Nao Chega aos meus Pes
Atuar não é um trabalho. É vocação. É a coisa mais importante que uma pessoa pode fazer com a vida dela.
(Trevor Slattery)
É uma coisa maravilhosa. Não pensar muito. Me serviu bem, a maior parte da vida.
(Trevor Slattery)
O verdadeiro você não é a sua condição. O verdadeiro você é a soma de tudo que você vivenciou. A perda, a alegria. A tristeza, o desgosto. Perder alguém que você ama tanto. Desejar tanto algo, que poderia explodir. Ferir alguém que ama. Ser machucado por quem você ama. Essa é a sua vida. É quem você é.
(Trevor Slattery)
O trabalho de um ator não é conseguir trabalhos. Seu trabalho é atuar. Sempre tem uma maneira de atuar.
(Trevor Slattery)
Já me acostumei com sua imagem em minha cabeça, que não me deixa dormir à noite. É pra compensar o dia que não passei com você.
Hoje concluo: não foi o amor que me fez sofrer, foi o que eu esperei dele. Acreditei muitas vezes que a felicidade viria apenas quando eu estivesse totalmente feliz. Pensei que seria amizade só quando fizessem as minhas vontades e aceitassem de mãos beijadas os meus defeitos. Jurei que seria amor quando os olhos se cruzassem e não mais quisessem se separar. E também jurei acreditar que o amor de novela existia. Até entender... que pra ser feliz, basta eu fazer algo pequeno, mas que seja escolha minha, para eu ter a oportunidade de me culpar ou glorificar. Que pra ser amizade, eu preciso de um 'amigo espelho' para me dizer o que tem de errado em mim, em minha aparência, em meu caráter, sem medo da verdade, e principalmente sem medo de discordar dele. Porque muitas vezes o outro também quer desabafar e tem lá suas crises existenciais, e é bem mais fácil jogar seus defeitos naqueles que temos afinidades ou que estão por perto. Até entender que conviver com amigos requer abrir e fechar de mãos, mas nunca soltá-las. E entender que vida de novela é fantasia, e que vida real é a minha, e é dela que eu sempre deverei cuidar. Antes que o amor acabe. Antes que o dia termine. Antes que faltem palavras. Antes que seja tarde demais...
Relacionamentos tornam-se jogos quando não nos entregamos por inteiro, por mera desconfiança da reciprocidade. Confiar na lealdade, na fidelidade e até na idade! Tornam-se jogos quando não acreditamos na probabilidade do outro nos amar mais do que nós mesmos. Que feio! É como se duvidássemos da capacidade do outro de amar. Como se só a gente soubesse amar. Muitas vezes, a vontade de ligar no dia seguinte é sufocada pelas experiências passadas. A vontade de procurar é mensurada pelas malditas vezes que não nos procuraram. A atenção oferecida é ligeiramente abandonada só porque ainda não deram sinal de vida pra gente. O que nos mostra que sempre quando achamos que aprendemos com algo, na verdade estamos reproduzindo a dor da dor. Isso não é aprender coração, é sofrer novamente. Só espero que um dia a gente possa voltar a ser gente.
Que não percamos a fé nas pessoas, nos sentimentos, nas atitudes. Porque carecemos constantemente de brilhos nos olhos, produzidos pela esperança. Que possamos espalhar luz pelos caminhos, e que sejamos mestres em ensinar e aprender a renovar. E que o destino se encarregue de trazer ao nosso encontro nosso próprio interior, para que possamos distinguir os bons. Tem muita gente bacana no mundo... gente tesouro, eu diria, porque é cavando que a gente encontra.
De repente, bateu uma sensação de que hoje é um dia especial. Não por hoje ser hoje, nem por hoje ser mais um dia. Hoje é O Dia. O momento presente, aquele que não te oferece nada, mas que espera que você o oferte algo bom. Inúmeros sentimentos, todos espalhados sobre a mesa. Difícil decisão sobre qual desses presentes escolher e oferecer. Fiz um embrulho bonito, com laço verde mata, de cetim. Embalagem azul brilhante, feito céu. Dentro coloquei a fé, que ocupou quase todo o espaço. Ao redor, coube algumas sementes: sorrisos, amores, esperanças, verdades, gentilezas. E rezei baixinho, só pra Deus ouvir. Tudo feito, entreguei o presente ao meu Presente. E por incrível que pareça, tive a sensação de que uma criança no mundo sorriu.
Impossível não seria, se você soubesse me olhar nos olhos e enxergar amor transbordando em mim. De tão intenso, talvez eu não pudesse demostrar que adoraria te ter ao meu lado com aquele Para Sempre que aprendemos logo na infância. Tudo bem. De nada vai adiantar eu ficar fazendo careta pras outras pessoas que entram e saem da sua vida. Vou repetir: entram e saem. Já não acredito mais em paixão que anula, porque a partir de agora você me ensinou a amar. A me amar. E a dar um passo de cada vez, respeitando o tempo que me chama pra ser feliz sempre que sol aparece ou que uma nuvem paira no céu. Não estou abrindo mão desse amor bonito de saborear, gostoso de viver, e um pouco doído de sentir. Deixo a vida trazer os melhores presentes. E por saber que alguns presentes veem com defeito, te deixo voltar de onde veio, para que venha ser perfeito como jamais deixei de acreditar. Vá com Deus, ok? Não se esqueça que vou te esperar... só que agora pelo tempo que eu quiser.
Quem sabe esse tempo de espera não seja apenas um teste ou uma provação necessária para que eu perca meus medos infantis de ver um amor partir. Ou ficar. Aprender. Semear. Se amar. É nesse tempo sem alguém do lado que entendo que é preciso saber ser feliz sozinho. Porque quem não é feliz consigo mesmo, não é capaz de ser feliz ao lado de outra pessoa. Afinal, felicidade vem de dentro, não do outro.
Passei o dia inteiro sem lamentar sua ausência, e confesso que não vivia um dia tão longo desde os meus oito, dez anos. Olhava as horas fingindo que era apenas um ato rotineiro de alguém que tem tantos compromissos, tantos pensamentos, tantos sentimentos, que esqueci de me alimentar, sabe. Não, não foi culpa sua. Não, não quero pena. Foi só um dia um pouco sombrio, mas mantenha a tranquilidade, eu sei que o sol volta amanhã. Me acostumei tanto com a sua presença até criar uma convicção absurda de que você sempre andava comigo, mesmo distante, que eu havia me esquecido de como era saborear meus momentos sem um ponto exato de tentativa de um alcance, meio patético, admito, e que denominei amor. Está sendo bom essa distância, entende? Porque com ela aprendo a me virar, nem que seja pros lados, tentando encontrar vestígios seus. Você sabe, abandonar um livro, ou abrir mão de uma história, nunca foi meu forte. Mas a gente tem que reaprender a viver no mundo real, não era isso que você me dizia? Temos que aprender a 'fincar os pés no chão', mas acho que levei tão a sério que quis ser árvore, criar raiz, ter um lugar fixo ao seu lado. Nossa, como eu quis e sonhei com tudo o que vivemos, foi tudo tão intenso! Aí me desfaço, e me transformo numa árvore frágil e breve, tipo aquelas recém plantadas na porta da escola, e que os moleques não deixam criar vida, crescer, dar frutos. Mas estou bem, acredite. Você pode ter me ensinado a amar, mas também me ensinou a morrer, e eu só sei agradecer por isso. Porque morrer em vida, por dias, meses ou anos, requer sabedoria. Requer silêncio. Requer vontade. Requer elegância, charme, carisma, delicadezas. Escolhi uma morte discreta, confesso, mas de tão discreta que foi, escolhi a vida. Escolhi seguir em frente, voltar, viver outras histórias e deixar pra morrer outro dia. Você nunca mereceu meu fim, mas o meu melhor. Vivemos o melhor. Vai passar, talvez seremos amigos um dia e riremos de muita, muita coisa mesmo. Vou seguir meu caminho agora antes que o dia termine, meio torto, meio bobo, meio perneta. Ah, e aquele 'se cuida' tá de pé, viu? Tão de pé que agora faço algo que ninguém soube fazer: cuidar de mim... Assim como cuidei de você.
Simplifique sua vida: Se não estiver a fim de sair, atenda ao telefone e diga. Se não está bom, diga também. Se tiver algo acontecendo, seja honesto (pois no final, estará sendo mais honesto com você). Não chame um colega de amigo, nem tampouco vice-versa. Não confie em estranhos. Dê mais valor na sua intuição, e para além disso, desconfie dela. Use manteiga de cacau nos lábios em dias muito quentes ou frios. Não critique pessoas que estão surgindo em seu círculo social (aparências enganam e elas podem se tornar seu maior tesouro). Aprenda que suas exigências mudarão conforme a abertura de sua mente. Escute seus pais quando disserem "leve um guarda-chuva" ou "leve uma blusa de frio" ou "não vá". Não pergunte a uma criança se você está bonito quando você estiver de baixo astral. Não espere ser cortejado por alguém que te serviu somente para tapar buracos (pessoas percebem isso e mudam de atitudes para com você). Crie menos expectativas em relação ao outro (pessoas erram, esquecem, não percebem). Não queime o filme de ex ou amigo com quem ainda pretendes reatar laços. Não espere muito do final de semana ou feriados (boas surpresas adoram o acaso). Não deixe as coisas para a última hora, deixe para, no mínimo, faltando umas duas rs. Não mande e-mails ou mensagens contendo informações de terceiros, algumas pessoas podem usar isso contra você. Nunca esqueça sua identidade em casa. Desconfie arduamente das pessoas que tentam te distanciar dos velhos - e verdadeiros - amigos. Tenha mais cuidado com as palavras que usa para se despedir de alguém, podem ser as últimas de ambos. E por fim, opte por não viver programações: a vida foi feita pra ser mais natural.
Não tão rápido, nem tão fácil, muito menos prático como abandonar uma leitura nem um pouco interessante. Amor envolve mil e uma dores, quando não vivido até o fim. Até o último suspiro por um sentimento. Até esvaziar a última gota de sangue dos pulsos - metaforicamente, por favor. Até a mudança das nossas atenções. Se soubéssemos das bolas de neve em que entraríamos, não teríamos aceitado nem um mísero 'oi'. Mas, infinitamente, tá na hora de sair do papel de vítima. Parar de alimentar os pensamentos que nos tornam megalodramáticos, melancólicos, viciados em abstinência de endorfina. E mudar, nem que seja por um minuto, a música de fossa. Que a gente vive em um mundo de expectativas é lógico, embora a todo tempo esqueçamos. Não que gostemos de sofrer, cá pra nós, mas um bocado de sofrimento é como pimenta, diferentemente aproveitada pelos baianos ou pelos japoneses. Cada um sabe como tem que ser temperado, mas aquele velho clichê de que ninguém nasce sabendo é a mais besta verdade que já ouvi. Precisamos sofrer o ardume dos sentimentos pra só assim considerarmos valedor de pena ou não. E não admitamos que sofrer é natural, porque não é, não mais, não neste nosso zeitgeist. O espírito do momento é o prazer instantâneo, é suportar pouca dor, ou querem abrir mão da eficácia dos medicamentos? Eu quero! E não, não curto sofrimento, nem tampouco aquele provindo das palavras. Mas suporto. Sou resiliente. E creio que todos sejam. Quer uma dica? Elabore seus sentimentos. Suas vontades. Seus planos, suas perdas, seus sonhos, isso mesmo, no pronome possessivo "seu/meu". Elabore não, Reelabore, reinaure-se, renasça. E o "como?" é a frase mais mágica que encontrei em uma quinta-feira nublada de novembro. Não vou dizer que a vida é uma só. Que o tempo passa. Que morreremos. Não mais. Não direi que você é aquilo que você come, que você faz, e não o que você acredita. Precisamos de pouco, sabe... Um pouco que a cada dia se torne mais. Mais paciência ao ouvir. Mais amor ao falar. Mais coragem ao persistir, e ao desistir só aquela coragem que sobrar. Porque sou da geração que persiste porque quer, e depois não precisa culpar ninguém por isso. E que persiste no fácil e ignora o difícil. Essa ideia de que tudo que vem com facilidade se vai com facilidade não me contaminou. E a melhor que consegui produzir foi a de que tudo vai ser diferente se a gente quiser. Se a gente se esforçar. Se a gente acreditar. E o mais essencial, verdadeiro, óbvio, correto, e sei lá mais o que: se a gente fizer. Se a gente se levantar. Se a gente agir. Às vezes, a gente precisa sonhar pra descansar da vida. Mas se a gente não viver e deixar os sonhos descansarem, acho difícil sair do lugar onde tudo dói... até o amor.
Que o fato de ter de nos tornar pequenos para caber em algum lugar não interfira na consciência da nossa grandeza.
