Nao Consigo te Odiar
Morro, mas fico vivo.
Perco o físico, não o espírito.
Queima-se o livro, não o escrito.
A cada anoitecer, morro!
A cada amanhecer, revivo!
Sempre um morto vivo.
Passando a cada dia
Uma página desse livro.
Vivo e morro, morro e vivo.
O sopro da morte
Outrora me deu vida
Corpo e alma, tudo é metafísica.
O corpo biologicamente tem vida
A alma espiritualmente se eterniza
Fazendo da morte o trânsito da vida
Plantando uma árvore,
Escrevendo um livro,
Fazendo um filho, a problemática fica resolvida.
Luto é sofrimento em desperdícios,
Sintomas físicos e psíquicos,
Compartilhado entre familiares e amigos
Morro! Mas nunca vou morrer.
Transcendendo o superior ser,
Ente-querido, eternamente vou viver.
Há dois móveis de madeira
Que não é brincadeira
Um com amor é presenteado
O outro contra a vontade é comprado
Um traz felicidade que tonteia
O outro tristeza e cara feia
Um enche de paz e alegria
O outro de sofrimento e agonia
Um vem com futuro e pujança
O outro vai com sonhos e esperança
Um anuncia uma nova aurora
O outro avisa que chegou a hora
Um é luz e imensidão
O outro é treva e solidão
Um mostra que da terra viemos
O outro comprova que pra terra voltaremos
Um representa vida e nascimento
O outro demonstra morte e falecimento
Um construído em madeiras trabalhadas
O outro é feito tábuas mal serradas
Um é continuidade e perpetuação
O outro finda um geração
A cada dia que se passa
De um agente se afasta
E na mesma proporção
Do outro é a aproximação.
Eu não posso ter dinheiro pra sustentar uma vida, mas tenho uma vida que dinheiro não pode sustentar.
Prova de consideração não é doar o objeto usado, depois que se compra outro novo, mas presenteando o amigo com o novo.
Saudade de homem é pior que a de mulher, pois de mulher se sabe o porquê, mas a de homem não se sabe porquê é.
QUARTO DIA DE JANEIRO
Fatos históricos
Na terra aconteceria
Não se sabe século e ano
Apenas o mês e o dia
Sonhos e presságios
Milagres e profecias
Martin Luther King
Neste dia nasceria
Sputnik a nave das respostas
A terra voltaria
A pintura Guerra e Paz
Portinari a ONU doaria
A pequena queda d’água
Uma enorme cachoeira transformaria
A Lua minguante
Pra sempre Cheia ficaria
O Rio seco e perene
Permanente e corrente tornaria
A terra seca e infértil
Num chão fértil onde tudo brotaria
A vida que findava
Eternizava e renasceria
A Fé desfalecida
Numa fortaleza de alegria
Um poema de amor
O poeta inspirado faria
O sorriso e o olhar
A bela mostraria
Negreiros Neto ao mundo
A vinda de Elayne anunciaria.
Fugir da dor não é a solução. Enfrentá-la é a nossa missão. A carne é fraca, mas o espírito é forte. Salvar! Sertão Pernambucano.
A Febre dos PETs serve apenas para tornar os animais numa praga ou exterminá-los. Não tarda fazer o mesmo com os vegetais.
... Vislumbro delírios
Em uma nova aurora
Nave que tanto sonhos decolam
Na busca de algo que não se sabe agora.
"Nave Negreiros não tarda a chegar
Muitos morrem sem te encontrar".
... O chicote que mim açoita
Não arde mais que minha esperança
A sede que me mata
Jorra água na minha perseverança.
"Nave Negreiros não tarda a chegar
Muitos morrem sem te encontrar".
