Nao Gosto do que Vejo
“Não se implora amor, nem se força presença. O tempo age como juiz, e D’us, como guia, conduz até quem realmente deve caminhar ao seu lado.”
Então é Natal…
E hoje ele não chegou com luzes, nem risos, nem abraços.
Chegou em silêncio.
Chegou pesado.
Chegou doendo.
Por toda a minha vida, o Natal sempre foi sagrado para mim.
Era o dia em que o coração descansava,
em que a esperança respirava,
em que eu acreditava que o amor sempre dava um jeito de aparecer.
Mas hoje…
Hoje o Papai Noel não me trouxe nada.
Nem um gesto.
Nem uma palavra.
Nem você.
A ceia que preparei com carinho — pensando em nós —
esfriou.
Foi para o lixo junto com os sonhos que eu havia colocado à mesa.
Cada prato era um pedido silencioso de amor.
Nenhum foi ouvido.
O vestido que escolhi com tanto cuidado,
imaginando seus olhos me procurando,
continua pendurado no armário.
Bonito, inteiro…
como eu tentei ser para você.
Invisível, como eu me senti.
A meia-noite chegou.
E onde deveriam existir sorrisos,
existiam lágrimas caindo sem permissão.
Lágrimas que não pedem atenção,
mas imploram para não serem ignoradas.
Esperei uma palavra.
Uma única.
Um “vem”.
Um “eu me importo”.
Mas recebi o silêncio.
Frio.
Cruel.
O silêncio de quem escolheu o orgulho e me deixou sozinha.
Eu pensei que no Natal os corações se amolecessem.
Que o amor falasse mais alto.
Que ninguém fosse deixado para trás.
Mas hoje eu aprendi que nem todo mundo sente como eu sinto.
Eu não queria presentes.
Nunca quis.
Queria você.
Somente você.
Sentado ao meu lado.
Segurando minha mão.
Dividindo o pouco que para mim sempre foi tudo.
Mas você preferiu a distância.
E essa distância gritou mais alto do que qualquer palavra.
Este Natal será inesquecível.
Não pela alegria…
mas pela dor de esperar o mínimo
e receber a ausência.
Esperei cumplicidade.
Respeito.
Atenção.
Carinho.
Esperei ser escolhida.
E não fui.
Dói admitir,
mas dói ainda mais sentir.
Estou sozinha agora porque confiei.
Porque acreditei nas suas palavras.
Porque fiz de você prioridade
quando talvez eu fosse apenas opção.
Poderíamos ter sido felizes.
Mas você só me disse no último momento que não estaria aqui.
Se tivesse sido antes, eu teria chorado…
mas não teria sangrado desse jeito.
Talvez estivesse com minha família.
Talvez não estivesse quebrada.
Eu te priorizei desde o primeiro dia.
Cada encontro.
Cada espera.
Cada silêncio engolido.
Para mim, cada segundo ao seu lado era especial.
Você era o meu homem.
E por você…
eu teria feito o impossível.
Não sou perfeita.
Nunca fui.
Mas nunca te ofereci menos do que amor verdadeiro.
Nunca pedi perfeição.
Pedi presença.
Cuidado.
Respeito.
Então é Natal…
E agora só me resta Deus.
Deus segurando minhas mãos enquanto eu choro.
Deus sustentando meu coração apertado,
enquanto as lágrimas descem sem controle.
E mesmo machucada,
eu ainda faço uma oração silenciosa:
Que o próximo Natal me encontre inteira.
Que eu volte a acreditar na magia do amor.
Que eu esteja segurando a mão de alguém que fique.
Que escolha.
Que cuide.
Então…
é Natal.
E hoje, quem precisa nascer de novo sou eu.
Autora :Ilda Araújo Días
Não é você o responsável pela derrota; há batalhas que não se perdem por fraqueza, mas por excesso de entrega.
Promessas pra quê?
Se ninguém compra, ninguém acredita, ninguém sustenta.
A vida não aceita cheque sem fundo,
ela cobra — e cobra caro.
Com juros, correção, e sem prazo de carência.
Cada palavra dita sem ação vira dívida.
Cada sonho abandonado vira cobrança.
E quando o boleto chega, não adianta fugir:
a vida é credora implacável,
ela não esquece, não perdoa, não atrasa.
Então, que se fale menos e se faça mais.
Porque promessa não paga conta,
mas atitude constrói futuro.
Nos dias em que não sou quem imaginei ser, chego a me esquecer de quem realmente sou. Minhas expectativas são altas, e quando não as alcanço, eu mesmo me deixo de lado.”
Há dias em que a cobrança interna me faz desaparecer de mim.
“Aprendi que não vencemos nossos demônios — apenas os acomodamos no pensamento para que não façam barulho.”
Na Trindade não há vaidade. Há unidade. Vemos que aquilo que o Pai pede o Filho não retruca e o Espírito não murmura
O amor verdadeiro não é estático — ele respira, se expande, se refaz.
Aceitar mudar para melhor é reconhecer que até nas quedas há sementes de transformação.
Quando caímos na poeira, não é apenas o corpo que se marca, mas o chão que guarda nossa história. Cada cicatriz no cenário é um testemunho de que a rotina foi quebrada, que o antigo se desfez para dar espaço ao novo.
O amor, então, é essa força que não teme o impacto da queda. Ele recolhe os fragmentos, reorganiza o caos e constrói beleza onde antes havia ruína.
É no pó que se levanta a esperança, é no chão marcado que floresce a coragem de continuar.
Em outras palavras: o amor não é só suavidade, é também resistência. Ele aceita mudar porque sabe que a mudança é o único caminho para permanecer vivo.
Eu não estou perdido, nem à deriva, para que tua mudança me desloque ou me afaste da evolução.
Meu amor, somos feitos de transformações súbitas, mas nunca de rupturas radicais.
Somos o sopro da vida que se reinventa, o fogo que aquece sem destruir, a corrente que flui sem aprisionar.
Que a tua mudança não seja muro, mas ponte.
Que ela não seja pausa, mas impulso.
Que cada passo teu edifique não apenas o instante, mas o caminho inteiro das nossas vidas vividas.
Pois amar é aceitar o movimento, é dançar com o inesperado, é reconhecer que a beleza está na construção contínua.
E se somos feitos de mudanças, que sejam elas sementes — germinando futuro, fortalecendo raízes, iluminando o presente.
De que vale a vaidade, se no caixão não há espaço para tantas extravagâncias?
Pra que tanta ambição e avareza, se no caixão não existe cofre nem gaveta para guardar os bens acumulados por toda uma vida?
A arrogância, a ignorância e a brutalidade podem dominar este lado da existência, mas do outro lado reinam o vazio e o silêncio — e eles não vivem em guerra.
Vaidade. Ambição. Luxúria. Orgulho. Ignorância. Fiação frágil que se desfaz por aqui.
A riqueza pode alcançar os cantos mais distantes da terra, mas quando a morte chega, nem a roupa do sepultamento será escolhida por quem partiu.
Tudo é empréstimo por pouco tempo.
O corpo será devolvido ao pó.
O espírito retorna ao Criador.
Porque, no fim, nada nos pertence — tudo é de Deus.
Eu não posso conter teus pensamentos dispersos e levianos,
despidos de afeto, atenção e cuidado.
Assim como não posso partilhar contigo
as escolhas sem rumo que te consomem.
Não me uno a ideias que clamam pela minha ruína.
São teus — pensamentos em decomposição,
não meus.
Antes que me expulsem da tua vida de conflitos,
suplico piedade:
apaga-me da tua memória,
risca-me dos teus devaneios impuros.
Que permaneçam contigo os caminhos extraviados,
sem horizonte,
onde não há respeito,
nem gratidão,
nem atenção.
Sê verdadeira, ao menos em teus delírios
efêmeros, descontrolados, sem raiz.
Não me arrastes para o pântano
onde teus pensamentos jazem adormecidos, enredados no caos.
Imploro:
até em teus pensamentos,
apaga minha existência.
Deus que divida é essa que tu me cobrar tanto?
Eu não sei mas em ti confio só peço que console meu pranto!
