Nao Chega aos meus Pes
Ser
Não quero ser importante para todo mundo.
Quero ser pedaço de manhã nos olhos de alguém.
Ser uma palavra descalça
que germina no quintal da alma alheia.
Tenho gosto de ir buscar o irmão
nas margens onde Deus esqueceu de fazer asfalto.
Levo uma enxada de escuta
e um naco de luz escondido no bolso da camisa.
Quando eu cair,
que seja pra virar raiz.
Pra florir em silêncio.
Ser espantalho.
Pra espantar a tristeza dos passarinhos,
me travestindo de abraço.
Devolver todo conhecimento emprestado.
Não quero ser grande.
Quero ser coisa pequena,
mas que saiba iluminar.
Porque vale a pena ser
quando a gente descobre
que Deus também gosta
de brincar de ser simples.
O Primeiro Ritmo
O coração é o primeiro.
Não a pele que nos defende,
não o rosto que nos denuncia,
não a ideia que nos inventa.
Antes de tudo, um músculo.
Trêmulo.
Errado de tão certo.
Bate.
Sem saber se há alguém ouvindo.
Lá no escuro,
onde o mundo ainda é silêncio,
ele se apressa em existir.
Compasso clandestino,
riscando o nada com vontade.
O coração começa sem ter endereço.
Sem saber se será aceito,
se haverá colo,
ou ao menos tempo.
Ele bate.
No vazio.
Como quem chama por um nome
que ainda não foi escolhido.
Descobri isso tarde.
Como se costuma descobrir o amor.
Antes do pensamento,
há o susto.
Há o sentimento nu,
sem dicionário,
sem licença.
Descartes quis começar pela razão.
Mas a razão já é medo.
Já é contenção.
Já é tarde demais.
Antes de sermos gente,
somos urgência.
Ritmo.
Vergonha de termos vindo sem convite.
Domingo é quando desaconteço.
Não me peça poesia — estou despalavrado.
Fico feito pedra que esqueceu de ser chão.
Aos domingos, todo meu rabisco é sem querer.
Investir em uma vida de conhecimento com disciplina e paciência é essencial. Não existem fórmulas mágicas ou atalhos para alcançar desejos sem prática e esforço. O sucesso é resultado de trabalho árduo, esforços diários e o uso inteligente de estratégias.
Sem voz, você não impacta. Como é o mundo para quem vive com surdez? Eles impactam todos os dias com esforços dolorosos.
Minhas lutas diárias causam incômodo a todos, mas não desisto. Não abandono os que estão quebrados; por isso, tento melhorar e ajudar a consertar. Entretanto, as barreiras aumentam, tentando reduzir minhas necessidades de acessibilidade.
Despedida de Mim
Canso-me dos sonhos que não alcanço,
Mesmo lutando, perco o balanço.
Não cuido de mim como deveria,
E a vida escorre, dia após dia.
Sou maravilhosa, disso eu sei,
Mas por que insisto em me perder?
Como uma despedida sem razão,
Vivendo migalhas, fugindo do chão.
É egoísmo, eu bem percebo,
Uma escolha que em silêncio aceito.
E o pior, no fundo, é saber,
Que só isso eu sei fazer.
Não sou muito fã de comer. É óbvio que sinto fome, mas perco a vontade de comer quando me falta motivação, quando estou magoada ou quando tento economizar dinheiro, seja tendo muito ou pouco. Infelizmente, minha magreza carrega dores escondidas, resultado de hábitos que adquiri na infância. Mas, pelo amor de Deus, isso não é culpa dos meus pais! Eles são muito maiores e melhores do que consigo imaginar. Não sei como fazê-los ainda mais felizes, assim como as pessoas que amo. Parece que nasci para omitir sentimentos e lutar por um equilíbrio na saúde.
Não consigo entender por que as pessoas importantes me amam, enquanto eu sinto que estou em depressão.
Meu mar doce,
represa-la?
Não posso.
És livre mar...
Navegantes?
Só os que permitiu,
mas
não há ainda quem
o desbrave.
És livre mar,
de
ondas curvilíneas,
poente de toda luz.
Povoa a mente dos homens,
morada do desejo.
És livre mar,
a ti, tenho
apenas
um pedido.
Afoga-me.
Abre asas,
Voa.. . .
Lembra que sem ti
Não haverá novas flores.
Voa.. . .
Poliniza.
Embeleze o céu
E os olhos de quem
Tem o prazer de vê-la.
Voa.. . .
Minha flor sem caule,
Borboleteia.”
Confessar até crianças confessam, assumir sem se engajar não é amadurecer. Aceitar consequências e criar novas rotas para a confiança é o que diferencia meninos de homens.
“A poesia é como amor, quando se revela não sabe se revelar, precisa ser percebida é preciso saber olhar.”
Abri mão das receitas
para não abrir mão mim. Quando
percebi minha vida passando
sem me mostrar quem sou,
Disse:
- Basta!
Hoje só fico onde exista amor.
Podem até sujeitar meu corpo.
Mas na minh’alma
nunca ninguém mandou.
Fiz pacto poético,
chega dos ofícios de horror!
Quando vi minha vida passando
sem reconhecer quem realmente sou,
Disse:
- Basta!
Hoje eu só fico onde exista amor.”
Com a face temperada de choro ele se despede enquanto abre a porta.
Não quer demonstrar tristeza ou fraqueza já que este era o último adeus.
Ele a ama e sabia que precisava abrir a porta para seu amor poder ir embora.
Ato mais nobre não conheço, abrir mão do objeto de seu amor para demostrar ao mesmo que continua amando...
Mal sabia que durante o próximo semestre praticamente deixaria de existir.
É mais fácil quando não sabemos a dor que podemos causar.
É mais fácil continuar quando é a gente quem vai embora.
A canção de quem fica é sempre a mais triste.
As memórias são mais difíceis de esquecer.
Ele ainda ama, por isso a porta continua aberta.”
“A grandiosidade nas ações de Deus não estão no fato dele morrer em nosso lugar, mas em viver em nosso favor.”
O “pão nosso de cada dia” não é uma oração que visa o pão como um bem próprio, mas, sim um pedido de socialização deste pão.
Um pão que não deveria ser só meu ou estar apenas em meu poder já que o pão e o pai, como diz na própria oração, deveria ser nosso.
Pedir apenas o pão de cada dia é uma denúncia clara que o Cristo é contra o acúmulo de bens.
A poesia promove o encontro entre homens e almas. Catequiza os corações religiosos, mas ainda não espiritualizados.
“Mãe tem o ventre que não cicatriza e o coração que não despeja, para que o filho sempre seja seu inquilino.“
