Nao Conto Detalhes e muito menos

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REALIDADE PARALELA


Vivemos em réplicas de espelhos quebrados, onde o reflexo não devolve o rosto, mas o eco de um grito engolido. As mentes, lascadas como vidros sob o martelo do tempo, teias entre o frisson e o divino: o delírio vira profecia, o tremor das mãos se ergue como hino aos céus partidos. O que parece cura é veneno disfarçado de salvação, e o veneno, ah, ele se veste de milagre, cuspindo promessas em línguas que ninguém mais ouve. Aqui, o real se contorce como fumaça em vento contrário. Um homem ajoelha ante o altar de comprimidos partidos, crendo que a náusea é êxtase celestial, enquanto a multidão aplaude o surto como visão apocalíptica. Não é loucura, dizem; é revelação. Não é doença, insistem; é deus infiltrado nas veias. Mas o que aparenta ser santo desaba em abismo, e o abismo, fingindo luz, engole o que resta de nós. A distorção rasteja, invisível, reescrevendo o mundo: o céu chove cinzas que chamamos de bênçãos, o chão se abre em feridas que juramos serem portais. Fragmentos de mentes se chocam, confundindo o pus com óleo sagrado, e o que é se desfaz no que parece. Nesta paralela, a verdade não existe, só o eco de si mesma, distorcendo até o silêncio.

Há uma angústia silenciosa que se instala quando se percebe que já não se consegue resolver sozinho boa parte da própria vida. Não é apenas a dificuldade prática que pesa, mas a sensação profunda de invalidez, como se algo essencial tivesse sido retirado sem aviso. A autonomia, antes natural, passa a ser um privilégio distante, e cada decisão depende de terceiros, de permissões, de circunstâncias que fogem ao controle.
Essa condição corrói por dentro. O indivíduo sente-se diminuído, não por falta de vontade ou capacidade intelectual, mas por estar aprisionado a limites que não escolheu. Surge a frustração de querer agir e não poder, de saber o que precisa ser feito e ainda assim permanecer imóvel. A dependência forçada fere o orgulho, a identidade e a dignidade, criando um conflito constante entre o desejo de reagir e a realidade que impede qualquer movimento efetivo.

Ai, que saudades que eu tenho do sertão
tinha um ranchinho
hoje não vejo mais nada
Ai, ai, meu Deus
quanta dor, quanta aflição
êêê, quanta saudade que eu tenho do sertão
Tá tudo novo, tá tudo modernizado

Coral: tá tudo novo, tá tudo modernizado

Ai, que saudade eu tenho da minha boiada
pega de boi
da minha vaquejada
do meu chapéu
do meu facão
do meu gibão
Ai, que saudade que eu tenho do sertão
Tá tudo novo, tá tudo modernizado

Coral: tá tudo novo, tá tudo modernizado

Hiperassociação mental




Estou sentada onde o corpo fica,
mas a mente não assinou presença.
Os olhos parecem beber o horizonte,
enquanto por dentro galáxias se atravessam
em disparada silenciosa,
sem pedir licença ao tempo.


Quem passa vê contemplação imóvel:
mar respirando, ondas ensaiando retornos.
Por dentro, porém, invento travessias,
pulo continentes num piscar de pensamento,
sou muitas versões em simultâneo,
todas nascidas do mesmo instante.


O céu acende um arco de cores improváveis,
o sol se despede em combustão delicada.
Minha cabeça corre descalça por ideias,
faz morada em imagens que não existiam
antes da luz tocar a água
e bagunçar meus sentidos.


Estou aqui, dizem os pés na areia.
Estou longe, responde algo sem endereço.
Essa fenda entre o agora e o devaneio
não dói, não cura, não explica:
é só o lugar onde a inspiração
me atravessa sem forma.


Talvez dissociar seja isso:
o mundo externo servindo de gatilho
para universos que nascem e morrem
no intervalo de uma onda.
E eu, quieta por fora,
mas construindo universos por dentro.

Quando não estou pensando em você,
Estou imaginando como pensa em mim…
Tem dias que você me faz chorar
Quando não estou pensando em você,
E sim! Imaginando você… pensando em mim.

Tem dias que você é tudo, tudo pra mim.
Quando estou pensando em você
Sem imaginar você… pensando em mim.

⁠Eu sei…
Embora eu tentasse fingir que não sinto mais, finalmente entrei e os destroços suprimiram minhas emoções.
É como areia movediça e deve terminar em fracasso.
Sei que não sou forte o suficiente para me expressar corretamente; mesmo que esteja errado, ainda faço o meu melhor.
Eu sei que eu estava errado!

Mulher rebelde, tu sabes que te amo.
Amo-te com uma felicidade voraz,
dessas que não pedem licença
nem aceitam redenção.


Ainda que eu esteja no abismo,
caindo sem mapa,
no precipício do medo e da culpa,
meus olhos te buscarão
e, antes do impacto, dirão:
eu te amo.


Mesmo quando minhas atitudes
se vestem de covardia,
quando falho em ser abrigo
e viro tempestade,
o amor não se cala.


Meus pulmões, quase sem fôlego,
lutando contra o fim,
hão de vencer o silêncio
para sussurrar nos teus ouvidos
— não por coragem,
mas por verdade —
eu te amo.


Amo-te quando fico,
amo-te quando erro,
amo-te mesmo quando não sei amar direito.
Amar-te é uma escolha feliz,
Que atravesso o universo por ti
até o último sopro eu te amo.

Porque choras ó pequena? Sentiu em si uma felicidade que transbordava, acreditou que já não seria desapontada.
Enxergou algo que acreditava e na verdade somente você enxergava.
Abriu o coração e mais decepção, porque deixou levar por uma ilusão.
Você enxergando o lado bom nas pessoas, acreditando que quando entrega o coração a alguém que parecia-lhe o porto seguro e você era apenas alguém para divertir lhe enquanto o convém.
Ó coração tolo, acreditou mesmo que ele desejava um futuro ao seu lado? Esperou demais de alguém que parecia-lhe tudo o que sempre almejava, enquanto você não passava de uma boba iludida, sonhadora e apaixonada.

É, dói… Decepcionada? Ó minha cara, foi você mesmo quem escolheu não dar atenção aos sinais. Você viajou demais nos sonhos da sua mente e não caiu para a realidade.

A verdade é que amar é algo destruidor, quanto mais permite tentar e é decepcionada, mais é despedaçada.

Como anda o seu coração? Dói? Pois lembre-se da dor que é entregar amor para quem acredita desejar estar com você, não é a primeira vez que isso acontece.

Esqueça os sonhos no amor, feche o coração, seja fria e não se entregue mais.

Depressão, Amante Nada Sigilosa


Não sou mais a prioridade da minha amada.
Ela prefere se deitar com a solidão.
Não me olha mais nos olhos —
só mareja quando pensa nela,
a depressão.


Em casa já não ouço sua voz,
apenas sussurros e soluços.
Não sinto mais seu toque nem seu cheiro,
resta uma lembrança boa
que passa ligeira, como quem não quer ficar.


Já não sei como é ser chamado de amor.
Por que me trocou?
Eu sei que ele — o desespero —
é mais arranque do que eu.
Ainda assim, deixa-me participar
desse cenário de ilusão.


Deitaremos, se me convidar,
os três, então.

Vida que ri também chora: queria cantar canções e apenas às que quero ouvir; a felicidade não está em conseguir tudo o que desejo, mas em apreciar tudo o que tenho!
Quando a noite chega sou um cavaleiro sobrenatural inspirado, e quando o sol aparece sou mais um natural do mundo descrente; "o meu cérebro é pensante, mas a voz do coração fala"!
Um zeloso guardador, sem riscos de irreversibilidade da decisão: "o mesmo cuidado que tem para não machucar alguém, tem para estabelecer os limites"!
O que parece um enredo improvável, vira uma sequência de impactos bem concreto: "viver a fidelidade por mim, que aplausos não me iludem e a rejeição não me fere!

Aquele que chama às vezes não é ouvido, como aquele que clama e não vê os milagres; "fiz para me proteger, ou talvez por medo"!
"Como sentar no sofá e perder o direito de pedir refresco", e foi assim que conheci uma solidão, a insegurança tem receios de ver a vida por outro ângulo, e assim perder a "segurança" de um passado conhecido!
Nem todas às lembranças antigas são eternas, e o riso despertou, e não tarde demais... "o risco mais perigoso de todos é viver uma vida sem fazer o que deseja"!
Se o mundo castiga, a vida ensina: "não acredite jamais que não é bom o suficiente, a maneira como os outros o percebe depende da sua postura!

Você sabe que eu sei, e eu sei, o que vc sabe: não force ninguém a lhe preterir!
Um pequeno círculo e uma mente leve, são melhores do que uma multidão e um caos; o silêncio ensina sabedoria: "ouça mais do que fale"!
Como esperança em festa, vai aprender uma hora a arte de passar um tempo só, ninguém virá te salvar... seja teu salvador!
Letras que ardem o meu nome: sem luta, sem história... "um diamante não pode ter brilho sem polimento"!

O dia é dia de regar as oportunidades; escale os teus sonhos, não para que o mundo possa lhe ver, mas para que possa vê-lo!
Supor o momento perfeito pode desperdiçar o viver, pare de esperar pelo "algum dia", porque o tempo não espera por "um dia"; alguém aprende mais com seus fracassos do que com seus êxitos!
Todos enfrentarão decepções e tristezas na vida; mas "tempo é tempo"... quando dedica tempo à alguém, dá um pedaço de si que nunca retorna!
Mas do outro lado da moeda, ninguém nunca sabe quando está vendo alguém pela última vez, e pode ser tarde demais para o tempo... valorize cada momento e o tempo se preocupa com o dele!

A conclusão foi devastadora para a tese da inversão: opiniões do mundo são apenas dele, não minhas, compreender-me vale mais que entendê-lo!
Aquele vazio de que "já não é mais o que costumava ser", são nestas horas que se confunde por não reconhecer o atual eu; "se corrigir não é modificar quem é, mas abandonar o que já não é"!
Para melhorar a próxima tentativa, ser mais feliz primeiro, gente feliz quer ficar proxima de gente feliz; "quanto mais me importar com validação alheia e mais desconsiderarão"!
"Vejo um muro cercando uma luz que reluz do meu olhar"... por meio da cooperação e não do confronto, aprendo a ser forte no mundo, porque a ser inteiro a vida ensina!

"Tenho amor e sorte, só não sei para quem vou dar"; a vida ensina, que crer em sorte no amor é abrir mão do poder de construir!
A esperança pedia bis, e às expectativas comentavam, e assim foi mais tarde e tarde demais, enquanto um sonho contava a sua história sem saber do final!
Como uma certeza que doía nos ossos: na vida o divã de sua encenação não é uma folha em branco... "tenho muito para dizer, dizer que aprendi"!
Desânimos são criaturas farejadoras e brutalmente eficazes: não se trata de cair, mas de quanto consegue levantar, e seguir em frente no chão!

Com os pés torcendo pelos passos, um caminho deveria ser mais cortez, e não deveria dizer isto a ninguém: "é ninguém e apenas mais um"!
Quando se conhece a arte da vagueza: revele de si pouco, conceda-lhes o que desejam, mas não o que merecem!
Silencie com o ego, bem ou mal, não se importe que alguém fale sobre si... modere-se com compostura da serenidade!
Existe uma aura misteriosa em todo o redor: fale menos com o olhar e ouça mais com os desejos... quanto menos algo contar, menos curiosidade despertará de um desafeto!

"Será que é branco e preto, ou preto e branco"?
Não é sobre dúvidas, mas indagações na vida!
Foi como passar o filme de minha vida inteira diante dos meus olhos: "se de tropeços em tropeços se faz uma vida, penso que a vida é feita de recomeços, porque numa vida finita e longe da juventude não seria possível ser feita de novos começos"!
Numa vaporosa ansiedade uma vida se torna água ou fogo, não nego uma dificuldade quando consigo entendê-la, o problema é entendê-la, se nem a mim às vezes!
Falta muito e não pouco para fazer uma flor sorrir sem sua raiz; a pior vida é uma feita apenas de saudades distante de um novo dia... "não vivo pela metade, se nasci inteiro!

Às vezes a minha face fica mais branca com um tom mais pálido, quando se esconde; posso não dizer tudo algumas vezes, porque sinto muito e tanto!
Se escrevo difícil, é porque é difícil escrever às vezes; se eu quero está vida para mim, é porque vou ter!
Sou um pouco dos lugares que conheci, mas sinto muito das coisas que gostei, e deixei... perdoar é uma coisa mais confiar é outra!
Se os meus dias são meio esquisito, sem razão e sem querer às vezes, é porque não admiro os dias normais... quando a fronteira entre a canção e o silêncio é reduzida a um sussurro limitado!

Não é sobre o tamanho de algo, mas dimensão: existem coisas pequenas que viram enormes, e coisas pequenas porque são pequenas!
Anjo do bem, gênio do mal?
Temos realmente a capacidade de compreender as situações na vida, e de realmente separar o certo do errado?
Um erro não vem do corpo, mas da vontade, como exercício arbitrário das próprias razões, uma pedra não sabe e não pode brincar com um estilingue!
Não é recuo mais uma estratégia de um erro: há caminhos e existem descaminhos... como culpar uma bússola se ela sempre aponta para o norte?
A felicidade de um acerto restaurado não tem preço!

Apesar que existem canções da vida que não tem palavras, mas tem um som de chamamento que cura, o sigilo da timidez me "protege" às vezes e até de sorrir às vezes, "e sinto tanto"!
Uma raiz no deserto não vinga, uma vida sem vida não vive; "sem viver eu não me importo de quem foi a culpa, importo se foi minha"!
Estou sendo sincero, eu não me importo com a versão que o mundo dá, mas com a versão que a vida mostra... a minha!
Sou triunfo, de derrotas; não é sobre importância, mas de ser uma!