Nao Alimentar Esperancas
Idosos do meu país, vocês não se tornam velhos quando passam dos sessenta, mas quando deixam de participar do que acontece em volta, não opinam sobre nada em nome da “paz” e de atores se tornam platéia... e dessas que não aplaudem nem vaiam pelo medo do ridículo.
Quem ocupa lugar numa trincheira não está atrás da verdade: tudo o que busca é a confirmação daquela que construiu para si mesmo.
Quando se quer muito acreditar em algo para convencer os contrários não se precisa nem de distorções gigantescas: até erros de digitação viram razões para transformar em mentira a verdade que não se aceita.
Parecer honesto aos outros é defender o lado que gostaria que vencesse a luta, por mais que não o mereça. Ser honesto consigo mesmo é admitir que o lado por quem torce não fez por onde ganhar aquele round, e desejar mais ainda que corrija as falhas antes do final da luta.
Cuidado com o apoio dos canalhas. Eles não estarão ao teu lado para te dar força, mas para usar a que tens para aumentar a deles.
Pra quem embarca em canoa furada, só resta remar rápido enquanto ela faz água até não restar outra alternativa que não a de pedir ajuda a quem preferiu a segurança da praia.
Quem adora o som de aplausos não pode esquecer de fazer a mesura antes dos holofotes se apagarem para que a platéia não busque a saída sem bater palmas!
Não há nada mais lamentável e irritante do que a ignorância em todas as suas formas. E isso não deixa de fora nem mesmo a que trazemos conosco. Ao contrário: ela se mostra acrescida de um peso extra, pelo menos para qualquer pessoa que tenha desenvolvido um mínimo de auto-consciência!
Ingenuidade? Esse não é o refúgio da inteligência. Hermetismo? Menos ainda, pois que revela a limitação própria dos arrogantes. Entre a credulidade e o ceticismo é que as verdades do universo buscam abrigo, pois a lógica cobra análise antes de aceitação, e a rejeição ao improvável não se justifica por crenças instaladas ou pela ausência delas. Ninguém sabe o bastante para transformar seu pensamento unicelular no resumo do Cosmos.
Qualquer modalidade de manipulação é desonesta e indigna, não importa se disfarçada ou feita às claras. Entenda-se por manipulação a indução de outrem a fazer o que não deseja mesmo em nome de um suposto benefício, como a aproximação de pessoas que só é vantajosa para um dos lados. Esse tipo de artifício – conhecido por “armadilha” – não está buscando levar um bem aos envolvidos, mas atender um interesse pessoal onde o manipulador é que se vê desconfortável se mantida a situação vigente, enxergando no resultado de sua ação um duplo ganho: resolver o próprio problema e ainda passar por “bonzinho”!
– Eu não estaria aqui agora não fosse alguém se ter posicionado contra os seus para livrar-me do abismo em que eu mergulhara.
– Alguém que se coloca contra a própria família para defender um estranho não me parece uma pessoa confiável!
– E você supõe confiável quem se apóia no sangue para fechar-se à constatação da ignomínia?
Não espere que pessoas lúcidas e sensatas também não cometam falhas pelos motivos mais idiotas ou até ridículos. Mas se precisa de uma referência para usar como termômetro, as que o fazem por falta de caráter nunca ficam vermelhas.
Se você continua figurando entre os contatos com livre acesso ao que publico saiba que não é por acaso. Eles jamais são escolhidos por critério de quantidade, mas de qualidade: ou integram o grupo dos que possuem um espírito tão libertário e combativo quanto o que trago em mim, ou o tem tomado por uma natureza tão íntegra que lhe permitirá um dia transformar-se em alguém que o possua, ou então compõe o grupo dos que não despertaram e até mesmo nunca o farão, e daí precisa saber que existem muitos opondo incansável resistência ao tipo de idéia que você defende!
O que muitos não conseguem entender é o parâmetro que diferencia o libertário dos que nunca chegarão a sê-lo. Por definição, ele não é uma dessas pessoas que aceitará o mundo como o encontrou, principalmente quando agride princípios e valores norteados pelo bem comum, dos quais deve ser parte indissociável. Assim, enquanto seguir buscando pelo lhe dê alguma vantagem sobre seus iguais, não será um deles, pois que a liberdade nunca será privada, e só se faz legítima quando estendida a todos. E não lhe será exigido abrir mão de sua humanidade para sentir-se “a caminho da iluminação”, podendo conviver com seus múltiplos defeitos desde que entre eles não se inclua o de tentar prejudicar outro ser vivente, nem o espaço ocupado por eles para usá-lo em conformidade com o que seja melhor para ele próprio.
Passei muito tempo me culpando por não conseguir devolver o gostar de alguém que demonstrava me colocar acima de qualquer outra pessoa, até me perceber preferindo aquelas que estendiam seu amor a todas as outras, pois quando o direcionam apenas a mim não é porque sejam realmente boas, mas por querer exercer egoisticamente o seu direito de preferência.
O problema do rebanho não é se mostrar equivocado em alguns momentos, mas o de que basta possuir uma único cérebro idiota a integrá-lo – e a regra é que haja muitos – para que todos os outros se projetem com ele ao fundo do precipício.
Quem escreve gosta de fazê-lo para os que pensam, não para os que juntam letras para formar palavras.
Quando me perguntam porque não voltei a me casar fica difícil explicar que isso se deve ao meu senso de justiça. O fato é que adotei para mim uma forma de vida tão simples e austera que não seria justo impô-la a outra pessoa, a menos que eu não gostasse dela. Mas como não conseguiria me unir a quem não gostasse, a única opção que sobra é poupar a nós dois.
A ciência do autodomínio consiste em não subestimar os riscos, mas sem mergulhar em paranóia, e a do equilíbrio é ser cauteloso sem contudo se ver como uma ilha cercada de ameaças por todos os lados.
Existem dois tipos de pessoas que nunca se mostrarão indispensáveis: aquelas que não fazem o indispensável e as que só fazem o indispensável.
