Nao Amplie a Voz dos Imbecis
Não há espaço para a Arrogância nas fileiras silenciosas e gélidas de parede e meia dos cemitérios.
Onde todos se nivelam por baixo, em barraquinhos tão pequenos e cheios de nada.
Ali, onde o mármore já não distingue o rico do pobre, o poderoso do anônimo, o aplaudido do esquecido, toda vaidade parece uma espécie de piada contada diante da Eternidade.
Os títulos ficam do lado de fora.
As posses não atravessam sequer os portões.
O orgulho não encontra lugar para se acomodar entre quatro paredes tão estreitas.
Diante dos túmulos, a vida parece revelar sua verdadeira proporção.
Aquele que passou anos só acumulando bens termina com quase nada.
Aquele que se julgava indispensável torna-se só ausência.
A voz que tantas vezes ordenou, silencia.
As mãos que apontavam caminhos já não apontam para lugar nenhum.
E o nome, antes pronunciado com respeito ou temor, pouco a pouco se transforma em uma inscrição sobre a pedra, sujeita ao tempo, à chuva e até ao esquecimento.
É muito estranho pensar que passamos a vida inteira disputando espaços: espaço nas empresas, nas famílias, nas rodas de influência, nas vitrines sociais e até nos pensamentos dos outros.
Queremos ser vistos, reconhecidos, lembrados.
Construímos muros para separar o que é nosso do que pertence aos outros e, muitas vezes, gastamos a existência inteira tentando provar que somos maiores do que alguém.
Mas basta visitar um cemitério para perceber a inutilidade de tantas disputas.
Ali, nas terras silenciosas e gélidas, ninguém ocupa uma suíte.
Ninguém leva o veículo para dentro.
Não há cofre, diploma, medalha ou conta bancária.
Não há seguidores, aplausos ou plateias.
Há apenas profundo silêncio.
E, diante dele, a humanidade inteira parece caber na mesma medida.
Talvez os túmulos sejam uma das mais duras e espinhosas aulas de humildade intelectual que a vida oferece.
Eles nos lembram que somos passageiros, apesar da maneira como, tantas vezes, vivemos como se fôssemos proprietários do tempo.
Lembram-nos que o corpo que hoje se veste de vaidade amanhã dependerá apenas da memória daqueles que ficaram.
E que, no fim, a pergunta mais importante talvez não seja o quanto acumulamos, o quanto juntamos, mas o quanto espalhamos.
Porque há mortos que não morrem jamais, e há outros que morrem sem jamais terem vivido.
Os que não morrem jamais, vivem nas histórias que alguém conta, no conselho que alguém repete, na saudade que aperta o peito, no gesto de bondade que aprendemos com eles.
Há pessoas que partiram há décadas, quiçá séculos, mas ainda ocupam lugares enormes no coração de quem teve a graça de conhecê-las.
E talvez essa seja a única grandeza que mereça ser perseguida: não a de possuir um túmulo maior, mas a de deixar uma lembrança muito maior do que ele.
No cemitério, todos parecem pequenos.
Na memória e no amor de quem fica, alguns conseguem permanecer imensos.
Por isso, antes de olhar para alguém de cima, talvez devêssemos visitar um túmulo.
Antes de alimentar a arrogância, lembrar que a eternidade não se impressiona com nossos títulos e posses.
E, antes de desperdiçar a vida tentando parecer superior, compreender que, quando tudo termina, não importa a altura do pedestal que construímos.
Importa aquilo que fomos quando ainda havia tempo para ser.
Porque, no fim das contas, a morte não nivela apenas os corpos.
Ela desmascara as vaidades.
Com tantos Dizeres Rasos, alegoricamente vestidos, o que não falta é quem os confunda com Profundidade.
Há frases que chegam ornamentadas de palavras difíceis, metáforas grandiosas e uma certa solenidade de quem parece ter descoberto alguma verdade escondida.
São pensamentos que se apresentam com a pompa das grandes ideias, mas que, quando despidos dos enfeites, pouco ou nada têm a dizer.
Talvez este seja um dos principais vícios do nosso tempo: confundimos complexidade com profundidade, eloquência com sabedoria e impacto com conteúdo.
Basta uma frase enigmática, uma pausa calculada ou uma imagem suficientemente bonita para que muitos enxerguem nela uma profundidade que nunca existiu.
A Verdadeira Profundidade, porém, muito raramente precisa anunciar-se.
Ela não depende de palavras rebuscadas, nem de uma aparência intelectualizada.
Às vezes mora justamente no simples — numa pergunta incômoda, numa dúvida honesta, numa ideia que nos obriga a rever aquilo que julgávamos saber.
Porque Profundidade não é aquilo que nos faz parecer inteligentes aos olhos dos outros; é aquilo que nos torna menos ingênuos diante de nós mesmos.
Há pensamentos que impressionam por alguns segundos e desaparecem com a mesma velocidade.
Outros permanecem em silêncio, trabalhando por dentro, incomodando certezas, deslocando perspectivas…
Os primeiros podem ser brilhantes na aparência.
Os segundos têm a rara capacidade de nos transformar.
Talvez seja urgente e necessário, portanto, aprendermos a desconfiar um pouco mais das frases que parecem profundas demais para serem questionadas.
Nem todo abismo é profundo; às vezes é apenas escuro.
E, numa época em que tantos disputam a atenção através de palavras cada vez mais vistosas, talvez uma das formas mais discretas de inteligência seja perguntar: há realmente algo por trás do que está sendo dito, ou é apenas uma bela maneira de não dizer coisa alguma?
No fim, a Profundidade não está no tamanho das palavras, mas na dimensão das perguntas que elas são capazes de despertar.
Talvez os mais infelizes não sejam os que se acham Cheios de Verdades, mas os que acreditam neles.
Porque há algo de perigosamente sedutor em sentir-se dono de uma certeza — ainda que fabricada.
Deve ser muito confortável…
Organiza o mundo, simplifica os conflitos, elimina dúvidas incômodas.
A verdade, quando vendida como produto acabado, quase sempre vem embalada com promessas de liberdade, paz e segurança — e muitos a compram sem perceber o preço oculto: a renúncia ao questionamento.
Os que se acham Cheios de Verdade, ao menos, ainda revelam um excesso visível — quase um transbordamento que denuncia suas fragilidades.
Mas os que acreditam cegamente neles… esses se tornam território ocupado.
Já não pensam a verdade; são pensados pelos donos dela.
Já não dialogam; defendem.
Nem escutam; reagem.
E é aí que mora o risco mais silencioso: quando a verdade deixa de ser caminho e passa a ser trincheira.
Os donos da verdade sempre existiram — e, infelizmente, sempre existirão.
Mas os vendedores são ainda mais sutis.
Eles moldam narrativas, oferecem respostas rápidas para perguntas complexas, e distribuem certezas prontas para mentes cansadas de duvidar.
Não impõem: convencem.
Não obrigam: confortam.
E, assim, vão povoando as cabeças abandonadas à própria sorte e o mundo com convicções que não nasceram da reflexão, mas da conveniência.
Talvez a verdadeira lucidez esteja menos em possuir verdades e mais em saber conviver com as perguntas.
Em entender que a dúvida não é fraqueza, mas movimento.
Que mudar de ideia não é incoerência, mas maturidade.
E que toda verdade que não suporta ser questionada carrega, em si, o germe da manipulação.
No fim, não são as certezas que libertam, pacificam e protegem — são os olhares inquietos.
Porque quem acredita demais em uma única verdade corre o risco medonho de nunca mais se permitir enxergar qualquer outra.
Que a nossa Criança Interior não pode morrer — é um fato; que ela não pode matar a Criança dos outros — é outro.
Há uma certa beleza em conservar dentro de nós a capacidade de brincar, sonhar, acreditar, rir de coisas simples e se encantar com o que a vida, aos poucos, vai tornando comum.
Crescer não deveria significar abandonar completamente a criança que fomos.
Talvez amadurecer seja justamente aprender a carregá-la pela mão.
Mas existe uma diferença entre preservar a nossa criança interior e permitir que ela governe todas as nossas escolhas.
Porque a criança que existe em nós também pode ser ferida, carente, impulsiva, possessiva…
Pode querer tudo para si, não saber ouvir um “não”, confundir desejo com direito e liberdade com ausência de limites.
E, quando deixamos que essas feridas conduzam nossas atitudes, corremos o risco de transformar nossas dores em feridas para os outros.
É aí que a reflexão do Dia das Crianças ganha um sentido ainda maior.
Não basta dizer que amamos crianças.
É preciso perguntar que mundo estamos construindo para elas.
Que palavras estamos ensinando?
Que exemplos estamos oferecendo?
Que tipo de adulto estamos sendo diante de seus olhos?
Uma criança aprende muito mais com aquilo que presencia do que com aquilo que lhe ordenamos ou ensinamos.
Ela aprende quando vê um adulto pedir desculpas.
Aprende quando percebe que uma diferença não precisa virar desprezo.
Aprende quando testemunha respeito, generosidade, honestidade e limites.
Mas também aprende quando vê humilhação, intolerância, mentira, violência e pessoas usando sua própria dor como justificativa para ferir alguém.
Por isso, talvez preservar a criança interior seja também assumir a responsabilidade pelo adulto que nos tornamos.
Que nunca percamos a capacidade de brincar, mas que aprendamos a não brincar com os sentimentos alheios.
Que continuemos sonhando, sem destruir os sonhos de ninguém.
Que tenhamos coragem de defender nossa criança interior, sem transformar nossas frustrações em condenação das crianças que estão chegando.
Porque cada criança que nasce traz consigo uma possibilidade: a de que o mundo seja um pouco diferente amanhã.
E talvez nossa maior obrigação não seja apenas impedir que a criança dentro de nós morra, mas impedir que ela se torne tão ferida, tão egoísta ou tão amarga que passe a matar, nos outros, aquilo que um dia também tivemos: a esperança.
Feliz Dia das Crianças — às que ainda brincam, às que já cresceram e, principalmente, aos adultos que não se esqueceram de que toda criança merece encontrar um mundo um pouco mais gentil do que aquele que encontramos.
Sem o avanço exponencial do Fanatismo, talvez a Instrumentalização Religiosa não tivesse tanto Palco
ou Plateia.
Há uma verdade muito incômoda nessa provocação: nenhuma Instrumentalização Religiosa prospera sozinha.
Ela precisa de um ambiente em que a fé tenha sido suficientemente capturada pelas paixões, pelos medos e pelas certezas absolutas para que Deus deixe de ser o centro e passe a funcionar como argumento.
O fanatismo não é simplesmente uma fé intensa.
Fé e fanatismo podem até usar as mesmas palavras, mas caminham em direções totalmente opostas.
A fé madura conduz à humildade; o fanatismo conduz à convicção de que somente nós, nosso grupo ou nossa causa possuímos a verdade.
A fé reconhece o mistério de Deus; o fanatismo transforma Deus em propriedade particular.
A fé se deixa corrigir pela verdade; o fanatismo transforma qualquer crítica em perseguição.
É nesse terreno infértil que a Instrumentalização Religiosa encontra seu palco.
Quando uma pessoa deixa de perguntar “o que Deus exige de mim?” e passa a perguntar apenas “como posso usar Deus para legitimar aquilo que já decidi?”, a religião corre o risco de deixar de ser caminho de transformação para tornar-se ferramenta de poder.
A Bíblia é profundamente crítica a esse tipo de apropriação.
Os profetas denunciaram repetidamente uma religiosidade que mantinha ritos, discursos e aparências enquanto negligenciava justiça, misericórdia e verdade.
O Cristo também confrontou religiosos que honravam a Deus com os lábios, enquanto o coração permanecia distante.
Talvez essa seja uma das grandes tragédias espirituais do nosso tempo: não é que Deus tenha desaparecido do Discursou Público.
Pelo contrário.
Deus é frequentemente citado, invocado, defendido e utilizado.
O problema é que podemos falar muito sobre Deus e, ao mesmo tempo, revelar muito pouco d'Ele.
Há uma diferença enorme entre testemunhar a fé e utilizá-la como instrumento.
Quem testemunha a fé procura encarnar aquilo que anuncia.
Quem instrumentaliza a fé procura fazer com que aquilo que anuncia sirva às suas agendas ocultas.
Um, busca coerência; o outro, eficácia.
Um aceita perder privilégios por fidelidade ao Evangelho; o outro adapta o Evangelho para não perder privilégios.
E talvez seja justamente aí que o fanatismo se torna perigoso: ele oferece ao indivíduo a confortável sensação de estar lutando em nome de Deus, quando, na realidade, pode estar apenas santificando os próprios desejos.
O fanático não precisa necessariamente abandonar a religião.
Às vezes, ele se torna ainda mais religioso — mais barulhento, mais combativo, mais indignado, mais disposto a defender símbolos.
Mas a pergunta teológica essencial permanece: que Deus está sendo defendido?
Porque o Deus revelado em Jesus Cristo não parece interessado em conquistar consciências pela violência da imposição, nem em transformar adversários em inimigos absolutos.
Ele se aproxima dos feridos, acolhe os pecadores, confronta os poderosos, denuncia a hipocrisia e chama seus discípulos a amar até mesmo aqueles que pensam de maneira diferente.
Por isso, quando a fé produz ódio permanente, talvez seja necessário perguntar se ainda estamos diante da fé ou diante de uma ideologia religiosa.
O problema não está apenas nos que instrumentalizam a religião.
Está também em nós, quando entregamos nossa consciência ao grupo, quando confundimos fidelidade a Cristo com fidelidade a uma liderança, quando transformamos opinião em dogma e quando aceitamos qualquer discurso, desde que ele venha acompanhado de uma linguagem religiosa.
A Instrumentalização precisa de palanque, mas também precisa de plateia.
E talvez a responsabilidade cristã comece justamente quando deixamos de ser plateia.
Uma fé intelectualmente responsável não teme perguntas.
Uma Espiritualidade Saudável não precisa fabricar inimigos para sobreviver.
Uma consciência iluminada pelo Evangelho não precisa demonizar o outro para afirmar a própria identidade.
No fundo, a grande questão não é apenas quem está usando a religião.
É também porque permitimos que nossa fé seja usada.
Talvez seja tempo de recuperar uma espiritualidade menos apaixonada por guerras culturais e políticas, e mais apaixonada pela verdade; menos preocupada em vencer discussões e mais comprometida em praticar justiça; menos interessada em controlar o outro e mais disposta a converter a si mesma.
Porque, quando Deus se torna instrumento das nossas paixões, já não estamos colocando nossas paixões a serviço d'Ele.
E essa inversão talvez seja uma das formas mais sofisticadas de idolatria: não negar Deus, mas colocá-lo a serviço de nós mesmos.
Só não somos mais felizes porque queremos ser mais felizes que os outros — e eles não são tão felizes quanto demonstram.
Talvez uma das principais armadilhas da felicidade seja transformá-la em competição.
A gente olha para a vida do outro e imagina que ele chegou a um lugar onde nós ainda não conseguimos chegar.
Vemos a viagem, o sorriso, a casa, o relacionamento, o sucesso, as conquistas… e, sem perceber, começamos a medir a nossa vida pela régua de uma realidade que conhecemos apenas pela aparência.
Queremos ter mais.
Viver mais.
Conquistar mais.
Ser mais admirados.
E, principalmente, queremos que a nossa felicidade seja maior do que a felicidade de quem está ao nosso lado.
Mas existe uma ironia nisso tudo: muitas vezes, estamos competindo para vencer uma disputa que ninguém realmente está disputando.
Porque quase ninguém mostra suas inseguranças na mesma proporção em que mostra suas conquistas.
Poucos fotografam a solidão, a dúvida, o medo, as noites mal dormidas, os conflitos dentro de casa ou o vazio que aparece quando todos vão embora.
A vitrine quase nunca revela o estoque verdadeiro.
Talvez aquela pessoa que você imagina ter uma vida perfeita também olhe para você pensando que a sua vida é melhor que a dela.
E assim passamos boa parte da existência desejando a felicidade que imaginamos que os outros possuem, enquanto eles fazem exatamente a mesma coisa conosco.
É um desperdício silencioso.
Porque a felicidade deixa de ser uma experiência e passa a ser uma comparação.
Se o outro tem, eu preciso ter também.
Se o outro viajou, preciso viajar.
Se o outro prosperou, preciso prosperar mais.
Se o outro parece realizado, preciso provar que também estou.
E, nessa busca, esquecemos uma coisa essencial: felicidade não é um pódio.
Não existe primeiro lugar.
A felicidade de alguém não diminui a nossa.
O sucesso do outro não é um fracasso nosso.
A beleza de uma vida diferente da nossa não torna a nossa vida menos valiosa.
Talvez sejamos mais felizes quando deixamos de perguntar:
“Estou melhor ou pior que os outros?”
E começamos a perguntar:
“Estou vivendo de acordo com aquilo que realmente importa para mim?”
Porque, no fim, a vida não precisa parecer extraordinária para ser profundamente boa.
Às vezes, felicidade é uma conversa sem pressa...
É ter alguém para ligar.
É dormir em paz.
É poder voltar para casa.
É rir de coisas simples.
É não precisar provar nada para ninguém.
Talvez a verdadeira liberdade seja justamente essa: não precisar que a nossa vida pareça melhor do que a vida de ninguém.
Quando paramos de competir pela felicidade, descobrimos que já havia muito dela por perto.
E talvez seja esse o paradoxo:
Não somos infelizes porque temos pouco.
Muitas vezes, somos infelizes porque olhamos demais para o que os outros parecem ter.
No dia em que compreendermos que quase todos estão apenas tentando parecer bem enquanto enfrentam suas próprias batalhas, a comparação perde força.
E sobra espaço.
Espaço para agradecer.
Para viver.
Para ser quem somos.
Sem plateia.
Sem disputa.
Sem precisar ser mais Feliz que ninguém.
A Verdade só se revela àqueles que ainda têm Humildade Intelectual suficiente para não possuí-la por completo.
Há uma ironia muito profunda nessa afirmação: quanto mais alguém acredita ter compreendido definitivamente a realidade, menor tende a ser sua disposição para continuar aprendendo sobre ela.
A Verdade, talvez, não seja uma propriedade que conquistamos, mas um horizonte para o qual devemos caminhar.
Podemos nos aproximar dela, reconhecer fragmentos, corrigir equívocos, ampliar perspectivas — mas dificilmente encerrá-la nos limites estreitos das nossas próprias certezas.
A Humildade Intelectual começa justamente quando percebemos que inteligência não é a capacidade de ter respostas para tudo, mas também a coragem de reconhecer as perguntas que ainda não sabemos responder.
O problema não está em possuir convicções.
Todos precisamos de princípios, ideias e referências para orientar nossas escolhas.
O problema começa quando transformamos nossas convicções em fronteiras: quando deixamos de examiná-las, quando passamos a confundir discordância com ignorância e quando tratamos aquilo que pensamos saber como se fosse a própria realidade.
Há uma diferença enorme entre dizer “é assim” e dizer “até onde compreendo, é assim”.
A primeira frase pode encerrar uma conversa.
A segunda mantém aberta a possibilidade de descoberta.
Talvez seja por isso que pessoas verdadeiramente sábias frequentemente carreguem uma certa serenidade diante da dúvida.
Elas sabem que reconhecer a própria ignorância não diminui o conhecimento que possuem; ao contrário, protege esse conhecimento contra a arrogância de se tornar dogma.
A Humildade Intelectual não significa relativizar tudo, nem acreditar que todas as opiniões possuem o mesmo valor.
Significa estar disposto a submeter nossas próprias ideias ao mesmo rigor com que julgamos as ideias dos outros.
Significa perguntar, diante de uma certeza confortável: “E se eu estiver enganado?”
Essa pergunta pode ser muito desconfortável.
Mas também pode ser muito libertadora.
Porque, quando já não precisamos estar certos o tempo todo, tornamo-nos mais capazes de ouvir.
E, quando aprendemos a ouvir, percebemos que a realidade é quase sempre maior, mais complexa e mais contraditória do que as narrativas que construímos para explicá-la.
Talvez a Verdade não se esconda daqueles que sabem pouco, mas daqueles que acreditam saber o suficiente para não precisar mais procurá-la.
No fim, a verdadeira Maturidade Intelectual talvez não esteja em acumular certezas, mas em saber quais delas merecem permanecer abertas à revisão.
Porque há uma forma bastante silenciosa de ignorância que não nasce da falta de conhecimento, mas da convicção de que já não temos nada a aprender.
E talvez seja justamente quando abrimos mão da pretensão de possuir a Verdade que finalmente nos tornamos disponíveis para encontrá-la.
Não que você
não mereça
eu te querer,
Você em pouco
tempo povoou
a minha fantasia
Elevando a minha
vaidade feminina.
Não posso ficar
onde sei que não
tenho como
emocionalmente
sustentar;
Não preciso
prever o futuro
porque sei que
entre nós tem
tudo para dar errado.
O amor pede de nós
profundos cuidados,
Da forma que você
está acostumado,
Não sou eu é que
farei impossível
para te modificar.
Não, não há nada
de errado comigo,
E nem contigo;
Apenas temos
expectativas
diferentes,
Só não quero
colocar o meu
coração mais
sob o teu perigo.
A praia pode
estar deserta,
Você nunca
estará sozinho,
No coração
sou presença
que não
se ausenta
nem quando
o olhar
se distancia.
Eia a indecência
que te aquece
como o sol,
aos teus lábios
é sal e oceano
que te intensa!...
O silêncio é
a proposital
forma de
trazer a tona
o que arrepia,
e para você:
sou o sublime,
o apelo,
o que levita
e a tua fantasia.
Não nos
conhecemos,
E como
conhecidos
fôssemos,
Tu me trazes
para ti abrindo
espaços,
Com esse
jeito atrevido
Forte como
um raio,
Intenso como
um oceano
E com uma
pele igual
ao sol
acendendo
o amanhecer
caribenho.
Sem dar
chance de
pensar nas
consequências,
E de surpresa
me levou
para um
rumo impensável
ao paraíso
e impenetrável.
O teu carisma
apaixonante
me fez absoluta
e rendida,
Ao permitir
escrever em ti
um ousado
poema sobre
o teu corpo
que é um em si,
Reconheço-me
mágica e divina,
e celebrante
do incontável,
Assim me vejo
nas mãos
do imensurável
sob o jugo sedutor
deste teu calor.
Apreende na tua
sede os teus
lábios aos meus.
Porque não
sei nem por
onde começar...
Apreende na tua
fome o meu
corpo ao teu.
Porque longe
de mim
querer me
salvar de ti.
Apreende o meu
peito bem
unido ao teu.
Em ti não
serei mais eu,
seremos
o infinito.
Não ouvi o discurso
do orador em comemoração
a Batalha de Boyacá,
Mas o quê li a respeito
feriu-me gravemente como
punhal o meu coração,
E quero crer que seja
um equívoco ou se trate
mesmo de uma mentira.
Pois quem se encontra
preso por discordar
do poder vigente
mesmo em tempos
de paz e não desertou:
Jamais pode ser chamado
de traidor e dele
não pode ser tirada a vida.
Não se impõe disciplina
sacrificando ou incutindo
medo na tropa,
Um agir desta forma
é o pleno abandono
da herança mirandina.
Disciplina se impõe com amor,
constância e culto a valentia,...
Porque do meu breviário
sempre sairá
poesia insistente
que abra a sua mente,
ilumine os seus olhos
e restaure o seu coração
em nome dos mais
altos valores de Bolívar:
Pela liberdade da tropa
e do General não
vou parar nenhum
segundo de clamar.
Estava durante
entre os passos
da consagração
dos advogados
ali em Mérida,
Tu não me viste
Porque eu
era a oração.
Não sei se ela
quis ir por
vontade própria,
Se está presa,
sequestrada
ou se
a levaram
sugestionada,... Não me importa
o motivo:
me tragam
a Anabel
de volta até
se ela se
trata de mais
uma mentirosa;
Mas me tragam
essa moça
sã e salva,
Porque a Mãe
está sentindo
muita falta.
Te peço uma
Missa e um Culto
aos militares e civis
uma vez semana
até o final da pena,
a sua compreensão
e a sua paciência
para que se varra
toda a truculência.
Tudo faz lembrar
do General preso
injustamente,
Mesmo aquilo
que não tem
a ver com ele
ou que não faz
nenhum sentido:
Ele que não tem
acesso a Bíblia,
Não pode ler
nenhum livro
E foi posto na
redoma
de vidro,...
Sinto
tanto
o tempo todo,
que isso tudo
até parece que
aconteceu comigo.
O poeta não me deixou,
ele não é [tolo],
Apenas foi passear
no jardim da eternidade.
Ariano [vive]...,
Um poeta nunca 'morre',
morrer é coisa de humanos;
Os poetas são anjos.
O sertão ele me deixou
como [legado],
Agora sei como arde,
e que o significado de sertão:
- Se entende por saudade.
Não brinque com o meu fogo,
Sei brincar com a tua fantasia,
Não intente com o meu juízo,
Sei assumir com a grandeza
De ser diferente: sou poesia.
Não evite os meus beijos,
Sei buscar o melhor de ti,
Não invente [escapar...,
Sei farejar-te e irei atrás
Do aroma que eu senti.
Não disperso o desejo,
Sei salsear com a tua alegria
Não experimente esquecer,
Sei abraçar-te com jeito
De causar toda a energia.
No meu corpo tenho a sina,
Serei a tua sublime alcova,
Sou muito mais [alma
Do que você imagina:
Sou a loucura que fascina.
Sou gemido, sussurro e grito,
O incêndio mais elevado.
Eia, vulcão atrevido!
O meu corpo bem macio
É que te faz ainda menino.
Danço e rasgo o verbo,
A liberdade que me deste,
Peguei como um [laço,
Abraço com a vontade
De ter qualquer possibilidade.
Darei o meu melhor riso,
O meu inefável paraíso,
A liberdade que recebi;
O teu corpo terei a qualquer custo,
Na intensidade que me [atrevi].
Não me distraio
Do nosso jardim.
Teço mil enredos,
Sublimes, enfim.
Não me culpo:
O desejo brotou
Bem imponente
Como um lírio.
Talvez seja delírio
Ou, apenas poesia.
Não me importo,
Registro em letras
Para que me leves,
E nunca me deixes.
Camponesa de alma,
E também de corpo,
Você é meu solo,
E eu a tua segurança,
Tenho a esperança
- da semente do amor
Que não desiste
De brotar sereno,
E crescer contente.
Não me distraio de nós,
Jamais!...
Semeio letras puras,
Versos incandescentes
Em busca dos beijos
- intermitentes -
Como um riacho em turbilhão
A tomar conta das pedras
Para amansar o teu coração.
Santos
Quem de nós pode dizer que não peca? Nenhum de nós! Por isso devemos chorar como David fazia! Devemos ter esta atitude diante do Senhor.
Para que ele ponha em nós uma nova maneira de pensar, diferente da de ontem e da de hoje. Para que ele nos faça em cada dia mais santos. Que em cada dia, ele nos vá aperfeiçoando, até ao dia em que vamos nos encontrar definitivamente com ele!
Não faça planos para o futuro porque não sabe se haverá um futuro pela frente
O que importa e viver o hoje focando no presente e valorizando o momento atual.
