Nao Existe mal que Dure pra Sempre
Existe uma diferença fundamental entre atenção e tensão. Muitas pessoas confundem concentração com esforço rígido, quando na verdade a atenção verdadeira é relaxada, aberta e sensível. É nesse estado que a percepção se aprofunda, porque não há contração interferindo naquilo que é visto.
Existe uma linha silenciosa entre sentir e se perder. Entre ouvir o mundo e permitir que ele te defina.
Durante muito tempo, você pode até acreditar que ser afetada é apenas sensibilidade — e, de fato, é. Mas há um ponto em que o que vem de fora deixa de tocar e começa a ocupar. E quando uma crítica tem o poder de te desmontar, ou um elogio te leva a um lugar que nem você sustenta sozinha, algo dentro de você já não te pertence por inteiro.
É sutil. Quase imperceptível. Mas perigoso.
Porque, aos poucos, você começa a se moldar pelo olhar alheio, a medir o próprio valor pela reação dos outros, a se reconhecer mais no reflexo do que na essência. E então, sem perceber, entrega a própria mente nas mãos de quem nem sempre entende o peso das palavras que carrega.
Sentir é humano, mas se perder não pode ser rotina. Nem toda crítica é verdade, nem todo elogio é medida. O que vem de fora pode atravessar, mas não pode permanecer sem que você permita.
Existe uma força silenciosa em se pertencer. Em saber quem você é, mesmo quando o mundo te aplaude ou te questiona. Em não se inflar com o reconhecimento, nem se despedaçar com a rejeição.
Porque, no fim, liberdade é isso: não se tornar refém de vozes passageiras. É voltar para si, todas as vezes, e ainda assim, permanecer inteira.
Se existe algo capaz de transformar vidas, fortalecer laços e construir futuros, esse algo é o conhecimento.
Nunca deixem de estudar.
Façam pausas quando necessário, mas não abandonem o aprendizado.
Porque o conhecimento ninguém tira de vocês. E ele cresce quando é compartilhado.
Contravento das Almas e a Doutora do Avesso
Dizem que existe, escondida entre estradas que levam a lugar nenhum, uma cidade chamada Contravento das Almas.
E dizem mais: quem entra lá precisa tomar cuidado…
porque até a lógica costuma sair de cabeça pra baixo.
Em Contravento, quase todo mundo é especialista.
Especialista em tudo.
De manhã, o padeiro comenta geopolítica.
À tarde, o frentista resolve crises do país.
E à noite, a praça vira tribunal —
onde ninguém estudou direito… mas todos têm certeza absoluta.
Aliás, direito é o forte da cidade.
Há advogados de profissão…
de vocação…
e principalmente de ocasião.
Mas nenhuma figura é tão emblemática quanto ela:
A célebre Doutora do Avesso.
Uma espécie de artista da argumentação.
A Doutora não discute — ela transforma.
Pega um fato, vira pelo avesso, ajeita as palavras…
e devolve como se fosse outra coisa.
E o mais curioso?
Quase convence.
Sua especialidade são as causas difíceis.
Aquelas que tropeçam na própria lógica…
mas que, nas mãos dela, ganham maquiagem, discurso e até aplauso.
Há quem diga que já defendeu o indefensável com tamanha firmeza
que o público não sabia se discordava… ou ria.
Lembra um antigo julgamento da cidade —
em que o advogado foi tão brilhante
que o tribunal inteiro ficou dividido entre a sentença… e o espetáculo.
Em Contravento, isso não é exceção.
É método.
Porque ali, mais importante que a verdade…
é a versão.
E versões, meu amigo, não faltam.
A cidade já foi próspera — dizem os mais antigos.
Tinha comércio forte, ruas vivas, gente acreditando.
Hoje… ainda tem gente.
Mas acreditar virou artigo raro.
Os mesmos que reclamam que nada cresce
são os que não regam.
Os que criticam o comércio
são os que compram fora.
E os que desconfiam da própria terra
plantam dúvida até onde podia nascer esperança.
Há até um costume curioso:
Muitos fazem questão de que os filhos nasçam longe dali —
na capital, de preferência.
Como se o primeiro choro precisasse de endereço mais importante.
Mas o tempo passa…
E um dia, sem aviso, o menino solta:
— “Ô pai… fecha a porteira!”
E pronto.
Contravento reaparece.
Inteira.
Sem pedir licença.
Porque ninguém foge completamente do lugar
de onde aprendeu a ser.
Enquanto isso, na praça, o tribunal segue aberto.
A Doutora do Avesso discursa.
Alguém rebate.
Outro distorce.
E no fim… ninguém muda de ideia.
Mas todos saem com a sensação de vitória.
É uma cidade curiosa.
Não anda pra frente.
Não anda pra trás.
Ela gira.
Gira em torno de si mesma —
defendendo versões,
acusando verdades
e absolvendo ilusões.
E no meio desse espetáculo… sempre há aplausos.
Às vezes sinceros.
Às vezes por hábito.
Às vezes… só pra não ficar feio discordar.
Mas, ainda assim, existem alguns.
Poucos.
Gente que não discute — faz.
Não distorce — constrói.
Não precisa convencer — vive.
Esses não sobem no tribunal.
Não aparecem.
Não gritam.
Mas talvez — só talvez —
sejam eles que ainda impedem
que Contravento desapareça de vez…
engolida pelas próprias palavras.
Porque, no fim das contas…
Em Contravento das Almas, ninguém perde uma discussão —
a verdade é que já deixou de participar faz tempo.
✍️ Nereu Alves
O amor é a energia mais curativa que existe. Um remédio sem medidas que restaura o que o corpo sente, o que a mente pensa e o que a alma habita.
Existe um nível de liderança que quase ninguém te ensinou.
Um nível onde comunicação flui e resultados acontecem.
Sabe que nível é esse?
Heteroconhecimento!
CICLO DA RAZÃO (I — Sentidos)
Agilson Cerqueira
Antes da ideia
existe o mundo.
A luz derrama-se nos olhos
como um rio silencioso,
o vento escreve na pele
sua caligrafia invisível,
e os sons se espalham no ar
como círculos sobre a água.
Tudo começa assim:
Em uma delicada invasão.
O corpo recolhe sinais,
mínimos fragmentos do universo,
sementes dispersas
de um saber ainda sem nome.
Cada cor,
cada textura,
cada rumor distante
é um sussurro da realidade.
E pouco a pouco
a consciência desperta
como um amanhecer
dentro do ser.CICLO DA RAZÃO (I — Sentidos)
Agilson Cerqueira
Antes da ideia
existe o mundo.
A luz derrama-se nos olhos
como um rio silencioso,
o vento escreve na pele
sua caligrafia invisível,
e os sons se espalham no ar
como círculos sobre a água.
Tudo começa assim:
Em uma delicada invasão.
O corpo recolhe sinais,
mínimos fragmentos do universo,
sementes dispersas
de um saber ainda sem nome.
Cada cor,
cada textura,
cada rumor distante
é um sussurro da realidade.
E pouco a pouco
a consciência desperta
como um amanhecer
dentro do ser.
Dentro de cada um de nós existe uma força extrema para ferir; a complexidade humana está em saber que essa mesma força também pode curar.
Existe uma distinção entre zelar pela saúde e pela aparência e se tornar um item produzido em centros cirúrgicos. Muitas pessoas estão utilizando tantos recursos artificiais que parecem ter saído de uma linha de produção. Valorize a sua beleza; ela será verdadeira se for autêntica, caso contrário, poderá se transformar em mais um item de produção em massa.
O luto e suas faces
Existe uma sensação boa que vivenciamos no luto e nem nos damos conta quão é boa a vida cotidiana, aquele dia que nada demais acontece, só um dia normal.
Quando estamos num processo de uma doença em casa, o normal é a correria de hospital, a espera dos diagnósticos, o medo dos exames, a lista de coisas que viram rotina.
Quando tudo acaba, você olha ao redor e apenas contempla o simples.
A pressa acaba, o medo cessa e a expectativa é apenas viver .
Por mais difícil que seja perder alguém, o dissabor dos hospitais nos mostra que, nada mais especial que apenas acordar e fazer coisas corriqueiras.
O luto tem esse lindo efeito colateral, apenas um dia comum.
Existe uma guerra interna que devemos lutar eternamente, a de sustentar a nossa direção e quem decidimos ser.
"existe um homem de quarenta anos, ainda bebendo a mesma cerveja barata, ainda fumando os mesmos cigarros, ainda escrevendo sobre a mesma merda. enquanto eu, só consigo pensar nas rugas do tempo e nas promessas quebradas, enquanto a vida continua a me socar na cara, sem piedade."
“Ainda Existe um Filho Aqui”
Ele disse que mudou…
E eu quis acreditar.
Disse que agora era diferente,
que o tempo o ensinou,
que a vida o moldou,
que hoje se orgulhava
do homem que eu me tornei.
E por um momento…
meu coração descansou.
Mas então,
como um eco antigo voltando pelas paredes da memória,
vieram os mesmos gestos,
as mesmas palavras,
os mesmos erros
que um dia me quebraram por dentro.
E eu fiquei me perguntando…
Foi ele que mudou?
Ou fui eu?
Talvez ele ainda seja
o mesmo homem de antes,
com as mesmas falhas,
as mesmas feridas,
os mesmos monstros silenciosos
que ele nunca conseguiu vencer.
Mas eu…
eu não sou mais o mesmo.
O que antes me destruía,
agora apenas me fere.
O que antes me derrubava,
agora só me balança.
E então percebi…
Talvez eu não tenha visto
um monstro virar anjo.
Talvez eu só tenha aprendido
a não ter mais tanto medo.
Talvez eu tenha crescido
o suficiente
para enxergar que até os monstros
às vezes só são homens
que nunca aprenderam
a amar direito.
E mesmo assim…
ainda dói.
Porque não importa
o quão forte eu me tornei,
existe uma parte de mim
que ainda é filho…
Esperando,
em silêncio,
que um dia
ele realmente mude.
Existe duas maneiras para enfrentar os problemas: uma é fica em um canto chorando e lamentando e a outra é colocar um sorriso no rosto e acreditar que é possível superar cada obstáculo que encontrar no caminho.
Existe alguma droga que consiga me viciar,
para, aos poucos, sem pressa, me apagar?
Enquanto a vida, em dor, não cansa de me atravessar…
Existe pessoas boas... Eu acredito que tudo pode acontecer... Eu sou eu, você é você ... E o sentido está em nos entender...
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