Não Existe uma Pessoa Certa

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Em ciência não existe um erro tão grosseiro que, amanhã ou depois, sob alguma perspectiva, não pareça profético.

Existe sempre uma grande demanda por novas mediocridades. Em todas as gerações, o gosto menos desenvolvido tem o maior apetite.

Não há fealdade na natureza. Ela só existe nos nossos olhos.

A honra nunca se ofende impunemente: nunca existe por metade; inteira é forte, ferida está morta.

O que é terrível na culpa é que ela atribui ao medo, o maior mal que existe no mundo, um enorme direito.

É simples: se Deus existe, eu serei a primeira a ser informada.

Creio que a felicidade existe. A prova está em que, de repente, ela não existe.

O amor, tal como existe na sociedade, não passa da troca de duas fantasias e do contato de duas epidermes.

Não existe nada de novo, exceto aquilo que se esqueceu.

Todo o partido existe para o povo e não para si mesmo.

O ridículo não existe: os que se atreveram a enfrentá-lo conquistaram o mundo.

O amor sem desejo é uma ilusão, não existe na natureza.

Não existe nenhuma relação entre os espargos e a imortalidade da alma... os espargos são comidos, enquanto que a imortalidade da alma não.

A verdade existe. Apenas se inventa a mentira.

Existe maior número de compradores loucos do que de loucos vendedores.

A arte existe no instante em que o artista se afasta da natureza.

O homem existe apenas no combate, o homem vive apenas se arrisca a vida.

Não existe nenhuma regra útil sem uma exceção.

Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

Fernando Pessoa

Nota: Trecho de "O Guardador de Rebanhos", do livro "Poemas de Alberto Caeiro", de Fernando Pessoa (heterônimo Alberto Caeiro).

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Basta Pensar em Sentir

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir.

Fernando Pessoa
Poesias Inéditas (1930-1935). Lisboa: Ática. 1955. (imp. 1990). p. 73