Nao Ame Sozinho

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Pequeno Pintor
Uma tela pintada de azul,
Com árvores murchas e frutos azedos,
Os quais não conseguem ser segurados nem pelos dedos,
Um lugar que quem viu mentiu.
Uma moça com olhos cor do âmbar adentrou,
E, no cenário, tudo revirou
E, para a sua surpresa, nada de bom encontrou.
Olhando tristonha aos arredores,
Onde secos eram os rios,
Onde nada tinha fantasia,
Muito menos alegria.
Surpreendeu-se ao ver um jovem pintor segurando o coração
E começou a pensar sobre o que fazer nessa situação.
Carregando toda a meiguice, deu-lhe a mão
Onde o rapaz depositou todas as suas esperanças.
Tirou do peito aquilo que segurava e entregou-lha.
Nesse instante, era ela a sua crença.
A dama indagou-lhe: “Meu pintor, quem te magoou?”
Relutante, devolveu: “Como a notícia te chegou?”
Com simpatia, respondeu-lhe: “No momento em que me entregaste as tuas
crenças, havia proclamado também que desacreditaste da paixão.”
O pintor apenas suspirou: “Oh, não...”.
Os dias se sucederam;
Os pigmentos azulados se perderam.
Desde a chegada da jovem, o Sol tornou a ficar amarelado;
Depois de ele por ela ser amado.
Os luares, agora, teciam a sua felicidade;
Os risos abertos e barulhentos compunham parte do seu dia,
Enquanto, de perto, a via.
A esta altura, já estava familiarizado com a nova realidade.
A sege desenhada os levava perdidamente.
Ambos não tinham lugar destinado.
Finalmente, soltou-lhe aquilo de diferente.
A amada, moldada pela alegria, disse que, por ela, era amado.
No dia seguinte, encostou-se no Pintor
E tirou-lhe a dor.
Para ela, o mundo prosseguiu,
Enquanto, para ele, parou.
Acordado, encontrava-se sem a deusa da sua benção.
Próximo ao chão, chorava as lágrimas de Adão.
Arrastando-se, tentou pegar-lhe o pé,
Mas, dela, só recebeu um pontapé.
Berrando, clamou pelo vulto do espírito;
Porém deste já estava restrito.
Pobre coitado.
O azul reapareceu;
Sua amada desapareceu,
E ele, por ninguém mais, era amado.

Unilateral

Naquela tarde de dezembro,
não achei que fosse nosso último abraço.
Você nem se recorda, mas eu me lembro;
a sua voz é a única lembrança que ouço.

Se soubesse que seria o último beijo,
teria desejado aos céus para torná-lo eterno,
para que o presente não fosse tão morno.
Ele daria um jeito.

Ainda olho para as pedras chutadas no verão…
Você consegue contá-las em minutos;
eu, não.
Eu me perderia, pois contaria também as lágrimas no chão.
Inevitavelmente, contabilizaria-as também,
mesmo que só você as tenha chutado.
Está tudo bem.
Talvez elas tenham te irritado.

Ah, se eu tivesse a sorte de saber que seria a minha última olhada,
guardaria meus olhos numa caixa
e os colocaria num cômodo sem energia.
Eles estariam mais contentes,
pois não fariam sofrimento ao amigo coração,
que, vendo-te passar, lamentava-se em vão.
Mesmo assim, nada mudaria.

Você saiu.
Sei que não está aqui,
que não haveremos de criar memórias,
sei que não terei tuas carícias.

A pior sensação que já pude sentir é a de lembrar que não me lembro de ti.

Quem não enfrenta o mar, não chega ao porto, a vida ensina, que a zona de conforto é assassina.

Meu inferno não tinha fogo nem enxofre. Tinha rostos, nomes e pessoas que eu amava. Talvez seja isso que torne algumas batalhas tão difíceis: não é o lugar, mas quem deixamos e quem aprendemos a amar nele.

⁠Quantas vergonhas a mais vou superar
Quantas opiniões eu vou enfrentar
Não me importa o quanto digam o quanto eu tô bem
Se minha cabeça diz pra ir mais além
Mas se eu parar só pra observar
Quantos defeitos e erros hoje eu vou achar
Na verdade eu acho que já olhei demais
Porque a imagem do espelho nem me conhece mais

- Espelhos

⁠Não adianta mais
Do espelho sou refém
Eu já não aguento mais
A imagem que reflete a alma

- Espelhos

⁠Se não houver vida após a morte, isso mudaria o caminho que você escolhe trilhar?

- Vagabond, Pt. IV - Epitome, Epitaph

⁠Há sempre uma escolha a fazer
Certo ou errado ninguém vai te responder
Não temos pressa aqui o tempo se dispersa
No fim do túnel não há nada a sua espera
O desespero só vai te fazer sofrer

Pode dizer-se que o amor verdadeiro não se perde e que ninguém deixa o seu amor por motivos banais. No entanto, o amor não sobrevive só de sentimentos: se faltar tempo e dedicação a um dos dois, até o amor mais forte pode ir por água abaixo.

A beleza da vida está no que não cabe na lógica da utilidade. Há gestos que existem apenas para nos lembrar que viver também é contemplar, cuidar e amar.

A jornada da Vida


Nas voltas que a vida dá,
eu busco ser benfazejo.
Não sou, nem serei, melhor que nenhum outro alguém.
Mas almejo evoluir sem cessar,
sem menosprezar ninguém.


Faço da vida uma eterna travessia.
Seres que me encontram no percurso
levam de mim euforia e desventura.
Buscando me superar, vou tropeçando e me levantando,
mas sem jamais desanimar.


Perante a vida e a morte, tornamo-nos ensimesmados.
Ainda assim, sigo avante por meu caminho,
pois, ao fim, a jornada é meu destino.


— Kaiane Macedo

TEMPO PERDIDO


Tempo que não passa,
Tempo que não volta.
Tempo que faz falta,
Tempo que faz história.


Tempo que traz mágoa,
Tempo que traz perdão.
Tempo que traz solidão,
Tempo que também traz paz.


Tempo de amar,
Tempo de dançar,
Tempo de falar,
Tempo de abraçar.


Tempo desperdiçado,
Tempo aproveitado,
Tempo abençoado...
Ou simplesmente, tempo perdido.


– Kaiane Macedo

⁠O silêncio não apenas ressoa nas perguntas não feitas, mas também revela as verdades que as palavras temem pronunciar.

⁠A verdadeira força não está em evitar a morte, mas em desafiar a própria fraqueza, lutando com coragem a cada dia, mesmo quando a vitória já foi conquistada. O medo não reside na queda, mas na falta de tentativa.

Não permita que a ambição de vencer se transforme em fracasso. O pior erro, depois da queda, é vestir a máscara da falsa humildade para justificar o insucesso. A verdadeira humildade consiste em reconhecer o fracasso, aprender com os próprios erros, corrigi-los e seguir em direção à vitória com novas atitudes.
F. Meirinho

O colonialismo não é uma máquina de pensar, não é um corpo dotado de razão. É a violência em estado puro, e só se curvará diante de uma violência maior.

Frantz Fanon
Os condenados da Terra. Rio de Janeiro: Zahar, 2022.

Força não é não cair. É levantar e tentar de novo.

Tive medo; por medo, do medo me possuir; e não me deixar viver.

Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.

João 14:27