Nao Amplie a Voz dos Imbecis
SERENIDADE DE SÓCRATES QUE ANTECEDE A COVARDIA DA CICUTA HUMANA.
"A morte de Sócrates não foi derrota. Foi consagração de uma existência autêntica. Ele não se acovardou diante dos deuses, nem dos homens, tampouco de si mesmo. Sua serenidade ao beber a cicuta rompeu as máscaras da moralidade hipócrita de Atenas, revelando uma filosofia viva, íntima, incorruptível.
Hoje, diante de tantas vozes, o Oráculo de Delfos continua sussurrando — como um espelho antigo que insiste em mostrar o que há por trás do semblante. Sócrates ainda nos interpela, com olhos serenos e voz firme: 'Antes de julgar o mundo, olha para dentro. Antes de calçar as sandálias de alguém faça a mesma caminhada. "
" O amor, quando não disciplinado, consome; quando educado, redime; e quando espiritualizado, ilumina o próprio destino humano com uma grandeza que ultrapassa a própria existência material. "
ALLAN KARDEC. O APÓSTOLO DA VERDADE E DA TERNURA ESPIRITUAL.
Allan Kardec não pertence apenas à memória histórica do Espiritismo. Pertence à intimidade moral da humanidade. Sua presença atravessa os séculos como uma dessas consciências raras que ensinaram sem humilhar, corrigiram sem endurecer e sofreram sem abandonar a serenidade diante de Deus.
Durante muito tempo, muitos imaginaram Kardec como uma figura severa demais para o afeto, quase aprisionada numa racionalidade inflexível. Entretanto, aquilo que chegou até nós acerca de sua vida íntima revela precisamente o contrário. Revela um homem profundamente humano. Sensível. Delicado. Afetuoso. Um espírito que carregava responsabilidades imensas sem perder a capacidade de sentir as dores alheias.
Sua inteligência jamais destruiu sua ternura.
Kardec possuía a firmeza dos grandes educadores e, ao mesmo tempo, a brandura silenciosa daqueles que compreendem a fragilidade humana. Era rigoroso com princípios, porém misericordioso com pessoas. Corrigia ideias sem ferir consciências. Defendia a verdade sem transformar a doutrina numa arma de vaidade intelectual.
Talvez aí resida uma das maiores belezas de sua existência.
Ele não era um homem inacessível.
Era um homem fatigado que continuava trabalhando.
Era um espírito sobrecarregado que prosseguia servindo.
Era alguém que conhecia as angústias da alma e, ainda assim, permanecia fiel ao dever.
Sua célebre prece de aflição continua emocionando consciências porque nela não encontramos um missionário distante das dores humanas, mas um homem atravessando regiões difíceis do próprio espírito. Quando confessa sentir-se confuso, ansioso e interiormente perturbado, Kardec aproxima-se de todos aqueles que já enfrentaram noites silenciosas de exaustão emocional.
E mesmo cansado, não se revolta.
Mesmo abatido, não acusa.
Mesmo aflito, não abandona Deus.
Ele ora.
Pede discernimento.
Pede força moral.
Pede humildade para transformar sofrimento em aprendizado espiritual.
Há uma grandeza quase sublime nisso.
Num século marcado por disputas intelectuais e orgulho filosófico, Kardec escolheu a introspecção moral. Em vez de buscar culpados exteriores, investigava a própria consciência diante da Providência Divina. Sua espiritualidade não era teatralidade religiosa. Era disciplina interior. Era fé amadurecida pela razão e suavizada pela caridade.
E talvez seja impossível não sentir profunda comoção ao perceber que dentro daquele educador monumental ainda existia algo extremamente puro. Uma espécie de menino espiritual buscando repouso em Deus após o peso esmagador das responsabilidades humanas.
Seu coração não endureceu diante das lutas.
Sua alma não secou diante das perseguições.
Seu ideal não tombou diante do cansaço.
Kardec trabalhou incessantemente. Respondeu cartas. Consolou aflitos. Orientou grupos. Auxiliou necessitados. Administrou dificuldades materiais. Organizou obras gigantescas enquanto enfrentava desgaste físico e emocional quase contínuo. Havia noites de exaustão. Havia preocupações silenciosas. Havia saudades íntimas jamais verbalizadas inteiramente. Ainda assim, ele prosseguia.
Não porque fosse um homem sem dores.
Mas porque compreendia que a verdade exige perseverança.
Sua vida inteira parece ter sido um testemunho de renúncia serena. Uma existência consumida pelo dever moral, pela educação espiritual das consciências e pelo desejo sincero de aliviar o sofrimento humano.
Por isso sua lembrança permanece tão viva.
Não apenas como filósofo.
Não apenas como educador.
Mas como presença moral.
Como consciência amiga.
Como um desses raros espíritos que conseguem aproximar razão e compaixão sem destruir nenhuma delas.
Kardec venceu o cansaço sem abandonar a dignidade.
Venceu as dores sem perder a delicadeza.
Venceu as saudades sem permitir que a amargura lhe tomasse o espírito.
E talvez seja exatamente por isso que ainda hoje tantos corações sentem sua presença como um amparo silencioso atravessando gerações.
Sua grandeza não nasceu da ausência de fragilidade.
Nasceu da coragem de permanecer fiel à luz mesmo carregando o peso humano das próprias lágrimas.
Por: Marcelo Caetano Monteiro.
Fontes.
Projeto Allan Kardec da Universidade Federal de Juiz de Fora.
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" A saudade é a visita que a alma faz ao passado, sem sair do presente; não dói porque acabou,mas vive porque foi eterno. "
" Muitas vezes o 'desejo de sumir' não é vontade de morrer, é o grito da alma querendo renascer em um lugar onde as aparências não sufoquem a essência."
O que você pensa sobre mim fala mais de você do que de mim. Eu não sou a opinião que você criou, mas a verdade que escolho viver. Enquanto você julga, eu sigo em paz.
Não importa se você está sendo coadjuvante, o importante é a qualidade do trabalho que você esteja realizando, seja pertinente e eficaz em tudo.
Se o rótulo ou a bula das medicações curassem as doenças não precisaria ser ingerido o líquido, as cápsulas ou usar os injetáveis...
Assim também é a rotina da vida, nem sempre a cobertura bonita do bolo é definição de bom sabor...
"Somos feitos de memórias e esperanças que ainda não se tornaram realidade é nessa tensão que a vida ganha forma."
O ESPIRITISMO E A MÁGOA.
A mágoa, à luz do Espiritismo, não constitui mera emoção episódica, mas estado psíquico persistente, sedimentado na intimidade do ser espiritual. Se a raiva é explosão transitória do instinto ferido, a mágoa é introjeção silenciosa da dor moral. A primeira irrompe. A segunda infiltra-se.
Em "O Livro dos Espíritos", 1857, questão 933, indaga-se qual o meio de destruir o egoísmo. " Parte Quarta: Das esperanças e consolações.
CAPÍTULO I
DAS PENAS E GOZOS TERRESTRES.
Felicidade e infelicidade relativas.
933. Assim como, quase sempre, é o homem o causador de seus sofrimentos materiais, também o será de seus sofrimentos morais?
“Mais ainda, porque os sofrimentos materiais algumas vezes independem da vontade; mas, o orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões, numa palavra, são torturas da alma.
“A inveja e o ciúme! Felizes os que desconhecem estes dois vermes roedores! Para aquele que a inveja e o ciúme atacam, não há calma, nem repouso possíveis. À sua frente, como fantasmas que lhe não dão tréguas e o perseguem até durante o sono, se levantam os objetos de sua cobiça, do seu ódio, do seu despeito. O invejoso e o ciumento vivem ardendo em contínua febre. Será essa uma situação desejável e não compreendeis que, com as suas paixões, o homem cria para si mesmo suplícios voluntários, tornando-se-lhe a Terra verdadeiro inferno?”
A.K.: Muitas expressões pintam energicamente o efeito de certas paixões. Diz-se: ímpar de orgulho, morrer de inveja, secar de ciúme ou de despeito, não comer nem beber de ciúmes, etc. Este quadro é sumamente real. Acontece até não ter o ciúme objeto determinado. Há pessoas ciumentas, por natureza, de tudo o que se eleva, de tudo o que sai da craveira vulgar, embora nenhum interesse direto tenham, mas unicamente porque não podem conseguir outro tanto. Ofusca-as tudo o que lhes parece estar acima do horizonte e, se constituíssem maioria na sociedade, trabalhariam para reduzir tudo ao nível em que se acham. É o ciúme aliado à mediocridade. De ordinário, o homem só é infeliz pela importância que liga às coisas deste mundo. Fazem-lhe a infelicidade a vaidade, a ambição e a cobiça desiludidas. Se se colocar fora do círculo acanhado da vida material, se elevar seus pensamentos para o infinito, que é seu destino, mesquinhas e pueris lhe parecerão as vicissitudes da Humanidade, como o são as tristezas da criança que se aflige pela perda de um brinquedo, que resumia a sua felicidade suprema. Aquele que só vê felicidade na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz, desde que não os pode satisfazer, ao passo que aquele que nada pede ao supérfluo é feliz com os que outros consideram calamidades.
Referimo-nos ao homem civilizado, porquanto, o selvagem, sendo mais limitadas as suas necessidades, não tem os mesmos motivos de cobiça e de angústias. Diversa é a sua maneira de ver as coisas. Como civilizado, o homem raciocina sobre a sua infelicidade e a analisa. Por isso é que esta o fere. Mas, também, lhe é facultado raciocinar sobre os meios de obter consolação e de analisá-los. Essa consolação ele a encontra no sentimento cristão, que lhe dá a esperança de melhor futuro, e no Espiritismo que lhe dá a certeza desse futuro. "
A resposta aponta a educação moral e a prática do bem como recursos graduais de superação. A mágoa, em sua estrutura íntima, é filha do orgulho vulnerado e do apego às expectativas frustradas. Ela não nasce apenas do fato objetivo, mas da interpretação subjetiva que o espírito constrói diante do acontecimento.
Enquanto a raiva pode dissipar-se pela palavra ou pelo desabafo momentâneo, a mágoa cristaliza-se no silêncio. Converte-se em memória recorrente, revivida com intensidade afetiva. A psicologia denomina tal fenômeno de ruminação emocional. O Espiritismo amplia essa análise ao considerar que tais estados repercutem no perispírito, produzindo desarmonias que se prolongam além da experiência corporal.
A mágoa é mais nociva porque estabelece vínculo vibratório negativo entre ofensor e ofendido. O espírito magoado mantém-se psiquicamente conectado ao episódio que o feriu. A libertação não se dá pelo esquecimento superficial, mas pela compreensão profunda do sentido educativo da prova.
Em "O Evangelho segundo o Espiritismo", 1864, capítulo X, afirma-se que o perdão das ofensas é condição indispensável ao progresso moral. 156. Quando diz: "Ide reconciliar-vos com o vosso irmão, antes de depordes a vossa oferenda no altar", Jesus ensina que o sacrifício mais agradável ao Senhor é o que o homem faz do seu próprio ressentimento. Só então sua oferenda será bem aceita, porque virá de um coração expungido de todo e qualquer pensamento mau. (Cap. X, item 8)
157. "Como é que vedes um argueiro no olho do vosso irmão, quando não vedes uma trave no vosso olho?", eis conhecida advertência feita por Jesus. Uma das insensatezes da Humanidade consiste em vermos o mal de outrem antes de vermos o mal que está em nós. Para julgar-se a si mesmo, seria preciso que o homem pudesse ver seu interior num espelho, pudesse transportar-se para fora de si próprio, considerar-se como outra pessoa e perguntar: Que pensaria eu se visse alguém fazer o que faço? Incontestavelmente, é o orgulho que induz o homem a dissimular para si mesmo os seus defeitos. (Cap. X, itens 9 e 10)
Não se trata de complacência ingênua, mas de ato consciente que rompe o circuito da dor. Perdoar é gesto de lucidez espiritual.
A raiva pode ser impulso efêmero. A mágoa é fixação prolongada. A raiva, por vezes, extingue-se com o tempo. A mágoa perpetua-se porque é alimentada pelo pensamento reiterado. Sendo o pensamento força atuante, cultivar mágoa é perpetuar internamente a experiência que desejamos superar.
A terapêutica espírita repousa sobre três fundamentos. Reforma íntima mediante autoanálise rigorosa. Compreensão da lei de causa e efeito, que amplia a perspectiva histórica da alma. Exercício deliberado do perdão, que não elimina o fato ocorrido, mas o ressignifica sob o prisma evolutivo.
Carregar mágoa é manter acesa uma brasa invisível. Libertar-se dela é sinal de maturidade espiritual e conquista ética que conduz o espírito a níveis mais elevados de serenidade.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
"Equilíbrio não é frieza; é ordem."
"Motivação não é exaltação; é fidelidade perseverante ao dever."
" O Espiritismo não interpreta o suplício de Jesus como exigência de justiça divina vingativa. Deus não precisa de sangue para perdoar. O que se evidencia é a liberdade humana usada de forma equivocada pela mesma. "
