Nao Alimentar Esperancas
O homem procura sentido no universo porque talvez seja incapaz de aceitar que o universo não tenha sido escrito especialmente para ele.
A felicidade não nasce de possuir respostas definitivas, mas de construir uma vida que consiga coexistir com perguntas sem solução.
A grandeza intelectual não consiste em possuir uma verdade definitiva, mas em conservar a capacidade de reconhecer o erro quando ele finalmente se apresenta.
A razão não elimina o mistério; elimina apenas algumas das falsas respostas que inventamos para suportá-lo.
Às vezes, a derrota e o fracasso nos derrubam e já não suportamos mais as perdas.
E fica tão insuportável viver e conviver com a dor do distanciamento e a solidão, que viver começa a parecer subjetivo.
E nós nos entregamos a esta subjetividade.
E quando percebemos, nos tornamos o próprio isolamento, a própria solidão.
Por Marcio Melo
O contrário do pecado talvez não seja a perfeição moral, mas a coragem de acreditar que a existência pode ser vivida para além daquilo que nossos próprios limites conseguem demonstrar.
A existência não é um enigma destinado a encontrar uma solução definitiva; é uma travessia na qual cada resposta transforma novamente a pergunta.
O desespero mais profundo não é desejar desaparecer, mas continuar vivendo sob uma identidade que já não reconhecemos como nossa.
nós éramos amigos
por que não poderíamos continuar sendo?
ele me fazia rir,
usava palavras gentis.
por que quando me confessei,
ele nunca mais me quis?
se ele não liga,
por que ele ligou tanto?
cada brecha que eu fechei,
ele mesmo abriu.
se ele não se importa, no entanto,
por que não admite o que sentiu?
fomos pra frente
e esquecemos dois anos em um.
nós éramos amigos.
agora, pessoas comuns.
O caminho não se torna difícil porque contém obstáculos; é a própria dificuldade que revela quem somos quando já não podemos avançar apoiados apenas nas certezas que tínhamos.
O desespero é a doença de uma existência dividida contra si mesma: viver, mas não querer ser quem se é; desejar ser outro, mas não conseguir escapar de si.
O destino distribui circunstâncias que não escolhemos; nossa liberdade começa, talvez, na maneira como interpretamos as cartas antes de decidir como jogá-las.
A felicidade talvez não consista em possuir tudo o que se deseja, mas em reduzir o poder que o desejo exerce sobre aquilo que somos.
A natureza não conhece a serenidade que a imaginação humana atribui à existência; sob a superfície da ordem, a vida permanece atravessada pela disputa silenciosa entre necessidade, sobrevivência, desejo e finitude.
A razão pode iluminar os mecanismos da existência, mas não necessariamente seu fundamento; quanto mais avançamos na explicação do mundo, mais percebemos que compreender como algo acontece não equivale a descobrir por que há algo para acontecer.
A beleza não elimina a dor, assim como a rosa não revoga os espinhos; talvez a maturidade consista precisamente em aprender a reconhecer a delicadeza sem exigir que o mundo deixe de ferir.
Aquele que não exige permanência daquilo que nasceu para partir sofre menos diante da impermanência do mundo.
Há batalhas em que vencer o adversário é fácil; difícil é não se tornar semelhante àquilo que combatemos.
