Não Consigo
Não sei me arrastar. Desculpa mas eu não sei. Não consigo passar por cima do que sou para satisfazer seu desejo de grandeza...Quer se afastar, se afaste. Quer ficar, fique. Ninguém deve se sentir atado á alguém. Somos amaldiçoadamente livres. E é essa liberdade que vai nos servir de consolo quando nada mais restar. Você terá ido. Eu terei virado fumaça. E de nós vai restar a risada, abafada pelo som da chuva no pára- brisas.
Conteúdo doentio
Eu não consigo evitar a força superior que me conduz até você. Não importa se você está distante ou se reprovo algumas ações tuas, o querer ultrapassa os meus próprios julgamentos, a minha vaidade projeta um reflexo distorcido da realidade produzindo o perdão involuntário, sinto uma necessidade que chega a doer o que demonstra todo o significado da minha indigna e desproporcional vontade de amar você.
Não consigo disfarçar
mais o meu sorriso,
Resolvi dar tom e forma
ao meu plano,
De te amar sem engano
e sem disfarce;
Porque é lindo o lábaro,
que emana de ti.
Respiro esse teu aroma
bárbaro e joaquino,
Maravilhosa e vana é a glória
de fazer-te(admirado).
Por presunção secreta
de que estás (apaixonado);
Entregue-se para mim,
que serás bem cuidado.
Não consigo parar,
de pensar em você,
Todo o dia é poeticamente
arquitetado,
Quero ser infinitamente tua - inteira;
E fazê-lo amoroso da forma mais perfeita, assumindo publicamente que estás enfeitiçado pelos poemas que são certezas.
Há duas metades e inteirezas
que formam uma ilha,
sabemos ser um mar de rosas
e mil carícias,
Há um desejo de exibir
ao mundo que nos amamos.
Desejamos matar os corações alheios de
- inveja e despeito -
Todo o dia sempre é perfeito:
para fortalecemos que nascemos
um para o outro;
E ainda bem mais do que isso:
não tem mais jeito,
(nós formamos o par perfeito).
O teu olhar de Gavião-real
capturou o meu amor,
e não consigo encontrar
nesta vida nada igual
que me pônha para flutuar
de maneira sobrenatural.
Pudim de Leite
Não consigo resistir
a ideia de resistir
ao que sinto por você
que me olha com
o olhar delicioso
de Pudim de Leite
convidando ao deleite.
A estrela não é mais de Natal
e fizeram dela um símbolo mortal,
não consigo fingir que não vejo
que o Natal vem sem adereços:
o Presépio foi bombardeado,
a manjedoura virou escombros,
a paz foi detonada e as crianças praticamente não existem
mais porque a guerra arrasa
tudo implacavelmente
o quê vê pela frente
e leva com ela para sempre
para não devolver nunca mais.
Não consigo
tergiversar,
Quando há
autoritarismo,
É recorrente
a lembrança
Do que corre
nas veias,
não vou virar
este capítulo.
Da semente
da rosa nômade:
Eis-me o espinho!
Falo de flores
no calabouço,
Tropas diluídas
e do sequestro
De um povo.
Como letra
do deserto,
Não calo
o verso
da estepe,
Sou poesia
florestal,
Não oferto
vida fácil
para quem
não merece.
