Nao Amplie a Voz dos Imbecis

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"As pessoas costumam nos enxergar do jeito que desejam, e não exatamente como realmente somos."

OLHOS DE MAR

Como um anjo, você chegou anunciando o início de um ciclo, da vida que já não era só minha...

Apesar de dolorosas, as mudanças eram necessárias. Então, rasguei a cápsula que me envolvia, comprimida numa ingenuidade tardia — tal como o casulo do qual eu já não cabia, e que me impedia de mover as asas que eu nem havia notado que tinha.

O apego, a dependência, o vitimismo e a dor me impediam de perceber que eu podia voar. Embora não soubesse como, tudo era tão novo... Pensei em desistir, mas a esperança ressurgia quando eu olhava em seus olhos — olhos de mar.

Apesar de recém-chegado, pequeno e frágil, você me ensinou a ser forte, a amar e a aprender com a dureza das provas da vida. Enquanto você crescia, também me impulsionava a crescer. Errei e acertei muitas vezes, mas sempre com o desejo de lhe dar o melhor de mim.

Você é minha kriptonita, mas também é minha fortaleza.

A Sagrada Importância do Dia que Nascemos


O dia do nosso aniversário não é apenas uma data comum no calendário ou um pretexto para festas vazias; é o instante sagrado em que o Criador nos soprou a vida e nos enviou ao mundo com um propósito. Infelizmente, nos tempos atuais, tornou-se dolorosamente comum ver o desrespeito com esse momento. Pessoas preparam seus lares, abrem seus corações, esperam pela presença daqueles que consideram importantes, apenas para se depararem com o silêncio frio do esquecimento e da ausência. Ignorar o dia de alguém não é um mero esquecimento, é uma mensagem velada de indiferença que desvaloriza a existência do outro. Esse tipo de desprezo gera traumas profundos, abrindo feridas na alma e mágoas que, se não forem curadas com muito amor-próprio, podem destruir a autoconfiança de uma pessoa. Celebrar a vida de quem amamos é um dever espiritual. Tratar o aniversário alheio com zelo é dizer, sem palavras: "Que bom que você existe, a sua vida importa para mim".

O Bálsamo da Amizade Verdadeira


Não posso esconder que o meu coração amanheceu pesado, ferido pelo silêncio daqueles que fiz questão de convidar e esperar. A ausência dói na carne, e a sensação de ser invisível no próprio dia de nascimento abre uma ferida difícil de explicar. Mas, quando a mágoa parecia querer inundar a minha alma, o seu abraço em forma de palavras chegou como um bálsamo sagrado. Suas palavras me lembraram de quem eu sou e do valor que o céu me dá, arrancando-me do abismo da rejeição. Minha dor não sumiu por completo, mas a minha gratidão por sua vida é infinitamente maior. Você me provou que a verdadeira celebração não está na quantidade de pessoas que enchem uma sala, mas na qualidade do amor de quem escolhe permanecer ao nosso lado. Obrigado por salvar o meu dia e por me fazer lembrar que, enquanto eu tiver a sua amizade, eu nunca estarei sozinho.

Aquela menina cresceu, virou mulher e não aceita mais migalhas. Aprendeu que quem não sabe o valor da sua presença, não merece espaço na sua vida, e que a própria companhia vale muito mais do que metades.
Aquela menina cresceu, virou mulher e não aceita mais migalhas. Descobriu a força do próprio abraço, aprendeu a recomeçar em silêncio e entendeu que transbordar é a sua única medida.
Aquela menina cresceu, virou mulher e não aceita mais migalhas. Quem quiser espaço na vida dela, que aprenda a oferecer banquetes de consideração e respeito.
Aquela menina cresceu, virou mulher e não aceita mais migalhas. Deixou para trás o hábito de se diminuir para caber nos outros e hoje só aceita o que vem para somar de verdade.
Aquela menina cresceu, virou mulher e cansou de migalhas. Aprendeu o valor de viver e transbordar. Hoje, ela sabe que é imensidão de oceano: quem não souber nadar, que se afogue na própria rasa existência.


Transborde amor, aquele que nao souber nadar, que afunde sozinho...

Hoje, mais uma vez, eu senti Deus.
Não foi em um templo, não foi através de uma religião, nem porque alguém me ensinou onde procurá-Lo. Foi em uma oração. Em algo que pedi em silêncio e que, de alguma forma, encontrou resposta.
E talvez seja justamente isso que torna tudo tão difícil de explicar: eu não sei dizer onde Deus estava, mas sei exatamente como me senti quando percebi que minha oração havia sido ouvida.
Hoje, eu não precisei encontrar Deus em nenhum lugar.
Foi como se, por um instante, Ele tivesse encontrado a mim.

Priscila de Araújo

Preciso ver o sol.
Ele se escondeu atrás das nuvens.
Não consigo mais vê-lo, mas sei que ele ainda está lá. Ainda existe, mesmo que meus olhos não consigam alcançá-lo.
Mas, às vezes, parece que ele nunca mais vai voltar a brilhar.
O dia se tornou frio, cinza.
E esse frio me congela por dentro. Não consigo me aquecer, não consigo me mover. Sinto um cansaço profundo, como se meu corpo já não tivesse forças. Meu coração está sobrecarregado, minha mente não consegue pensar com clareza e até respirar parece difícil.
Então me pergunto: será que consigo suportar esse frio até o tempo mudar? Até as nuvens passarem e o sol finalmente ressurgir, aquecendo novamente a minha alma?
Eu não sei.
Só sei que ainda procuro por ele.
E preciso que ele volte o mais rápido possível.


Priscila de Araújo

Ela carrega uma alma um pouco mais antiga, dessas que parecem não se encaixar na geração atual. Sua essência foge do comum entre aqueles da mesma idade. Há uma beleza rara em quem nasceu para ser diferente.


Priscila de Araujo

Eu não quero ser comum.
Quero me perder nos detalhes de uma flor e me me encantar.
Quero contemplar o pôr do sol e me me alegrar.
Quero olhar o brilho das estrelas e me me apaixonar pelo infinito.
Quero encarar a lua e lembrar de um olhar que já me atravessou.
Quero sentir o mar e entender o quão imenso é o universo.
Quero ouvir uma música e sentir meu corpo se arrepiar.


Priscila de Araújo

Natureza e Liberdade


Não existe vida sem liberdade e humanidade.
Por que a união se tornou tão corrompida?
Onde está a vida, senão na natureza?
Em tudo, sou levada a acreditar
Em uma utopia pessoal.
Somos feitos de esperança;
Somos feitos de dor;
Feitos de almas aprisionadas em carne,
Limitados.
Onde está a vida, senão de onde viemos?
Viva e retorne!
O fim é o começo.


- Ramile Godon

Estilhaços do Espírito


Eu tenho que esconder,
Esconder o que eu sinto
Por não conseguir
Contar todas, completamente,
Contar todas as feridas.
Todos os cortes e machucados,
As lesões que eles me deram,
Todos os algozes,
Todos os que prometeram me proteger.


Pois estou com minha própria sombra,
Com minha própria espada,
Com minha própria mente,
Como sempre estive.
Até quando pensei que não.


Mas, agora, está pesado demais.
Não há quem salve,
Não há quem permaneça.
Os assassinos foram embora,
Os traidores riram.
Deixaram as consequências,
E a culpa foi transferida para os inocentes.


Vou nadar de volta até a superfície novamente.
Vou puxar os passos
Mesmo com o peso dos ferros nos meus tornozelos,
Vou forçar a mente
Mesmo com as feridas de chumbo.
Mesmo com lágrimas de sangue,
Seguirei lutando.
Pois ainda há fôlego de espírito,
Até o meu descanso chegar.
Minha alma ainda está aqui.


- Ramile Godon

Labirinto de Sombras


Eu simplesmente deveria,
Mas não consigo abandonar tudo.
Se eu simplismente não me importasse,
De qualquer forma,
Eles me pertubam.


Preciso me distanciar.
O inferno é aqui.
Não vale a pena.
A vida se consome,
O espirito se perturba.
Não vale a pena.
Alma em turbulência.


Em minha direção,
Vejo a luz se apagando,
Abandonada para a morte.
Por quê?
Estou tentando me salvar,
Estou fazendo isso sozinha.
O divino não estende a mão
E o mortal não ama.
Corro nesse labirinto
Para alcançar a luz.


- Ramie Godon

Catarse de Fogo Verde

Cessará, cessará o latejamento.
As correntes de espinhos não vão mais rasgar a pele e a carne no calor.
A lâmina não precisará mais cortar o pulso.
E a noite será igualmente o conforto de todos.

Padrões em fluxos,
Ondas de carne,
Os bipedes sem essência.
Tomadas em explosões de descarga.

Retome o frescor depois de desmaiar,
A energia e a cobra-hiena voltará.
Sempre a espreita da coluna de ferro,
Sempre na estação mais próxima.
Tocha, espada e canivete na mão.

Ateie fogo verde e veneno nos demônios do escaldo,
Pois os demônios não suportam o próprio veneno.
Espada desembainhada.

- Ramile Godon

Reino do Desalento


Já percebi a tática dos predadores,
Mas não vejo a coragem dos caçadores.
Os contrutores não fortalecem a muralha, ela está cheia de buracos e falhas.
Os cadetes estão cheios de vaidade e orgulho, mas com atitudes fracas.
Os predadores sempre tomam algo, e os soldados e o povo se culpam entre si.
Matam e fazem escárnio daqueles se levantam, os rebeldes, os líderes de espírito elevado, os revolucionários.
Os inimigos sempre dominam e os aliados só levam esse título sem prática.
Divididos, vaidosos e orgulhosos no povoado de ruínas.
Um povo que se comporta e tem instintos de fera canina.
Que tem orgulho da glória e inteligência dos outros povos.
Mas odeia o seu próprio povo e fica inerte na destruição.
Nação que veste as túnicas da contradição,
Aquela que diz venerar a entidade divina da criação, mas adora a destruição.


- Ramile Godon

Explosão de Sangue Solar

Não há mais saída. Colapsou.
O alerta da porta de saída pisca em vermelho.
Correr é inútil; ficar é inútil.
Assista ao pôr do sol como quiser,
como e onde quiser,
com o que estiver fazendo.

Minhas artérias explodirão com o grito do sol.
Seus olhos choram sangue.
Minha alma grita, agonizando.
Meu espírito se debate.

Eu peço perdão.
Eu me reconcilio com a vida.
Ela acaba aqui, finalmente.

- Ramile Godon

Milagre, a vida!
Nós não podemos vencer o sistema.
Nós não podemos vencer a morte.
Não temos escolhas a não ser duas.
Somos todos iguais.
Até quando vai mentir e repassar a mentira?
Mentiras, todo dia.
Todo dia a mentira.
O folêgo aparente é a única verdade.
O único milagre.

- Ramile Godon

⁠Cicatrizes são medalhas da alma, não se espera emoção por ter elas, essas marcas de batalhas, insígnias de coragem invisível que um dia, foi a única moradia conhecida.

A vida não me mostrou motivos para prosseguir, mas ainda assim caminho.
Talvez o sentido esteja escondido
no simples ato de não desistir.

Não vejo sentido em continuar...
a vida, até aqui, tem sido um campo árido, onde minhas sementes nunca germinaram. As manhãs chegam frias, trazendo o mesmo silêncio de ontem, e meus passos ecoam vazios, como se não deixassem marcas na terra. A vida não me mostrou muitos motivos para seguir lutando por ela. Tudo o que encontrei foram paredes altas, portas fechadas, e um céu pesado que pouco se abre. E, ainda assim, permaneço. Não por esperança, não por promessas que nunca vieram, mas pela estranha teimosia do coração, que insiste em bater mesmo quando tudo desmorona. Talvez o sentido não esteja fora, nas conquistas ou nos caminhos claros, mas dentro, na chama pequena que resiste ao vento, na voz que, mesmo frágil, sussurra em mim:

“Ainda não é o fim."

Não me faltou vontade, nem coragem para crescer. Faltou-me apenas o espaço que mãos alheias roubaram. Chamaram de orientação o que era apenas prisão; chamaram de liderança o que não passava de opressão.