Nao Ha Passageiros na Nave Espacial Terra
"Há dias em que tenho medo do mar, do rio
Outros dias, já sinto vontade de mergulhar
Nadar até às profundezas
E me tornar parte das águas
É como me sinto:
Às vezes, calma
Outra hora, turbulenta
Às vezes, reluzente
E outra hora, tão escura"
Há uma armadilha refinada no caminho: a tentativa de usar a prática para se tornar uma versão mais controlada, mais equilibrada ou mais espiritual de si mesmo. Isso ainda é o ego operando em um nível mais sofisticado. A verdadeira transformação começa quando você percebe que não há ninguém ali para ser aprimorado, apenas padrões sendo vistos com lucidez.
Há um ponto em que até mesmo a noção de presença se revela como um conceito sutil sustentado pela mente. Enquanto houver alguém tentando “estar presente”, ainda existe uma divisão silenciosa. O que se revela além disso não pode ser praticado nem mantido — é anterior a qualquer esforço, é aquilo que já é, antes mesmo da ideia de ser.
As vezes perco minhas cores.
E escalas de cinzas é o que há apenas
Por vezes surgem cores, mas logo se desbotam.
Em toda mulher há uma beleza
E esta beleza, quando reconhecida
Se torna a anarquia de muitos homens.
