Nao Consigo te Odiar
Não há nada mais idiota que um idiota querendo bancar que não é.
O mundo se divide entre os que acham e os que não sabem onde botaram.
O Brasil é o país mais maravilhoso do mundo. Mas o mundo não sabe.
Um mal necessário não é necessariamente um mal. E muito menos – necessário.
O verdadeiro silêncio não é a ausência de som, mas a presença devastadora de tudo aquilo que jamais ousamos dizer.
A fé é a loucura mais íntima: uma aposta silenciosa de que o abismo guarda, no fundo, um berço e não apenas a queda.
A solidão não é ausência de companhia: é a superabundância de um eu que já não cabe no próprio peito.
O tempo não passa: somos nós que nos esvaímos por entre os dedos do instante, como areia que nunca consentiu ser castelo.
Os deuses que não caminham conosco, nos desertos e nas noites sem resposta, são apenas ídolos do conforto.
A paz verdadeira não é a ausência de conflito, mas o repouso do espírito no meio do caos — como a flor que floresce sobre a pedra.
O exílio mais árduo não é o da terra natal, mas o de si mesmo — quando a alma se esquece do caminho de volta ao coração.
A vida não é uma linha reta, mas um sopro entre abismos — o segredo está em dançar, mesmo quando o chão vacila.
Toda civilização que esquece os seus mortos cava, com
silêncio e festa, a própria sepultura.
Não é o estrangeiro que a dissolve — é o vazio de
sentido que a torna permeável ao abismo.
Há dores que não gritam: se disfarçam em gentileza, se escondem no riso. A alma, como a pele, aprende a cicatrizar por camadas — mas nunca deixa de lembrar onde foi ferida.
A vida não pede que você a entenda — apenas que a escute nos intervalos do barulho. O sentido, se houver, talvez more nos sussurros.
O ciúme é o espelho cruel da nossa própria incompletude — não tememos perder o outro, mas descobrir que jamais nos possuímos. Cada crise é uma sessão de análise selvagem onde o inconsciente confessa: não é dele que tenho medo, é de mim.
