Nao Consigo te Odiar
Ainda que os sóis fenecessem e o firmamento se rasgasse em penumbra, meu afeto por vós não feneceria; pois jaz em mim como promessa lavrada em pergaminho e selada com o lacre do tempo idoso.
A solidão do espaço não assusta tanto quanto o ônus da escolha entre salvar o mundo e abandonar quem se ama.
De ti, restou-me o inebriante perfume da tua ausência — e as palavras não ditas, que o tempo, implacável, se levou antes que pudessem nascer.
Juro-te amor eterno, não pelo amanhã incerto, mas pelo instante em que teus olhos me revelaram a melodia de todos os meus dias.
Dizem que cedo demais me entrego,
que aceito as quedas como se fossem nada.
Mas não veem o campo que enfrento em silêncio,
nem a guerra travada na alma cansada.
Julgam-me fraco por não gritar ao cair,
por não sangrar em praça pública a dor.
Mas lutei — com dentes, com sonhos, com pranto
até a última chama do meu próprio ardor.
Travei batalhas que ninguém testemunhou,
no escuro, onde só o coração escuta.
E cheguei a um ponto tão alto, tão fundo,
que a vitória ou a perda tornou-se diminuta.
Resiliência é meu escudo, bravura meu chão.
Não preciso da glória estampada na testa.
Aprendi que há honra também na rendição,
quando a alma, mesmo ferida, permanece honesta.
Se não desejas-me como aliado, [não] lamento profundamente por ti, pois terás a mim como um potencial - e obstinado - adversário.
Mergulho no sangue que sai dos meus olhos já mutilados
Uma dor que já não cabe mais na alma e me afoga, me sufoca
Como a mão do próprio diabo espremendo meu pescoço para a sua limonada matinal.
A cura está dentro de mim? Talvez estivesse, antes dessa lâmina me dilacerar por dentro.
Se o inferno existe... é o respirar, é o levantar, é o falar, é o ouvir, é o viver. É acordar e querer dormir de novo. É esse grito enjaulado que NUNCA vai sair. São os pensamentos esmagando o meu cérebro Esse é o inferno
Com meu nariz franzido
e um torto lábio apertado,
não acredito nem vendo
e nem caminhando ao meu lado.
Prólogo do Livro MICROCUSPEs
PRÉ-CUSPE
Não sou poeta, não me chame assim.
Quando criança, na escola, uma professora de redação,
dessas que vivem de dar nota, me disse:
Vai, Kiko, ser gauche na escrita.
Quem me dera que meus cuspes fossem leminskiados.
Sinto inveja desse cachorro louco. Como é que ele consegue?
Nem se eu caetanasse o que eu escrevo...sairia um inutensílio.
Ponho R em Buarquer, Francisco Buarquer, pois assim me sinto mais
confiante. Posso ponhar à vontade, pois sempre acerto as crases
e dou rodopios nas mesóclises.
"Caro leitor, escrever-lo-ía com clareza, mas..."
mas (adoro conjunções adversativas),
mas... descubro
que
mais
importante
do
que
o
que
quer
ser
dito,
é
o
que
quer
ser
impresso.
Então, se tá feio, takai-me na ternura. Pra mim tá bão.
Não páro pra pensar mesmo.
(não páre o "pra" nem o "bão", muito menos "páre" este acento,
pois agudo já estou).
Apenas seleciono alguns versos, rimas tolas e pronto.
Por fora, um status quo de bestos textos.
Impressão preto & branco.
centímetros de largura.
pixels de altura. CMYK.
Sorriso de selfie e uma voz arnaldoantuniada dizendo
que o livro existe porque foi feito.
Por dentro, ah...interjeições....
Trago na Pessoa a suavidade em nada se dizer.
Grandes espaços em branco, Duncan to a canto.
Ainda acho que um louco vai pesquisar "neologismo" no Google.
Um desocupado, com certeza.
Um ocioso severo, caso de morte ou vida.
Me cubro de humanidade
irrespiro o brio do transparente
ignoro a qualidade,
mas sou gente. (já falei que adoro conjunções adversativas?)
Se o aluno não quer,
não adianta texto colorido,
professor palhaço,
nem o saber sabido fazendo estardalhaço.
Se o aluno não quer,
é sem giz,
é não aula.
O aprendizado dá no pé
e até o recreio vira jaula.
Não aguento escritor besta.
Diz que é assado, é assim.
Livro bom tem que ter uau.
Pegar o que eu sinto
e cuspir em mim.
Burrice não é a falta de um conhecimento específico. Um camponês de uma comunidade isolada pode não saber navegar na internet. Mas duvido que você saiba produzir alimento a partir da terra como ele. Burrice também não é separar sujeito e predicado por vírgula. Muita gente não entende isso e desvaloriza a opinião dos outros por não compartilhar dos mesmos padrões de fala. Burrice é quem menospreza o conhecimento, chegando a odiar quem o detém ou quem busca aprendizado. Burrice é encarar precoLeonardonceitos violentos como sabedoria. Essa burrice pode conviver bem no indivíduo, mas mata o futuro.
Meus amigos de verdade são uns gênios, pois eles percebem quando a pergunta não pede resposta. Eles apenas concordam, complementam e rimos.
- Viu, por que as árvores crescem para cima?
- Pois é, e as pessoas deitam.
