Nao Chega aos meus Pes

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QUEREÇÃO

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Você não é obrigada a querer o que eu quero. Também não sou obrigado a não querer o que você não é obrigada a querer, e por isso quer que eu não queira. Quero que fique evidente que não quero nada que deponha contra mim, querer... e que neste caso, é sem querer que eu quero o que você já nem quer querer.
Seja como for, muito obrigado. Foi um prazer querer o que você queria que eu não quisesse, para que o meu não querer se ajustasse ao seu, pois nosso querer ou não querer jamais seria o mesmo. No entanto, você só me quereria dentro dos contextos do seu querer.
Deu pra mim. Não deu. Quero sossego, embora sossego seja tudo que não quero neste campo, ou pelo menos queria não querer. Sobrou respeito, a respeito e despeito do que se quer, não quer, queira ou não queira que se queira ou não, de modo que o respeito nos recomenda o pior, que neste caso será o melhor para nós.

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CIDADÃO

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Entenda ou não,
não sou esquerda;
nem direita;
nem volver...
Sou cidadão
que não aceita
receita e seita
de viver...

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ARQUIVO MORTO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Um amor que não sei com quem usar,
porque já me cansou essa procura,
feito cura que agora me adoece
de sem dor e sem dar o que acumulo...
Quero alguém que meus olhos possam ver
dentro e fora, por todas as vertentes;
desde os dentes a todos os sentidos,
para ter uma história bem escrita...
Tenho amor nos meus poros, nos meus eixos,
na minh´alma e na caixa do meu peito,
neste jeito que até me desabona...
Mas não tenho a quem ter e ter certeza
de que valem as penas de uma troca;
cada riso e tristeza de uma vida...

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ABISMO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Não comemore tão prontamente, a sua separação do cônjuge mau caráter. Você há de perceber, no passar do tempo, a diferença - e o abismo - entre se separar e se livrar.

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CULTURA NÃO ATRAPALHA EDUCAÇÃO


Demétrio Sena, Magé – RJ.


Realizar um evento cultural sem a tutela dos projetos oficiais, os esquemas e planejamentos especificamente pedagógicos, numa unidade escolar, é uma verdadeira batalha, quando quem o faz não tem não tem lá seus prestígios. Arte e literatura em forma de exposição e espetáculo sempre foram muito temidas na educação, desde tempos imemoriais. Ainda hoje são vistas como reuniões de subversivos; de pessoas que podem "pôr caraminholas" na cabeça do jovem ou "coisa de gente que vive nas nuvens" e, por isso, nada tem a acrescentar de bom para moças e moços em formação. Só desvirtuá-los.
Naquelas escolas onde já se permite – apenas permite – realizar o evento cultural, sem a mínima oferta de suporte, apoio, e sem nenhuma representação por meio de pessoas da direção, do corpo docente, do quadro funcional como um todo, eventos artísticos e literários são coisas de "cantinhos". Os alunos locais devem se manter distantes, porque do contrário, "perdem conteúdo". Sempre perdem conteúdo, não importa que sejam eventos bem pontuais ou esporádicos, eivados de muito conteúdo transversal que alguns professores possam aplicar em suas aulas ou até usar esses momentos como aulas diferentes e desafiadoras para os seus educandos.
Cultura atrapalha a educação. Essa é a ideia pedagógica – e patológica – que se tem do que foge aos itens específicos e obrigatórios do ofício de ensinar, quando só é um ofício. Ensinar sem educar, ao contrário do que é propagado. Arte e literatura na escola, e ainda estendida aos alunos, só se tiverem natureza especificamente disciplinar. Se estiverem ligadas a datas comemorativas formalmente atadas ao PPP. Ou se, em último caso, forem determinadas isoladamente pelas secretarias de educação, as coordenadorias, os políticos locais ou quaisquer outras figuras poderosas. Assim não é subversão; não é empecilho nem vagabundagem, entre outras desqualificações encontradas direta ou indiretamente.
Também respeitados, e bem queridos pela escola, que até paga muito caro por eles, caso precise, são os famosos. Aí sim; os eventos nem têm que ser culturais. Basta serem divertidos, dançantes ou, inversamente, bem solenes. Neste caso, realizados por figurões repletos de títulos e com diplomas internacionais. Figurões enviados por órgãos superiores, e que tratam a todos com refinada arrogância, porque disso todos gostam, respeitam e recebem com tapetes vermelhos.
Não e não. Cultura não atrapalha a educação. Agrega. Especialmente quando se trata de cultura local. Quem faz cultura e a dissemina em sua cidade não deve ser tratado como uma figurinha que estende um chapéu e recebe um favor; um cantinho; uma aquiescência distante seguida da simpatia zombeteira de um, a grosseria disfarçada de outro e a mensagem silenciosa de "lamba os dedos; ai está o espaço e nos deixe em paz, porque temos mais o que fazer; estamos trabalhando".
Faz tempo que não condeno a distância ou a falta de interesse e atenção; a futilidade cultural e até a agressividade de grande parte dos alunos em ensinos fundamental e médio para quem oferece cultura, quando comparo esses comportamentos com os de quem os escolariza e, especialmente, os de quem dirige quem os escolariza. Os alunos realmente não têm culpa. Estão sendo escolarizados assim, exatamente como querem os políticos que mandam na educação, os cordeiros que obedecem porque "têm juízo" e não querem perder seus status, e dos que obedecem aos que obedecem, nem se fala.
A intenção clara ou obscura, consciente ou inconsciente dos educadores – e administradores – contra cultura é apenas uma: formar cidadãos que mais tarde "não perturbem" a paz dos governantes. Dos parlamentares que precisam se corromper e ludibriar o povo sem serem perturbados com ações de quem teve a mente aberta pela arte, a literatura e a cidadania desatreladas da obrigatoriedade fria, específica, impessoal e pedagógica reinante na escola.
Sou arte-educador. Um professor que trabalha com arte; literatura; cidadania. Designado pela Secretaria Estadual de Educação lá no governo Brizola, para disseminar cultura na escola em que sou lotado e tentar fazê-lo em outras unidades da rede pública. Isso não é nada fácil, porque nós, os arte-educadores, já não somos importantes na educação estadual; não utilizamos patente; não somos autorizados – nem queremos – a estender crachás nas demais unidades e dizer que lá estamos em nome dos mandatários da educação formal, que também nem se lembram de quem somos.
Por isto peço, e com muita humildade. Quando consigo, dou-me por satisfeito com as expressões simpaticamente contrariadas e sem graça, os espaços cedidos a contragosto, a ausência de representantes locais e a interrupção abrupta de algum funcionário que surge “brabo”, para dar bronca nos alunos formidavelmente ousados que foram participar ou assistir por conta própria, e por isso estão “perdendo conteúdo”.
A contracultura dos “donos” e diretores da educação, incutida gradativamente nos educadores (nem todos, pois muitos resistem), está vencendo os fazedores culturais não influentes; não poderosos; não famosos; não oficiais; não impostos. Tudo isso me faz reservar para daqui um tempo, a frase final de um célebre desabafo do saudoso educador, antropólogo, escritor e (até) político Darcy Ribeiro: “Eu detestaria estar na pele de quem me venceu”.

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FICAR SEM VOCÊ

Demétrio Sena, Magé – RJ.

A tristeza de alguém que faz gol contra,
não passou num concurso por um ponto,
quem caiu em um conto do vigário
quando mais precisou do que buscava...
Tenho a dor de sofrer uma injustiça,
de boiar numa porta em alto mar,
da noviça que acorda sem um Deus
para crer no mais turvo dos momentos...
Sem você sou país inabitado,
sou estado de sítio e de abandono
em um tempo esquecido por si mesmo...
Minha vida virou pagar pra ver,
sei viver mas não sei saber que sim,
pois ficar sem você é fim de linha...

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ATÉ QUANDO?

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Os que não fazem nem repetem tudo o que a direita manda, faz ou diz, fazem ou repetem tudo o que a esquerda diz, faz e manda. Quem odeia determinados jornais, emissoras, rádios e sites, desmentem tudo o que leem, ouvem e veem nessas mídias, e acreditam em tudo que as mídias opostas disseminam. Já os que odeiam as mídias opostas, acreditam em tudo o que elas difundem e em nada do que as mídias amadas pelos outros acreditam. É complicado, mesmo. Parece que ninguém abre mão das convicções não exatamente suas, mas de seus gurus.
Será que um dia teremos opiniões próprias, particulares, inteiramente nossas? Defenderemos ideias oriundas de nossas conclusões livres e desimpedidas? Até quando seguiremos às cegas, passo por passo, tudo aquilo que os nossos líderes creem, sentem, pensam e concluem por nós?

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NÃO DEIXE O TEMPO ESFRIAR

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Tem muita história por vir,
e muito a ir, muito amar,
chorar também é de praxe,
mas não se verta em seu pranto;
jamais engraxe o sofrer
para brilhar mais que o riso...
Há tanto mundo a ser visto
no exato instante ou além,
quer mundo afora ou em torno,
mantenha o forno aquecido
pra que o tempo não esfrie;
não desanime do tempo...
E tenha os olhos acesos,
ateie luz no destino,
pois sonhos presos não vingam;
sino extático oxida;
dias não pingam, entornam
nos intimando a viver...
tem muita vida por ter.

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ESSÊNCIA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Se você não deixar de ser quem é,
pode até repensar alguns conceitos;
ver algumas razões na outra margem;
os defeitos de sua perfeição...
Tenha fé ou não tenha, pouco importa,
troque a porta, permita-se a janela,
sem perder o sentido essencial;
a receita, o tempero do seu ser...
Não se largue ao tomar um novo rumo;
um olhar diferente não transforma
sua polpa, seu sumo e sua seiva...
Nem se deixe cortar pela raiz
e sangrar a verdade mais profunda;
ser feliz é jamais perder seu chão...

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JOGO DE POESIA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Sinto falta de alguém que não conheço,
do lugar que não sei nem onde fica,
trago a cica do fruto não sorvido
nem cheirado, e que nunca tive à mão...
Sou de muitas vivências não vividas,
tenho tantas verdades surreais,
muitas vidas num mundo construído
de concreto abstrato em chão de ar...
Quem me olha direito não me vê,
porque só a mais torta das loucuras
tem o dom de procuras eficazes...
Saio caro no quanto sou de graça,
pois domino a trapaça mais honrada
que na vida real se faz do sonho...

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AULINHA DE PORTUGUÊS

Demétrio Sena, Magé RJ.

Não é só questão
de língua portuguesa...
Quer as cartas na mesa?
Para dar um exemplo,
aqui vai um toque:
se a origem é o vento
prefiro ventaval,
porque vendaval
parece queima de estoque.

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ORAÇÃO DE POETA

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Que não falte poesia no meu pão
e meu corpo se cubra de poesia;
jorrem versos, despejem no vazio
a magia do verbo inquietante...
Nunca falte manteiga na minh´alma
nem estampa nos panos do meu sonho,
minha mente não perca suas ondas
onde ponho verdades pra dançar...
Nunca esvaia o tempero da palavra
ou a lavra de aromas auditivos
que a poesia oferece ao pensamento...
E não falte um olhar sempre apurado
para ver o que os olhos não veriam
no passado, no agora e no futuro...

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A ESCOLA E O TALENTO

Demétrio Sena, Magé – RJ.

A educação que a escola oferece não pode fechar os olhos para a cultura e o talento, seja ele nas artes, nos esportes ou nos ofícios, ainda que dissociados da formação acadêmica. A escola deve reconhecer que não se aprende a ter talento, embora ela tenha como ajudar no mesmo; e quando alguém se revela talentoso, boicotar ou demonstrar menosprezo a depender de sua formação intelectual ou cultura fere todos os princípios da educação.
Quando, por exemplo, menosprezamos o jogador de futebol, o MC, o DJ, o cantor de hip-hop ou de funk dotados de conteúdo relevante, só porque alcançaram sucesso e fortuna mesmo sem formação escolar, evidenciamos uma triste contradição: somos arautos e atores do futuro de nossas crianças e nossos jovens, da dignidade, a cidadania, o sonho, a liberdade, o sucesso pessoal, mas ao mesmo tempo execramos tudo isso, por haver faltado a “sagrada grade curricular acadêmica”.
Isso também revela o despreparo de uma classe que perde a classe por despejar suas frustrações com os governantes ou empregadores em quem buscou o sucesso por outros caminhos e o alcançou. Em um país onde a formação escolar é um calvário para os mais pobres, deveríamos ficar felizes pelos artistas, desportistas, prestadores de serviços, ambulantes, negociadores e afins que desafiaram a falta de oportunidades e arrombaram as portas informais do sucesso.
Valorizemos o talento e incentivemos o seu exercício entre nossos alunos, sem nenhuma cobrança ou atrelamento a notas, empenhos e desempenhos escolares. O talento, por si só, não atende a essa demanda. Devemos mostrar ao jovem talentoso que os estudos o ajudarão a lidar melhor com o sucesso e seus resultados perante a sociedade, mas não conseguiremos convencê-lo de que sua arte ou seu ofício livre não sobreviverá sem a escola.
Cultura, educação e talento se fortalecem de mãos dadas, mas respeitemos os fenômenos. Os que venceram de maneiras informais, inusitadas e até solitárias. Foram aprovados pelo mundo, ainda que reprovados por nós. O respeito nos representa melhor... bem melhor do que o despeito que às vezes assola nossa humanidade nem sempre imune aos sentimentos menores advindos de tantas injustiças contra o educador.

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POETA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

O poeta bem sabe
que o corpo da alma
do poeta, em si,
não é o mesmo corpo
do qual a alma
é a alma daqui...
Somos doutro planeta,
temos outro prazer
e outra meta...
O poeta não come;
não tem sede nem fome
nem toca poeta.

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QUANDO CAIO EM MIM

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Caio em mim quando penso que voo mais alto;
não há céu que sustente a pretensão do ser,
nem há palco pra todos os egos do mundo
espremidos no peito da mesma pessoa...
Quando caio me arrasto e me vejo no espelho
dessa mesma verdade que a todos rodeia,
numa teia mais forte que todas as grades
detentoras ferrenhas de olhares em fuga...
Solidão predadora nos acha e traslada,
não importa em que festa nosso eu se oculte,
quanto fogo se avulte na soberba humana...
Tudo mostra meu nada quando caio em mim;
vou ao fim dessa história que julguei escrita
e começo de novo pra novo errar...

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QUESTÃO DE CARÁTER

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Alguns desejos perniciosos não atendem à demanda humana de caráter. Nestes casos, o que determina o caráter é o que a pessoa faz do que sente. Em outras palavras, é a escolha entre ser a própria vítima ou fazer vítimas dos próprios desejos.

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CURTO E GROSSO

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Para não me ligar,
nem me plugue.
Se não vai me prender,
não me cace;
não me julgue.
Ou não vai me pastar,
sequer cheire;
sequer sugue.
Se não for me gastar,
nem me use;
não enrugue.
Você nem me molhou,
não espume;
não enxágue;
não enxugue.
Se não vai me comprar...
não me alugue.

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IDENTIDADE

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Mostre a cara, seu rosto não me basta,
porque rosto é fachada; fantasia;
é a pasta que oculta o seu arquivo
de verdades que o mundo quer saber...
Lá no fundo está sua identidade,
torne-a viva no espelho de seus atos,
no caminho escolhido pelos sonhos
e nos tratos diários com a vida...
Deixe os olhos falarem de su´alma,
seu avesso é que veste seu caráter,
é a palma da mão para se ler...
Sua história está dentro dessa capa;
não há napa que possa disfarçar
um estofo que os ratos corroeram...

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REFLEXÕES INTERPESSOAIS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

A resposta convincente é sim ou não. Silêncios, talvezes e tangentes não servem como afirmações adjuntas para quem espera definições seguras. Utilizar esses recursos intermediários é covardia de quem quer dizer não, mas de uma forma que lhe permita dizer que não o fez, quando já for desnecessário dizer sim.
...

Eu queria um país laico; livre. Sem chibatas religiosas ou troncos denominacionais. Nem senhores, capitães do mato, feitores e traficantes da fé.
...

Birra não é sinônimo de personalidade forte nem frieza significa equilíbrio.
...

Tenho cara de bobo... mas quem acha que sou mesmo bobo, está completamente certo.
...

Não dê ao mau pagador que lhe deve pouco, a chance de além de não lhe pagar, dar explicações que aliviem a própria consciência e façam pesar a sua. Dê a si mesmo a chance de puni-lo com seu silêncio acusador e indefensável. Sobretudo, presenteie-se com a certeza de que esse, nunca mais o incomodará.

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SOBRE O NÃO SOBREMORRER

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Descobri que não tenho temor da morte. Meu medo é de não viver, apesar de vivo... ou de não morrer simplesmente por já estar morto.
Que o destino me livre de ser não sendo. Ir não indo. Estacionar no cais do nada; no porto inseguro do comodismo existencial. Da satisfação de crer que basta esperar o que já chegou e passou pelo meu fim. Chegar ao fim do fim e não conseguir fechar a conta.
Morrerei, certamente. Mas quero morrer vivendo; não morrer já estando (in)devida e veladamente morto.

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