Nao Alimentar Esperancas
amor é amor, definitivamente não há sentimento melhor do que não se sentir discriminado por amar ... isso é vivenciado de muitas maneiras e o sentimento é indescritível
O MORTO HABITUADO
Não são leves os laços
do absurdo exercício:
o homem lado a lado
com seu laçado ritmo.
muito menos cumprido
do que dependurado,
plataforma do umbigo
ao pescoço do hábito.
Mas ao engravatado
qual o conforto vindo
provar que o inimigo
não inventou o laço?
Por outro lado, fausto
do que secreto visgo
se o absurdo do ato
costuma ser tranquilo?
Discreto e convencido,
como não dar o laço,
rebento do risível
com o bem comportado?
Conhecer o ridículo
quando se chama exato,
isento de impossível
e impossibilitado?
Demasiado antigo,
já não é bem um trato:
vertical compromisso,
enforca-se o enforcado.
NOTURNO
Não sou o que te quer. Sou o que desce
a ti, veia por veia, e se derrama
à cata de si mesmo e do que é chama
e em cinza se reúne e se arrefece.
Anoitece contigo. E me anoitece
o lume do que é findo e me reclama.
Abro as mãos no obscuro, toco a trama
que lacuna a lacuna amor se tece.
Repousa em ti o espanto que em mim dói,
noturno. E te revolvo. E estás pousada,
pomba de pura sombra que me rói.
E mordo o teu silêncio corrosivo,
chupo o que flui, amor, sei que estou vivo
e sou teu salto em mim suspenso em nada.
O ANJO ANUNCIADOR
— Ouve, Maria, a nossa
(não, não te assustes!) é uma luminosa
tarefa: retecer
o pequeno clarão que abandonaram,
o lume que anda oculto pela treva!
Porque irás conceber!
Porque a mão, desejosa
e tosca, que O tentara
reter, ainda que leve,
desfez-se ao toque, assim como uma vez
tocado o sopro se desfaz a avara,
a dura contração do peito ansiado…
Mas a haste, o jasmim despetalado,
é tudo o que ainda resta
dos canteiros do céu aqui na terra,
que um seco vento cresta
e uma longa agonia dilacera.
No entanto a morte há de morrer se tu quiseres,
ó gota concebida
bendita entre as mulheres
para que houvesse vida
outra vez, e nascesse desse fundo
obscuro do mundo,
o ninho incompreensível do teu ventre.
Não, não toques ainda
nem a fímbria do manto nem o centro
do mistério que anima a tua túnica:
aguarda, ó muito séria, a ave mansa
e recebe em teu corpo de criança
a Verônica única,
a enxurrada de pétalas te abrindo.
Em tumulto reunidas,
as cores da perdida Primavera
vão retornar, virão
numa enchente de asas, aluvião,
púrpura, sempre-viva, nascitura
estranheza do amor da criatura,
constelação descendo ao rosto teu:
é Ele, é O que reúne o coração
e o grande anel da esfera,
o fogo, a língua ardendo, o incêndio vivo,
a coluna de luz, o capitel que se perdeu…
Que eu
venho anunciar apenas a um esquivo,
humílimo veludo, a frágil chama
que há de crescer em ti, que hás de ser cama
ao parto do Perfeito, e hás de ser cântaro
e fonte e ânfora e água,
hás de ser lago
em que as sombras se afogam, que naufragam
no imenso, ó jovem branca como um lenço;
hás de conter a lágrima
do Infinito, o Seu vulto
e os tumultos da luz na travessia
entre a dádiva, a perda e a renúncia:
quando de um certo dia
cheio de luz amarga
em que serás enfim a sombra esguia
que O deu à luz e que O assistiu morrer…
Atravessa, ó Maria,
os abismos do ser,
ouve este estranho anúncio
e deixa-te invadir para colher,
mais fundo que a razão
e o corpo, o sopro cálido, o prenúncio
da mais viva alegria:
entreabre-te ao clarão
da visita suave,
mas terrível, terrível, deixa a ave
do imenso sacrifício te ofender.
Ó pétala intocada,
hás de sofrer
intensa madrugada
e num lago de luz como afogada
hás de durar suspensa
entre a graça imortal e a dor imensa.
Mas canta, canta agora
como a fonte borbulha, como a agulha
atravessa o bordado,
canta como essa luz pousa ao teu lado
e te penetra e tece a nova aurora,
a nova Primavera e a tessitura
do ramo que obedece e se oferece
para o mistério e pela criatura.
Canta a alucinação,
o toque enfim possível dessa mão
que há de colher para perder e ter
o infinito que nasce do deserto
e a semente que morre se socorre
tudo o que no estertor tentava ser.
Canta a canção do lírio e do alecrim,
essa canção que és e que na treva,
na escuridão da carne, andava perto
da imensidade que te invade. E assim
como o imenso te ampara,
ó voz tão clara
que consolas e elevas,
vem, desperta,
matriz da eternidade e d’O sem-fim,
ó mãe de Deus, canta e roga por mim.
O GAVIÃO
Pousava aqui como quem chega
pesaroso de alguma lousa,
de uma tumba qualquer; já não pousa
como certa mulher, a cega
que mendigava por aqui
quando eu era ainda noviça;
as primeiras vezes que o vi
lembrei-me dela e da carniça
que lhe davam, suas unhas duras
e sujas agarrando aquilo!
Onde andarás? Se nas alturas,
terá modificado o estilo
e provavelmente a ração;
senão… O gavião é o mesmo,
disso estou certa! Mas desde então
cresceu muito, já não voa a esmo
por aí, hoje arrebata a caça,
e quando mata chega de outro jeito,
com outro ar: pousa satisfeito,
é todo a máscara, a couraça
da arrogância! Dá-me raiva vê-lo,
prefiro o modelo anterior…
Como uma escultura de gelo,
esse de agora é ameaçador,
frio, irreal, o senhor das caçadas
traz o nada no bico e no porte:
não vem dos mortos, vem da morte!
Tinha antes só duas pegadas,
era solene como um cemitério;
hoje ele mesmo faz-se um e é oNão
que chega aqui com um ar estéril
e pousa desprezando o chão.
Não existe pior ruído, do que o provocado pelo nosso próprio silêncio interior, quando não encontramos a palavra certa para o quebrar.
O segundo segue o minuto e o minuto a hora,
Não há nada que pára tudo se vai embora,
O tempo mata o agora para dar luz a outrora
Na ênfase da saudade que de vontade chora.
EU SEI ...
A minha história está dita
vida como tida,
quem vê não lê
e quem lê não vê.
Não fala de mim
falo de nós enfim
D' orgulho ferido pela ceta do destino
na cegueira da luz do dia vespertino
bebendo cocktail da vida e da morte
d pernas cruzadas e penduradas na roleta da sorte.
A vida gira que gira
e a morte finge que gira.
Mas a vida é como arte,
que parte à parte se faz a arte
E a arte se faz a parte.
Como tal
a morte é individual.
Sim, somos nós afinal
Os enfeiteiros da metáfora (despertar)
Do sono dominical
A verdade vai te libertar
Seja pelo cântico Osana
ou pelo chamamento Azana.
Só sei que eu sou o caminho
que só eu e somente eu caminho.
Que Exu não nos permita voltar para o lugar que nos diminuiu.
Que eles dependam de nós.
E não o contrário.
O mais importante do bordado é o avesso. O mais importante em mim é o que eu não conheço.
não subestime o poder das pessoas,
água que corre aqui, também corre lá…
te hidrata, mas também te afoga.
não ache que só você nasceu abençoado nesse mundo.
por isso lembra-te,
não faças nada que não te caiba
proporcionalmente em corpo e espírito
e sempre que pisares o passado
limpa os pés
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia
O segredo da felicidade é o auto conhecimento.
Não cheguei a essa conclusão facilmente
Mas chego consciente dos meus valores.
Tenho defeitos e qualidades.
Dentre os defeitos, alguns são impossíveis de conserto.
Mas são passíveis de melhora.
As qualidades são apuradas com o tempo.
A perfeição é impossível.
E ter consciência disso é imprescindível.
O conhecimento passa pela auto estima.
E só assim reconhecemos nosso valor.
Eu sou
Eu quero
eu posso
E sigo assim
Não me importando com o que pensam
Valorizando o que sou
Focando no que espalho
Sigo a vida que me vale
a pena
Mulher
Plena...
Não precisa ser poeta para proferir as palavras que mais tocam ao coração
Não precisa ser artista para apresentar mais significativa demonstração de afeto
Não precisa ser milionário para comprar o que não tem preço
Então vamos lá: -Diga Eu te Amo, dê um abraço e um beijo, e mostre sempre que se importa.
