Nao Gosto do que Vejo
reclamação
eu não reclamo
por não gostar de mim.
isso eu já aprendi a carregar,
já fiz as pazes com a falta.
eu reclamo
é por gostar tanto de você assim.
por esse excesso que me transborda,
que me deixa sem sobra pra mim.
se eu me gostasse um pouco mais,
ou te gostasse um pouco menos,
talvez doesse menos.
Mas eu fico aqui:
inteiro pra você, e
metade pra mim.
(Saul Beleza)
Eternamente
Não quero que esse amor seja eterno.
eterno pesa,
eterno prende,
eterno cansa até o que é bonito.
e se for pra ser eterno,
que eu morra
sem te amar de verdade.
que eu morra amando pouco,
amando torto,
amando de longe.
porque te amar de verdade e pra sempre
seria morrer todo dia
um pouco mais.
(Saul Beleza,)
Sem despedida
não me cobre uma despedida.
basta que eu suma da tua vida
sem deixar marcas,
sem barulho,
sem cena.
despedida é abandono que dói,
é palavra que corta,
é porta que bate.
eu prefiro ir
como quem nunca esteve,
do que ficar na tua memória,
como quem faz doer na hora de ir.
(Saul Beleza)
Se quiser
tem um quartinho ali nos fundos,
fique à vontade.
não é o quarto principal,
não tem vista bonita,
mas tem silêncio
e cabe alguém que não quer fazer barulho.
pode deixar suas coisas espalhadas um pouco,
pode chorar baixinho se precisar,
eu já me acostumei com visitas
que ficam pouco.
só tem outra coisa,
quando sair
arrume toda a bagunça,
aquela que você fez,
e aquela que já estava antes de você.
apague as luzes,
feche as janelas,
não deixe cheiro,
não deixe recado na geladeira.
E principalmente,
não esqueça nada,
nenhum casaco,
nenhuma desculpa,
nenhum beijo pela metade.
para que não precise
vir buscar.
porque quem volta pra buscar,
volta pra ficar,
e eu já não sei mais receber mais ninguém.
Não venha me bagunçar de novo.
(Saul Beleza)
*Para Mateus e Mariana*
sei que vocês
não cabem mais
em meus braços.
cresceram.
estão pesados de mundo
e de sonhos.
mas no meu abraço,
ah, no meu abraço
vocês se encaixam
perfeitamente.
sempre couberam.
sempre vão caber.
*(Saul Belezza )*
Não tenho mais aquela eloquência ao teu ouvido,
não nos abraçamos mais com carinho,
não nos beijamos mais com desejo.
Nossa conchinha se separou,
ficou um espaço frio no meio da cama,
onde antes cabia o mundo.
Nossas gargalhadas não têm mais graça,
viraram riso sem vontade,
só pra disfarçar o silêncio.
Nosso banho é cada vez mais curto,
antes era demora,
agora é pressa de sair.
E o nosso amor...
esse nosso amor?
onde foi que a gente se perdeu
dentro da própria casa?
A gente ainda se ama,
ou só tem medo de admitir.
*- Saul Beleza*
O amor não pode esfalfar.
Ele tem que ser estimulante,
gratificante e duradouro.
Amor que cansa, pesa e esgota,
não é amor, é fardo.
Amor de verdade é descanso,
é fôlego,
é vontade de ficar.
*- Saul Beleza*
Se você não vier alegrar a minha sexta-feira,
tenha certeza...
eu serei a alegria
no sábado de alguém.
Não é ameaça,
é amor-próprio.
Quem não valoriza a minha presença,
vai ter que lidar com a minha ausência.
*- Saul Belezza*
Não tenho um amor,
eu tenho uma companhia.
Talvez se fosse amor,
não seria assim.
Estou amando a tua companhia,
e o amor?
Ah, o amor me acompanha
ao teu lado.
(Saul Beleza)
Não posso amar sozinho.
A madrugada é fria
e eu rolo na cama vazia
sonhando contigo.
O lençol não te abraça como eu,
o travesseiro não tem aquele teu perfume que me entontece e fica jogado no piso frio e sem brilho,
e a noite...
ah, a noite não acaba sem você aqui.
*- Saul Beleza*
Quem deveria estar aqui comigo
nesse exato momento,
era você.
E não as tuas lembranças
espalhadas pela casa,
no cheiro por todo quarto,
na xícara que ficou pela metade.
Quem deveria me abraçar agora
era você.
E não essa saudade fria
que deita do meu lado
e finge ser teu corpo.
Quem deveria me dizer boa noite
era você.
E não o silêncio
que repete teu nome
a noite inteira.
*- Saul Beleza*
Lembra do passado,
mas não mora nele.
Vive o presente,
porque é só nele que a gente se toca.
E tem esperança
de um lindo futuro.
Porque o que foi bonito nos ensinou,
o que temos agora nos sustenta,
e o que vem pela frente
pode ser ainda maior.
Saul Beleza
Tentei abrir a porta
de um mundo que não era o meu,
forcei a fechadura com a alma,
achei que ali morava o céu.
Entrei descalço, com fé,
achei que era amor,
mas lá dentro não tinha meu nome,
só tinha esplendor que não era pra mim.
Foi tudo ilusão,
um filme lindo que eu criei sozinho.
Eu e você...
dois caminhos bonitos,
mas que nunca se cruzam no fim.
Cada um com seu destino já traçado,
e eu aqui,
aprendendo a fechar portas
que nunca deveriam ter sido abertas.
Saul Beleza
Essas noites de insônia,
não são à toa.
É a cama grande demais
pro meu corpo sozinho.
Esses dias longos,
não é o relógio.
É o tempo que não passa
quando você não tá.
Essa saudade que machuca,
não é drama meu.
É o peito sentindo
o espaço que era seu.
Essa vontade de querer sonhar,
é porque acordado
eu não te tenho mais.
Isso tudo se explica,
nem precisa de muito:
é falta de você.
Só falta de você.
(*Saul Beleza*)
Vou fazer um rango aqui...
Não vai ser um banquete,
sem toalha de linho,
sem taça cara.
Mas vai ter cheiro de casa,
panela chiando,
arroz soltinho.
Será o suficiente
para que eu me sinta um rei.
Rei do meu cantinho,
do meu prato simples,
da minha paz.
(*Saul Beleza*)
Eu não digo "o amor chegou".
Eu digo:
o MEU amor chegou.
Estou aqui,
olha pra mim,
meu amor.
Não é qualquer amor,
é o meu,
feito do seu jeito,
com seu nome,
com seu cheiro.
Chegou e ficou aqui,
na porta do seu coração,
esperando você abrir.
(*Saul Beleza*)
Não sou um macho na essência da palavra.
Sou tua cia,
alguém que só quer estar contigo,
teu companheiro de sofá,
de riso bobo,
de silêncio bom.
De pescaria, sem pegar nada, de coceira de carrapatos, de coçar tuas costas em altas horas.
Macho eu serei
só na intimidade
que não nos faz mal.
Naquela que nos faz bem,
que nos cuida,
que nos acolhe.
Lá eu sou teu,
inteiro.
Saul Beleza
— Posso dormir aí?
— Melhor não.
Vamos nos ofender,
vamos nos ferir sem querer,
e eu não tô afim disso.
Não agora,
não assim.
A gente tem afeto demais
pra se machucar de bobeira.
Não podemos ser assim,
tão perto a ponto de doer,
tão longe a ponto de fazer falta.
Saul Beleza
Pela primeira vez eu disse não a ela.
Foi difícil,
foi dolorido,
minha voz tremeu,
meu peito doeu.
Mas eu disse.
E depois do não,
eu não morri.
Descobri que posso lutar em igualdade,
que meu não também tem valor,
que meu limite também é amor.
Pela primeira vez,
eu me escolhi.
Saul Beleza
Eu não queria escrever versos de adeus.
Deus sabe que não.
Eu queria os versos de ter ficado.
Mas ficar está longe,
é travessia,
é escolher todo dia.
E o adeus?
O adeus está raso,
qualquer pé descalço toca o fundo,
qualquer mágoa afoga nele.
Eu queria o profundo do ficar,
mas me deram o raso do adeus pra nadar.
Me ensina a ficar?
Fica comigo aqui,
só mais um pouco,
nesse banzeiro que vai deixar saudade.
(Saul Beleza)
