Nao Consigo te Odiar
Fugiu numa noite gélida,
Logo caiu nas poções encantadas,
Não imaginou as ruas tão violentas,
Mais uma usuária viciada.
Floresta de Cactos
Talvez uma única vez
Isso tudo não tenha a ver
Somente conosco.
Independente
do que você espera de mim,
Me antecipo às suas
Expectativas,
Ajo inesperadamente.
Mesmo parecendo óbvio,
Artífice de ilusões,
Operário de angústias,
Artesão da alma.
Pesquisador da profilaxia,
Busco certa toxicidade salutar,
Acidez sonhando alcalina,
Desejando ser benigna.
Blá blá e blá.
Desbravador do espírito,
Um trabalhador braçal
Que lavora com tinta e papel.
Palavreados
Ambicionando
Palavrões.
Possuo todas as perguntas
Fundamentais e universais
E nenhuma resposta.
Talvez esta única vez
Isso tudo só tenha a ver
Conosco.
Pois é,
Sou sim um poeta,
Sou só,
Poeta.
Esse é meu ofício,
Meu karma,
Maldição
E magia.
Não posso te oferecer nada,
Além de poesia.
13/01/23
Michel F.M.
Hoje acordei, e o Diabo, sentado aos pés da minha cama, disse-me:
“Ama — como quem já não tem tempo.
O inferno não é a ausência de amor,
mas lembrar que podias amar e não quiseste.
Nem Deus te salva do que deixaste de viver.”
Em Angola, tudo se passa de maneira diferente. O militar recém-chegado não tem apenas que enfrentar uma formidável máquina de propaganda. O incitamento ao crime é permanente, mórbido. Com a agravante de que o genocídio é exaltado como epopeia. Assassinar friamente um africano deixa de ser um ato punível pelas leis e códigos para se transformar em demonstração do mais puro patriotismo. E de Portugal, através do Rádio e da Imprensa, não chega um voz discordante"
Miguel Urbano Rodrigues, Revista Paz e Terra - 10/1969
- Ditadura, Angola, Palestina
As palavras são chaves que abrem realidades; que o teu sim seja justo e teu não verdadeiro, que tua ação seja a espada que o guarda, pois a honra da linguagem reside e reflete a alma e intento que se profere.
Nossa beleza não está nos cabelos! A Unção está dentro de nós! E a Palavra em nossas línguas como fogo!
