Nao Chega aos meus Pes
CATAPULTA
Muito menos que uma vítima
Talvez seja um predador
Não importa mais a crítica
Bem mais vale o amor
E sem pretender perdão
Procurando uma desculpa
Desamarra esse cordão
E liberta a catapulta.
VIDA MUNDANA
É tamanha a artinhanha
Dessa vida que é mundana
Com tantas severidades
Não importa qual idade
Mais vale é estar junto
E quando tudo no mundo
Darias por um minuto
Prum carinho diminuto
Será tarde num segundo!
CLEMENTE
Mas é uma peleia ingente
Nesse torrão conturbado
Não se pode andar pra frente
Ancorado no passado
Viver o tal do presente
Desimporta qual o fardo
Chacoalhar o corpo e mente
Sem ficar apavorado
Campereando persistente
Pra se fazer melhorado
Nessa busca intransigente
De aplainar o errado
Num exercício clemente
Que jamais será encerrado.
NÃO É DO MEU TAMANHO
Peguei emprestadas as vestes da ingenuidade
Ficaram meio apertadas: não adianta forçar!
Tentei me fazer de besta pra não ver a maldade
Não é confortável e não tem como disfarçar
Aceitar tudo inerte não pode virar a moda
Prefiro ser demodê não transigindo o meu ser
É preciso um corte severo como quem poda
Fazendo novos recortes pra vestir o aprender!
PRUDÊNCIA
Quando carente tudo atropela
Não pensa e nem vê a sua indecência
E nem um remendo há de servir
Na explosão sempre há falta dela
Na reflexão matiz de prudência
Pintando a sabedoria de agir.
DERRETENDO
Não há o que escrever no fim da noite
Todas as ideias estão sob açoite
E nem mesmo com a chuva a cair
Não irá irrigar um novo sentir
Então por isso há que ser muito breve
Urso polar tão branco quanto a neve
E na escura geleira da consciência
Brecha de luz aquecendo transparência!
BALANÇA MAS NÃO CAI
Desequilíbrio não traz fiança
Alguns pesos fazer despedida
Para suavizar a disparidade
Temperando a eterna ambivalência
Não é fácil tarar a balança
Cada um tem a sua medida
Em sopesar as prioridades
No fiel da própria consciência.
ENTREABERTA
Quem disse comigo ninguém pode
Que a vida não é só pagode
Mal sabe o ronco do pandeiro
E que faz vibrar o mundo inteiro
Santa egrégora a retumbar
Muitas mentes a titubear
Ficam esperando a hora certa
E nem sempre a porta é entreaberta!
APUROS
E quando você está em apuros
Em ponta de faca não dê murros
Faça tua estrada render juros
Rompa a barreira e quebre o muro
Para bem flertar com teu futuro
O melhor de ti porto seguro!
ATINO
Várias coisas abomino
Que não sejam meu destino
Continuo um peregrino
Esperando ouvir o sino
Cujo som eu procrastino
Que desperte para o tino
Sob a luz de algum ensino
A mim mesmo sabatino
Em resposta aos desatinos
Experiências aglutino!
APONTAMENTOS
Aponto nos outros o que não tenho
Muita coragem é como me atrevo
Dedo em riste o "correto" eu desenho
E vou esquecendo os erros que devo.
GARGALO
Que bobagem ser perfeito
Para os erros não se aluda
O gargalo é bem estreito
E a vaidade em nada ajuda.
MUSICISTA
Tantos estampidos
Harmonia envido
Assim não revido
É assim que vivo
Problema solvido
Com amor provido
Música ao ouvido.
EXCESSO
Perdoe algum excesso
Por vezes eu não meço
Nem sei o que mereço
Por vezes eu tropeço
E comigo eu converso
Descarrego em meus versos.
QUEBRA-CABEÇAS
Vêm horas que o tempo não passa
E noutras tantas ele voa
Feliz ou triste ele arrasta
Quebra-cabeças vida à toa
Em cada etapa peça engasta
Que te molde melhor pessoa!
NOTÍVAGO
Não nasci pra ser notívago
Nas penumbras armadilhas
Por mais clareza de Sol
Que é verdadeiro Mago
Com sua firmeza de quilha
Cortina da noite apago.
