Nao Ha Passageiros na Nave Espacial Terra
Toda injustiça social que há é fruto do egoismo humano, tolos governantes e povo alienado, ambos só se interessam pelo que a política pode lhes oferecer como poder e vaidade individual, ninguém se importa com o coletivo, nem políticos nem quem os elegem.
Somos tão imperfeitos,
nunca estamos satisfeitos,
há sempre uma impressão,
a sensação nostálgica
de que o melhor ainda está
por vir...
Há acontecimentos na existência que marcam como amor ou paixão avassaladora. E, às vezes, tentamos reescrever essa história — mover o enredo, deslocar o sentimento, transplantar a emoção para outro contexto, outra pessoa, outro encantamento. Mas não funciona.
No universo emocional, certos eventos só acontecem uma vez.
Não é possível reconstruir o que o caos, em sua precisão secreta, nos ofereceu como vivência única.
Há experiências que pertencem a um instante irrepetível, e nenhuma tentativa humana consegue reescrever aquilo que nasceu para acontecer apenas naquele momento — e nunca mais. Evan do Carmo
Entre dois amigos
— Há uma coisa que me inquieta — disse Augusto, **Entre dois amigos**
— Há uma coisa que me inquieta — disse Augusto, olhando a noite pela janela. — A sensação de que nascemos para uma única forma de existência… e passamos a vida inteira tentando negá-la.
Miguel não respondeu de imediato. Girava o copo entre os dedos, como quem mede o peso de uma ideia antes de pronunciá-la.
— Você fala da arte — disse, por fim.
— Falo do que somos quando não estamos tentando ser outra coisa.
Um silêncio breve, quase respeitoso, se instalou.
— Talvez o problema — continuou Augusto — seja esse desvio constante. Nascemos artistas… no sentido mais profundo. Não no ofício apenas, mas na forma de perceber o mundo. E, no entanto, nos forçamos a ser marido, cidadão, homem comum, figura socialmente aceitável.
Miguel ergueu os olhos.
— E você acha que isso é erro?
— Acho que é incompatibilidade.
— Incompatibilidade com o quê?
— Com a essência.
Miguel encostou-se na cadeira.
— Mas ninguém vive fora do mundo, Augusto.
— Vive, sim. Apenas paga o preço.
— Que preço?
— A inadequação.
Miguel sorriu levemente.
— Isso parece mais orgulho do que filosofia.
— Não — respondeu Augusto, sem alterar o tom. — Orgulho seria acreditar que somos superiores. Não é isso. É apenas reconhecer que não nos encaixamos. E que, quando tentamos, algo em nós se rompe.
— E você nunca tentou viver como os outros?
Augusto soltou um riso curto.
— Tentei. Com disciplina, até. Acreditei que bastava insistir, repetir gestos, cumprir funções… como quem aprende um papel.
— E?
— E percebi que a vida, quando não é verdadeira, torna-se uma espécie de teatro sem plateia.
Miguel ficou em silêncio por alguns segundos.
— Talvez todos estejam representando — disse. — Uns com mais consciência, outros com menos.
— A diferença — respondeu Augusto — é que alguns sabem que não podem sair do palco.
— E você?
Augusto desviou o olhar para a rua vazia.
— Eu sei que não posso viver fora daquilo que me constitui. Posso até tentar. Posso assumir compromissos, ocupar funções, simular normalidade… mas, em algum momento, tudo perde sentido.
— Então a arte é uma prisão?
— Não. É a única forma de liberdade que conheço. Mas cobra tudo.
Miguel assentiu lentamente.
— E não há conciliação?
— Há tentativas.
— E fracassos?
— Quase sempre.
O silêncio voltou, mais denso agora.
— Curioso — disse Miguel. — O mundo espera que sejamos muitas coisas. E talvez sejamos, de fato. Mas você insiste que há uma que nos define.
— Não insisto — respondeu Augusto. — Apenas reconheço.
— E quem não reconhece?
— Vive melhor, talvez.
— E você prefere?
Augusto demorou a responder.
— Prefiro a verdade, mesmo que ela me exclua.
Miguel pousou o copo.
— Então não se trata de escolha.
— Nunca se tratou.
— Trata-se de condição?
— Exatamente.
Miguel respirou fundo.
— Nesse caso… não somos artistas.
Augusto voltou-se para ele, com um olhar mais claro.
— Somos aquilo que não conseguimos deixar de ser.
E, pela primeira vez na conversa, nenhum dos dois sentiu necessidade de acrescentar mais nada.
olhando a noite pela janela. — A sensação de que nascemos para uma única forma de existência… e passamos a vida inteira tentando negá-la.
Miguel não respondeu de imediato. Girava o copo entre os dedos, como quem mede o peso de uma ideia antes de pronunciá-la.
— Você fala da arte — disse, por fim.
— Falo do que somos quando não estamos tentando ser outra coisa.
Um silêncio breve, quase respeitoso, se instalou.
— Talvez o problema — continuou Augusto — seja esse desvio constante. Nascemos artistas… no sentido mais profundo. Não no ofício apenas, mas na forma de perceber o mundo. E, no entanto, nos forçamos a ser marido, cidadão, homem comum, figura socialmente aceitável.
Miguel ergueu os olhos.
— E você acha que isso é erro?
— Acho que é incompatibilidade.
— Incompatibilidade com o quê?
— Com a essência.
Miguel encostou-se na cadeira.
— Mas ninguém vive fora do mundo, Augusto.
— Vive, sim. Apenas paga o preço.
— Que preço?
— A inadequação.
Miguel sorriu levemente.
— Isso parece mais orgulho do que filosofia.
— Não — respondeu Augusto, sem alterar o tom. — Orgulho seria acreditar que somos superiores. Não é isso. É apenas reconhecer que não nos encaixamos. E que, quando tentamos, algo em nós se rompe.
— E você nunca tentou viver como os outros?
Augusto soltou um riso curto.
— Tentei. Com disciplina, até. Acreditei que bastava insistir, repetir gestos, cumprir funções… como quem aprende um papel.
— E?
— E percebi que a vida, quando não é verdadeira, torna-se uma espécie de teatro sem plateia.
Miguel ficou em silêncio por alguns segundos.
— Talvez todos estejam representando — disse. — Uns com mais consciência, outros com menos.
— A diferença — respondeu Augusto — é que alguns sabem que não podem sair do palco.
— E você?
Augusto desviou o olhar para a rua vazia.
— Eu sei que não posso viver fora daquilo que me constitui. Posso até tentar. Posso assumir compromissos, ocupar funções, simular normalidade… mas, em algum momento, tudo perde sentido.
— Então a arte é uma prisão?
— Não. É a única forma de liberdade que conheço. Mas cobra tudo.
Miguel assentiu lentamente.
— E não há conciliação?
— Há tentativas.
— E fracassos?
— Quase sempre.
O silêncio voltou, mais denso agora.
— Curioso — disse Miguel. — O mundo espera que sejamos muitas coisas. E talvez sejamos, de fato. Mas você insiste que há uma que nos define.
— Não insisto — respondeu Augusto. — Apenas reconheço.
— E quem não reconhece?
— Vive melhor, talvez.
— E você prefere?
Augusto demorou a responder.
— Prefiro a verdade, mesmo que ela me exclua.
Miguel pousou o copo.
— Então não se trata de escolha.
— Nunca se tratou.
— Trata-se de condição?
— Exatamente.
Miguel respirou fundo.
— Nesse caso… não somos artistas.
Augusto voltou-se para ele, com um olhar mais claro.
— Somos aquilo que não conseguimos deixar de ser.
E, pela primeira vez na conversa, nenhum dos dois sentiu necessidade de acrescentar mais nada.
Há mais estrelas no céu
do que grãos de areia nas praias,
e ainda assim, Eu conheço cada uma pelo nome. Nenhuma se perde no infinito… nenhuma se esconde. Se Eu reconheço o que está tão distante, quanto mais o que habita em ti.
Nada passa despercebido nada permanece oculto para sempre. O que é verdade se sustenta na luz, o que é falso teme ser visto.
E no tempo certo, tudo será revelado
porque nada pode se esconder do que é eterno.
DeBrunoParaCarla
Há uma beleza sagrada nos nossos gestos mais simples. O modo como partilhamos um café, o silêncio confortável enquanto lemos ou o simples ato de caminhar lado a lado. Para o mundo, são apenas rotinas. Para mim, são cerimónias. O meu lado protetor encontra paz na constância da tua presença, enquanto o meu lado intenso encontra prazer na familiaridade do teu cheiro. Não preciso de grandes eventos para me sentir pleno contigo; a eternidade manifesta-se na forma como me olhas antes de dizeres boa noite.
DeBrunoParaCarla
O fósforo acende o cheiro do amarelo,
enquanto o triângulo tropeça no cetim.
Há um piano de nuvens, mudo e banguelo,
plantando faíscas no meio do jardim.
Aquarelas de cobre devoram o grito,
embaixo de um teto de giz e neon.
O vácuo é redondo, o silêncio é infinito,
e o gosto do vento tem som de bombom.
DeBrunoParaCarla
Há muitos anos num planeta longínquo,
Havia dois Seres Imortais poderosos
que viviam em constante conflito,
O Luar preferia a Escuridão
para sempre observar as estrelas
senti aquela calmaria no coração
Já Aurora, amava a Claridade
por revelar as belezas naturais
e fazê-la desfrutar uma aprazível simplicidade,
Então, durante um tempo lamentável,
a Claridade e a Escuridão lutaram
por domínio,
Enquanto, aos poucos,
aquele mundo ia sendo destruído,
Demorou, mas, felizmente, perceberam
que ambos eram importantes ,
que aquela disputa seria irrelevante
se tudo não mais existisse,
Depois, uniram-se, usando seus poderes para que tudo fosse reconstruído,
Finalmente, o objetivo foi alcançado,
num perfeito equilíbrio,
A Claridade e a Escuridão conseguiram
seus espaços,
E assim, voltou a reinar, naquele lugar,
a Paz e a Harmonia,
Luar tornou-se o Guardião da Noite
e Aurora a Guardiã do Dia
E desta União aguardada,
nasceu Crepúsculo, queseria o Guardião da Madrugada no Futuro.
Sempre há alguém nas sombras
de um desânimo que sufoca,
que engana,
então, podemos ser a luz
que emana,
que socorre numa hora oportuna
pra que o ânimo se renove,
a ajuda um dia volta,
isto é um fato,
hoje, iluminamos,
amanhã, talvez, sejamos
os iluminados.
Quando os sorrisos se abrem
pra uma mesma felicidade,
é sinal de que há uma rara reciprocidade
que deve ser cultivada
com um amor de verdade
pra ser preservada
diantede tanta maldade.
Há uma conexão entre o mar
e o oceano do teu coração
com uma profundidade de sentimentos,
uma oscilação de ânimos,
às vezes, uma preciosa calmaria,
outras vezes, um impetuoso maremoto,
mas permanecem os teus encantos,
não inibi a vontade de mergulhar
nas tuas águas
com uma vida abundante
de uma beleza estonteante e rara,
que conquista apreços constantes,
portanto, és uma mulher de muitas camadas, simplesmente, fascinantes.
Tens uma linda imagem
de traços atraentes
envolvidos por intensidade,
há entusiasmo no teu olhar,
liberdade na tua essência,
graciosidade no teu jeito,
teu sorriso é iluminado,
portanto, a tua presença
consegue encantar sem dificuldade.
És uma mulher que sinto prazer
em admirar
com estes teus atributos
tão agradáveis.
Entre vocês, há um amor fraterno de muita notoriedade como um mar imenso de uma rica vitalidade, onde os sentimentos são sinceros, abundantes, profusamente recíprocos, daquele que deixas saudades, entretanto, ainda pode ser e fazer sentido, o passar do tempo só o deixa mais forte como um fogo inextinguível, portanto, não importa se agora estão distantes, ele continuará vivo até que vocês se encontrem e o deixem ainda mais fortalecido
Ela é várias ao mesmo tempo
que consegue ser única,
às vezes, é extrovertida,
há momentos em que é mais reservada,
aprecia um pouco de loucura,
entre suas condutas sensatas
por isso que tentar decifrá-la
é uma verdadeira aventura
diante de uma personalidade tão rara.
Não aceita e não se importa
em ser limitada principalmente
por quem não a conhece de verdade, que só sabe
de algumas falhas, de alguns fatos,
sem saber de suas lutas,
de como foi moldada por certas circunstâncias, que suas vitórias
não vieram de uma maneira fácil,
foram frutos de muita perseverança.
Sendo assim, é uma linda mulher profusamente interessante, inspiradora, doce, intensa,
cativante, uma benção do Senhor
com um amor ardente
que precisa ser conquistado
com muito fervore nutrido constantemente.
Solidão ou Solitude?
Há um instante em que o silêncio pesa,
como se o mundo tivesse esquecido o meu nome.
A casa respira devagar,
e cada canto guarda um eco que não responde.
Chamavam isso de solidão.
Mas o tempo, esse artesão invisível,
foi mudando a textura dos dias.
O vazio deixou de ser ausência
e virou espaço.
Aprendi a ouvir o que antes doía:
o som do vento na janela,
o compasso tranquilo do meu próprio existir,
a leveza de não precisar ser para ninguém além de mim.
E então, quase sem perceber,
a solidão se desfez em outra coisa—
mais mansa, mais inteira.
Virou solitude.
Agora, o silêncio não pesa: acolhe.
Não cobra: oferece.
É um lugar onde me encontro
sem pressa, sem ruído, sem máscara.
E nesse encontro sereno,
descubro que nunca estive só—
apenas não tinha ainda aprendido
a me fazer companhia.
O que você vê?
Diante dos seus olhos,
há um destino mais forte
do que dá pra prevê.
Ciente da semente que foi lançada.
Às vezes em alguma atitude, em outros momentos com a fala.
Sente que há algo maior, e ,
normalmente, subindo de escala.
O que se escuta?
Pode até ensurdecer.
Em maior parte, a prevenção depende mais de você.
Os labirintos inflamam
com todas as mentiras.
Não há felidade na dor
E a cicatriz não ameniza
o que causa a ferida.
A verdade pode até ser dura,
Mas é um escudo e
luz para caminhos à escura.
Ainda bem que temos Deus
Ainda bem que ainda tememos a Deus.
Sua misericórdia nos faz filhos Seus.
O Seu Amor prevalece, perdoa...
e jamais nos diz adeus.
“Eu me acostumei a seguir em frente, mas confesso: há partes de mim que ainda estão paradas naquele instante em que tudo mudou sem pedir permissão.”
— Anderson Del Duque
"O amor esquecido em vida vira dor lembrada na ausência. Valor só faz sentido enquanto há presença."
