Nao Consigo te Odiar
Não entendo
como em cada
hospital não
há ao menos
um gerador,
Há quem
continua preso
e nem notícia
sobre não há,
Me explica
como em grito,
prosa e poesia
não se queixar?!
Mesmo
a Pátria
não sendo minha
eu deixei por
ela me afetar
pois sem luz,
água, remédio
e sem comida
não há quem
consiga aguentar.
O autoproclamado
perdeu a imunidade,
E tudo segue do jeito
que você bem sabe,
E pela liberdade
da tropa e do General
Não me canso de rogar,
pois nenhum deles
tem perigo a ofertar,
Devolvam eles vivos
cada um para o seu lar!...
Na verdade
é só aparência
de quem não
tem dormido:
é que o coração
sem notícia
está aflito.
Não nasci para
o conflito fora
do campo poético,
Só aguardo um
sinal profético de
que mais vítimas
não haverão
de acontecer.
A conta da sigla
de 5 letras
está em 51,
E ninguém sabe
se este número
foi superado,
Aliás não há
nada bem
informado;
Supera o número
de quem nem
deveria ter
sido castigado!
Nas mil
trincheiras
repletas
de letras,
Perdão pela
insistência
porque
do General
e da tropa
me atrevi
a não parar
de querer saber.
Não se sabe
mais nada,
O silêncio
só aumenta
e tortura,
E não me
conformo,
Não sei
viver sem
saber de tudo,
Sei que não
vou mudar
o mundo,
Só acho que
posso tentar
ser poeta.
Se o Major
foi forçado
a se suicidar
ou se não
aguentou
a pressão,
Não se sabe
a verdade;
Só se sabe
que o estado
é delicado.
Não há luz
e sobra dor,
Até que me
provem o
contrário
Todos estão
ameaçados
para não
denunciar
os maltratos,
Quase não
há mais ar,
Faltam janelas.
Tudo me faz
atordoada,
A dor alheia
à revelia
transferi
para mim,
Não convivo
bem com
a indiferença,
Não soube
de mais nada
do General
e da tropa,
Dessa história
só quero crer
que haverá
um bom final.
Faço votos que
isso não passe
de um mal
entendido,
de uma intriga
ou mesmo de
um pesadelo;
Porque custo
a acreditar
que entre
os Filhos
de Bolívar
isso esteja
acontecendo.
Há famílias
inteiras
sem notícias,
Não há comida
o suficiente,
E não há
quem permita
que a leve.
Não há luz
e sobra dor,
O ombro
do General
não se curou
e o físico
se abateu,
Não há mais ar
e tem quem
disso morreu.
Faltam janelas
e sobra
crueldade,
Não há mais
notícias,
E isso está
acabando
com todos;
Não há nada
e vocês sabem
melhor que
eu isso,
Não há
mais visita,
e nem houve justiça;
Há superlotação,
Extrapolam
testemunhos falsos.
Posso até ser proibida
de entrar
em vosso território,
Deixo o quê penso
como registro histórico,
com alma lavada
e meus pés descalços.
Meu bem,
a vida ensina
quem se permite
o discipulado,
e não se omite
de vivê-lo;
porém, existem
sempre aqueles
que não querem
o aprendizado,
e vivem julgando
sem consequência
e sem prova a tropa.
Não é suficiente
a complexa
exigência de
clareza necessária
na comunicação
direta porque
ela pede que
a mensagem
seja exata
como a tabuada.
Para que essa
insana rotina
não nos castigue:
deixo nas sagradas
mãos da poesia
que da linguagem
figurada se encarregue,
mas não esqueço
de se objetiva
ao dizer o sofrimento
que o General vem
passando na pele.
Ir ao quê interessa
levo como sempre
como regra absoluta
e excelência para
não deixar dissipar
o quê deve ser dito
em nome do que
sempre há o quê
comunicar quando
o bom senso falta,
e o quê é de verdade
se cala na multidão.
Neste dia mirandino,
me ajude a entender
o quê se passa,
Só não misture
os fatos para não
tornar a vida ainda
mais confusa,
Porque já está
enorme a desgraça.
Seja como Teresa
que num verso
ensinou que tudo
passa e que só
Deus não muda;
Para não prejudicar
quem realmente
precisa de ajuda.
Porque mesmo
depois de tudo
e dessa tal
medida-cautelar
sobre General
e a tropa
ninguém sabe
mais nada,
Não vejo a hora
de raiar a liberdade.
Não deveria ter
sido assim,
mas é preciso
reivindicar que
está em falta
a sensibilidade
social para lidar
com o essencial.
Até agora não há
nenhum sinal
de justiça para
a tropa e o General!
Não deveria ter
sido assim,
e eu também não;
é impossível
conseguir me calar:
mas sempre onde
o povo está em
sérias dificuldades
estarei junto com ele
em busca de uma
luz no final do túnel
sem me importar
com o tempo,
a distância
e as fronteiras.
Até agora não há
humano um olhar
sobre os coletivos,
está na hora de mudar!
Só sabe o quê
o povo passa
é quem sente muito,
e carrego por ele
no meu coração
a vontade de não
parar por nada
e seguindo com
o maior amor do mundo.
Ainda não
aumentou
novamente,
Mas sei
que o povo
desmaia em
mil sustos
todas as vezes
que o salário
aumenta,
E da mesma
forma quando
recebe tropas
estrangeiras.
Não consigo
me conformar
em não saber
mais notícias
a respeito
do General
que está
enfermo,
E não saber se
ele encontrou
alguém para
o amparar.
Onde o povo
clama pela
defesa da
sobrevivência,
Foram recém
descobertas
conspirações
elétricas feitas
por gente servil
e de mil traições,
Sinto que em
breve serão
descobertos
os malditos
autores
de tantas
outras
complicações.
Não consigo
descansar
pois é ruim
sentir que
a injustiça
com o General
tem sido
imensa,
E o tempo
tem dado
no corpo
a doença
como
sentença.
Só peço
que alguém
tranquilize
ao menos
o povo
sobre tudo
isso que vem
acontecendo,
E para que
o receio não
crie raízes,
já que chegaram
as aeronaves
russas;
Despertei com
aquele aperto
no peito e mil
questionamentos.
Como faltou
água e luz
me transformei
em poesia
para não deixar
ao povo faltar,
Da mesma forma
assim sou quando
ao povo falta
pão e liberdade,
Sou aquela que
traz de volta
a Humanidade.
A vida do povo
tem sido triste
e sabotada
todo o santo dia,
ainda trabalham
pela volta da água
e da energia,
contando com
o apoio pela
estabilização
do fornecimento,
e eu sigo sem exagero
pela poesia porque
a recompensa
do poeta é a liberdade,
porque a minh'alma
indignada se encontra
presa com o General
que todos sabem
que é inocente
e com a tropa injustiçada.
Não escrevo como
o oficial que leu
o texto diante do
féretro do Comandante
porque ele e eu
sabemos o quanto
tem doído há muito
tempo essa despedida,
Dialogo diretamente
com a vida porque
o conjunto da obra
violou a lógica,
Não vou aceitar
que haja nenhuma
despedida porque
sou a reação quando
falta justiça,
e assim me recuso
a parar de falar.
Dizem que a luz
está voltando,
só não dizem
quando é que
a liberdade vai
voltar para o
seu devido lugar.
Não sei como
é que podem ter
acreditado em um
'chisme' de quartel,
e se rendido ao
papel de prender
quem nada fez
contra a Pátria,
não me permito
ficar conformada.
Não se prende
alguém só porque
meia dúzia usou
de acusação na fala,
Todo mundo sabe
que o General
está há poucas
horas de completar
um ano preso
sem ter feito nada.
Há alguma notícia
sobre os presos
nas duas siglas,
e assim segue
o silêncio brutal.
Nem um só
instante
nós dois não
esquecemos,
e não há um
dia em que
não paramos
de pensar
nos presos de
consciência,
e todos os dias
rogamos à Deus
que lhes dê
a resiliência
para o peso
que eles e
os deles têm
de suportar.
Falta tudo
e o pouco:
o perdão
e a reconciliação
para espantar
a escuridão
do coração.
Falta o quê
essencial
aos olhos,
ao peito
e tudo
aquilo
que está
impedindo
de trazer
a vida
de volta
para o
seu lugar
para
reconstruir
a Nação
de Bolívar.
É o abuso do absurdo
com o nosso coração:
os planetas dançam,
as horas passam,
eu não sei de nada
e você também não.
O mundo rodopia,
e nós sequer sabemos
dos presos políticos
detidos nas duas siglas
o quê sobra é a grave
e cruel silenciação;
a única certeza
que todos nós temos
é da plena escuridão.
Que venha a luz
e que acabem com
o silêncio de metal
que está sufocando
a minha poética de
um jeito sem igual.
Ainda a luz
não voltou,
e a liberdade
também não;
do cansaço
dos olhos
do General
não consigo
fingir que não
me atingiu,
pois a justiça
ainda não
o libertou.
Ah, Venezuela!
Se inteira eu
pudesse te
pôr no meu
colo como
se fosse uma
criança para
fortalecer
a esperança
que o tempo
ruim irá terminar.
Pediria para
fechar os olhos
não desistir
dos teus sonhos
e passava as mãos
nos teus cabelos
e diria baixinho
que a tempestade
irá em breve passar
Para entender
estes poéticos
relatos sobre
contemporâneos
e tristes fatos,
não basta ler
só nos jornais
é preciso saber
interpretá-los.
Há uma Nação
em desgaste,
e Forças que
não se entendem,
é necessário
uma reconciliação
mais do que urgente.
Na pessoa de um
inocente General
vou contando
a epopeia da Nação
da fronteira vizinha,
essa prisão contra
ele tem tudo o quê
a moral definha.
Quem sabe o quê
ocorre dentro
da vida militar
tem a ciência
que basta uma
vez discordar
para levar
a faixa de traidor,
foi o quê levou
à prisão este
General de nobre
coração e fiel andor.
A verdade triunfará
mesmo que dependa
que não olhemos
mais para trás;
ela é indomável
por mais que a
tornem represada.
O sangue do povo
originário derramado
não há como apagar,
A exaustão da tropa
e a desconsideração
com a fragilidade civil
não há como ignorar.
Ciente disso não
necessito lançar
nenhuma maldição,
Pois o destino não
nega à ninguém
a compensação,
por isso prefiro
a reconciliação.
O cansaço dos olhos
do General injustiçado
já faz parte dos meus,
e não há como apagar,
mas ainda há tempo
de colocar a verdade
no lugar e o libertar.
Não se
prende um
inocente
e leal
soldado
da Pátria,
não se
maltrata
o físico
de quem
em missão
a vida toda
ao povo
entregou,
e à ele nunca
se recusou.
É a epopéia
e indignação
de quem
sabe de
quem se
trata,
e tem
aleveza
que pela
liberdade
de quem
merece
não cruzou
os braços,
e a boca
jamais calou.
Não é
a primeira,
e nem será
a última
vez que
declaro
que da
trincheira
sou o último
soldado
mesmo que
ninguém
em mim
acredite,
sou a tal
poesia que
ultrapassa
a fronteira
mesmo
que se
encontre
fechada
para tocar
o coração
e pedir por
Humanidade.
Não há como
não lembrar,
daqui a pouco
faz um ano,
e não vejo
a glória
da justiça
fazer a tua
liberdade raiar.
Não há como
não lamentar,
a tua inocência
é conhecida
sem receber
alguma mão
estendida,
para fazer
a sua história
esclarecida.
Não há como,
não negar,
que no alto
deste onze
meses
de prisão
injusta
que há
mais uma
fenda
continental
na moral
de quem
da verdade
se autoexila.
Para a indignação
de insistirem
na tua prisão
meu caro General,
não há métrica
e nem rima.
No momento sou
o eco da voz
da venezuelana,
mesmo sendo
verso e memória,
não tão distante
quanto aparento,
mas próxima
o suficiente
para implorar
que corrijam
essa História.
Por mais que tentem
ocultar a imagem,
calar a voz
e lançar no limbo
do esquecimento,
ele está no coração
do povo e nem
o tempo tem
a condição
de apagar
que o General
pertence
ao Movimento.
Porque eu sou
aquela que na
lembrança dança
com o Comandante,
e o calendário só
reconhece o dia
quatro de fevereiro.
Não estou
de acordo
com o confisco
dos ativos
do petróleo,
não é assim
que se joga
o jogo matando
mais ainda
o povo sofrido.
Que se é para
matar que seja
a sede e a fome,
e não o povo
que até o girar
dos ponteiros
o consome;
porque esse
Deus da Guerra
não pertence
à Venezuela.
Sou poeta,
coração em
pleno agito,
quero que
me deem
conta do
General
e de cada
preso político.
Que se é para
libertar que
seja aqueles
que não
têm sangue
nas mãos,
que não
foram julgados,
e aqueles que
se encontram
há muito tempo
nos calabouços
da vida encerrados.
