aquecidos pelo Sol da esperança. Finalmente nasceram, bonitos, perfeitos, rodopiantes bailarinos. Sorri de satisfação. Eram cataventos de montão.
Enfim cresceram. Para quê tanto catavento? Oras, porque só um não basta pro meu intento.
Então, escrevi uma mensagem em cada um deles. Eu pedi a sua volta. Fiz um mapa também, para o caso de você se perder, para não perderes o rumo.
Sou homem da terra, cultivo jardim secreto. Não sei nada sobre plantar garrafas no mar. Depois me explique o projeto.
Tudo pronto para o grande desfecho. Aguardo que o grande vento conciliador se aproxime e Zás! Liberto meus catadores de respostas. Um a um eles se vão em sua busca. Olhe para cima, eles estão à sua procura. Encontre-os. Encontre-nos!
Sentarei aqui, nessa pedra de meu jardim secreto e
esperarei.
Até que retorne o último catavento, trazido pela sua mão.
Volte. Dê meia-volta.
Que eu não tenha plantado em vão.
Quando penso em desistir ouço a sua voz sussurrando em meu ouvido: calma minha filha, a luta só começou, a caminhada até a vitória é longa, mas não impossível... É quando as minhas forças se reestabelecem e eu continuo a caminhar, sabendo que não estou só, que tenho o Senhor ao meu lado.
Hoje ninguém vai estragar meu dia,
Só vou gastar energia pra beijar sua boca.
Eu só queria te lembrar,
Que aquele tempo eu não podia fazer mais por nós
Eu estava errado e você não tem que me perdoar
Ao Acordar
Ouço somente o silêncio do meu desejo.
Desejo de te ter ao acordar
Desejo de um beijo de bom dia te dar
Pena que isso não vai rolar
Pois só na saudade fico ao acordar.
Eu gosto de imaginar que você esta ao meu lado, mas caia entre nós, seria bem melhor se você estivesse aqui.
“Eu cuido, corro atrás, peço desculpas, me importo, mas quando eu desisto, pode crer, meu desapego é pra sempre.E é sobretudo na solidão que se sente a vantagem de viver com alguém que saiba pensar.!”
Hoje
Desperto-me
como uma árvore seca,
cujo o limo do barro
- meu sangue –
torna-se sujeira
que as chuvas de janeiro
hão de lavar.
É o tempo dentro de mim
matando-me,
como fizeras tu
quando partistes
sem me avisar.
Ao tempo,
ao próprio, recorro
- socorro -
dê-me mais um tempo,
por quê?
...Não sei!
sofrer...Talvez.
Ao meu pai, Martin Jacob
Ainda me lembro como se fosse hoje...
Daquele olhar manso e profundamente azul, do seu cheiro de suor e uma fragrância peculiar.
Ainda posso escutar sua voz, grossa e rouca a me chamar aceleradamente com seu sotaque alemão.
Embora não tivesse um jeito culto de expressar, ele era uma pessoa popular e querida por todos.
A primeira vista sua estatura dava impressão de ser uma pessoa explosiva, mas, no entanto, com seus 115 quilos e medindo 1,80 cm, podia-se dizer que era uma pessoa quase ingênua.
Não era vaidoso, pois era muito simples, mantinha o mesmo padrão de se vestirem qualquer ocasião. Sempre com camisas surradas, calças largas, com cores neutras.
Os seus cabelos grisalhos lhe davam uma aparência de respeito, porém no seu íntimo era uma pessoa espontânea e gostava de contar anedotas.
Mas como todo ser humano, não era perfeito... Tinha o hábito de ser inconveniente e agressivo a hora que lhe convinha, por esse motivo ás vezes não era compreendido e isso lhe trazia divergências com os amigos.
Tinha vícios também, fumava muito e ás vezes gostava de uma pinga antes do almoço (dizia que era pra abrir o apetite).
Vinha de uma família numerosa e humilde, mas gostava de ver sempre a mesa farta e com muitos convidados.
Com muito esforço possuiu muitos bens, dentre eles uma pequena fazenda e uma empresa de táxis, aliás, eles eram a menina dos seus olhos, pois sempre teve paixão por automóveis e os guiava muito bem.
Para ser exata, ele tinha muitas qualidades e graças a ele, tive uma infância muito feliz.
Tenho muitas recordações boas deste homem maravilhoso que me concedeu o milagre da vida. Saudades foi o que restou de uma pessoa que abrilhantou os meus dias de criança.
É uma pena não poder mais ouvir sua voz e nem sentir seu olhar protetor sobre mim, não poder mais correr para seu colo, fazer manha nos seus braços e chorar no seu ombro.
Queria que ele fosse eterno, para eu poder aprender e ensinar algumas coisas.
Hoje falo dele para meus filhos, conto como foi maravilhoso conviver com ele, mesmo que tenha sido por pouco tempo; pois DEUS me tirou ele, tão novo e tão forte...
O mais terrível foi vê-lo doente, enfraquecido, alienado e sem vontade de viver.
Eu o vi sofrer por 8 anos, anos que passaram lentamente, quase uma eternidade, até que finalmente uma força poderosa achou que bastava de tanto sofrimento e o levou...Chorei aliviada ao vê-lo descansando em paz!
Hoje tenho orgulho, de ter tido um PAI tão maravilhoso e poder desfrutar ao seu lado de tantas coisas boas e inesquecíveis.
Um dia me perguntaram se eu gostaria de mudar alguma coisa que fiz no meu passado. Eu respondi que nunca poderia mudar um passado que já não pertence as minhas memórias.
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