Nao Ha Passageiros na Nave Espacial Terra
Não há ouro que resista ao tempo,
nem poder que se sustente na eternidade.
A coroa pesa, mas não liberta;
é prisão disfarçada de glória.
O povo, cego ou cúmplice,
aplaude sombras e se curva ao vazio.
Mas toda autoridade é pó,
todo império é ruína,
todo rei é apenas homem.
A verdade não se cala:
o trono é provisório,
a vaidade é efêmera,
e a história não perdoa.
É em vão servir um rei que serásubstituído por outro.
Não há nada mais precioso do que o sentimento que descobrirmos ter por alguém, e não a nada mais valioso do que saber que este alguém também por nós tem
Não é você o responsável pela derrota; há batalhas que não se perdem por fraqueza, mas por excesso de entrega.
Na oração, embora deva haver reverência e respeito, não há assuntos tabus, censuras ou julgamentos. Diante de Deus, você pode abrir o coração, compartilhar pensamentos e sentimentos e confessar absolutamente tudo, pois ele se agrada da sinceridade e da confiança.
Na Trindade não há vaidade. Há unidade. Vemos que aquilo que o Pai pede o Filho não retruca e o Espírito não murmura
Um rapaz diz pro outro:
- onde não existe nada sempre há alguma coisa!
o outro responde:
- mas o que você quer dizer com isso?
o primeiro responde:
- Nada.
O último responde pensativo...
- ainda acho que aí tem alguma coisa.
De que vale a vaidade, se no caixão não há espaço para tantas extravagâncias?
Pra que tanta ambição e avareza, se no caixão não existe cofre nem gaveta para guardar os bens acumulados por toda uma vida?
A arrogância, a ignorância e a brutalidade podem dominar este lado da existência, mas do outro lado reinam o vazio e o silêncio — e eles não vivem em guerra.
Vaidade. Ambição. Luxúria. Orgulho. Ignorância. Fiação frágil que se desfaz por aqui.
A riqueza pode alcançar os cantos mais distantes da terra, mas quando a morte chega, nem a roupa do sepultamento será escolhida por quem partiu.
Tudo é empréstimo por pouco tempo.
O corpo será devolvido ao pó.
O espírito retorna ao Criador.
Porque, no fim, nada nos pertence — tudo é de Deus.
Não há
outra maneira
de se desejar o bem,
se não tiver
um coração puro,
livre de todas
as mágoas
e ressentimentos.
03/10/2018
Há uma serenidade própria
em quem já se atravessou por dentro.
Uma calma que não é passividade,
mas economia de energia.
Gritar cansa.
Ser, não.
Há amores que não pedem casa, pedem abismo. O nosso foi assim: intenso, especial, mas inabitável. Não por falta de sentimento, mas por excesso de medo. Não por ausência de amor, mas por incapacidade de o sustentar no mundo real. O que existiu entre nós nunca foi pequeno... apenas nunca encontrou chão.
Nós nos amamos no território onde tudo é permitido: na palavra, na promessa, na eternidade abstrata do “para sempre”. Ali, o amor era livre, belo, absoluto. Mas quando se aproximava da vida concreta (do tempo, das escolhas, das consequências) ele recuava, tremia, se escondia. Amar, para nós, não era encontro: era vertigem.
Você me amou sem me escolher. Eu te escolhi sem poder te ter. E nesse descompasso, criamos um laço feito de presença e ausência, de retornos e fugas, de silêncios que gritavam mais do que qualquer declaração. Não foi mentira. Também não foi completamente verdade. Foi sentimento sem morada.
O que nos uniu não foi a possibilidade de ficar, mas a impossibilidade de partir por completo. Eu fui o lugar onde você sentia sem precisar decidir. Você foi o lugar onde eu esperava sem poder avançar. Um amor clandestino não por traição apenas, mas por existir fora do tempo certo, fora da coragem necessária.
E ainda assim, isso não me diminui. Nem te transforma em vilã. Mas nos impede de seguir.
Porque há amores que não adoecem por falta de afeto, e sim por falta de destino. Eles não morrem... suspendem. Ficam pairando como uma música bonita demais para ser interrompida, mas dolorosa demais para ser repetida.
Talvez seja isso que fomos: um amor real demais para ser esquecido, e impossível demais para ser vivido. E amar assim é belo, mas ninguém mora no abismo.
Não há nada de errado na saudade, na flor, no silêncio e na dor. O erro está na ausência do meu amor.
“Não confunda minha paixão com fraqueza. Há muita força em conter o mundo quando alguém olha para você com desejo.”
Um poeta tem que sofrer
Sem o sofrer não ha tom,
sem o tom nao ha som.
Deste mesmo som que
da tom no meu coração.
Só me lembro que você me tocou
e depois me esqueceu.
Esse mesmo eu que te venerou e desvaneceu.
E no fim da música dessa história,
a garganta ecoa o som estampido do grito rouco de tanto cantar em vão.
Quem perdeu tudo na vida perdeu o que precisava ser arrancado, não o que merecia permanecer. Há perdas que não são castigo, são encerramento. O que cai quando tudo desmorona nunca esteve firme o bastante para seguir adiante.
Não existe repetição para certas quedas. A vida não desperdiça lições oferecendo o mesmo abismo duas vezes. Quando tudo se vai, não é para testar força, é para definir limites. Depois do fundo, não há outro fundo igual — há apenas a escolha de subir ou continuar vivendo de restos.
Nem todos os caminhos se cruzam novamente. Pessoas, oportunidades, versões de nós mesmos ficam para trás porque cumpriram seu papel. Insistir no retorno é negar o aprendizado. Quem entende a perda deixa de implorar pelo passado e passa a construir com o que sobrou de verdade: consciência, silêncio eó maturidade.
Perder tudo não é o fim. É o ponto exato onde a ilusão morre e a verdade começa.
Teus olhos não apenas olham,
eles atravessam.
Há neles uma luz que desnuda o mundo
e um silêncio que diz tudo o que a boca não ousa.
Quando me encontro no teu olhar,
entendo que beleza não é forma,
é profundidade.
É alma transbordando sem pedir permissão.
Teus olhos carregam verdades antigas,
dessas que não se aprendem, se reconhecem.
E quem os encara por tempo demais
não sai ileso,
leva um pouco de ti para sempre.
Porque o teu olhar não seduz,
ele revela.
E ao revelar tua alma tão clara,
faz da intensidade
a sua forma mais bonita de existir.
