Nao Alimentar Esperancas
Que toda energia negativa que chegar até aqui tome o caminho de volta! Aprendi que não se deve ficar com o que é dos outros!
Ódio?
À Aurora Aboim
Ódio por ele?Não…Se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida roubei todo o encanto…
Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
Turva o meu triste olhar, marmorizado,
Olhar de monja, trágico, gelado
Como um soturno e enorme Campo Santo!
Ah! Nunca mais amá-lo é já o bastante!
Quero senti-lo doutra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!
Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não…não vale a pena…
Florbela Espanca - Livro de Soror Saudade
“Não possuo nenhum segredo de beleza. Nem secretamente. Meu único cuidado é escovar os dentes.” (Revista Atrevida, 12/2002)
" Sou daqueles que, se você não fizer 36 polichinelos na minha frente, com uma placa “eu gosto de você” pendurada balançando no pescoço, jamais terei certeza. "
PROPOSTA INDECENTE
Por favor,
não me tire
de suas
más intenções
e nem
de suas
fantasias
mais
escandalosas!
Te prometo
todos os meus carnavais
e meus pecados
mais
carnais!
Proponho
que me deixe
em sua vida
até que eu lhe convença
que sem mim
não há como
viver
mais!
Aquilo com que não estou satisfeito, dificilmente consigo julgar apto a ser comunicado a terceiros, especialmente na filosofia natural, onde o fantasiar é interminável.
Gazel do Amor Desesperado
A noite não quer vir
para que tu não venhas,
nem eu possa ir.
Mas eu irei,
inda que um sol de lacraus me coma a fronte.
Mas tu virás
com a língua queimada pela chuva de sal.
O dia não quer vir
para que tu não venhas,
nem eu possa ir.
Mas eu irei
entregando aos sapos meu mordido cravo.
Mas tu virás
pelas turvas cloacas da escuridade.
Nem a noite nem o dia querem vir
para que por ti morra
e tu morras por mim.
Quando os gatos dominarem o mundo, não existirá carros nem ruas, portanto, não terão animais mortos no asfalto quente. Existirá imensas calçadas. Quando os gatos dominarem o mundo, os ratos serão os gatos, que caçarão os humanos maus que serão os ratos. Os gatos serão donos dos humanos que eram donos dos gatos, e assim os humanos irão descobrir como é bom ser protegido e amado pelo dono. Quando os gatos dominarem o mundo...
Não desperte nos outros algo que você não pretende corresponder.
Não use o potencial de quem te ama em proveito de si próprio.
Não brinque com os sentimentos alheios.
Não seja covarde.
Desculpe por ser tão antissocial. E me desculpe por não saber expressar o que penso. Me desculpe por não saber responder a sua pergunta. Sou capaz de escrever belas palavras em letras, mas não por palavras. Desculpe parecer um débil mental na forma de agir e pelo meus espasmos. Desculpe por ser diferente dos demais homens. Mas aqui falo o que realmente sofro aos meus alunos e conviventes: eu tenho síndrome de Asperger. Apesar de sentir desprezo por isso, é melhor expor logo. É, ninguém é perfeito. Mas estou tratando já faz sete anos. Tenho me controlado bem.
Química... Ouvi falar que algumas pessoas a têm. Uma atração que não pode ser quantificada ou explicada. Será a razão por trás disso? Perda de controle. Talvez haja algo que eu possa fazer, para haver um modo de negar o que ela provoca em mim. E agora?
Não se conquista uma mulher com flores, a não ser que elas venham com atitudes verdadeiras. Porque as flores murcham, mas as atitudes ficam para sempre.
Eu sou um homem muito simples. Não preciso de muito para me sentir satisfeito. Desde que eu tenha um teto sobre minha cabeça, uma TV, alguns discos, dinheiro suficiente para sair e encher a cara e botar umas tetinhas na minha boca, estou plenamente feliz.
Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Eu aceito as minhas escolhas. Espero que a Hazel aceite as dela.
O Perdão e a Promessa.
Se não fôssemos perdoados, eximidos das consequências daquilo que fizemos, a nossa capacidade de agir ficaria por assim dizer limitada a um único acto do qual jamais nos recuperaríamos; seríamos para sempre as vítimas das suas consequências, à semelhança do aprendiz de feiticeiro que não dispunha da fórmula mágica para desfazer o feitiço. Se não nos obrigássemos a cumprir as nossas promessas não seríamos capazes de conservar a nossa identidade; estaríamos condenados a errar desamparados e desnorteados nas trevas do coração de cada homem, enredados nas suas contradições e equívocos - trevas que só a luz derramada na esfera pública pela presença de outros que confirmam a identidade entre o que promete e o que cumpre poderia dissipar. Ambas as faculdades, portanto, dependem da pluralidade; na solidão e no isolamento, o perdão e a promessa não chegam a ter realidade: são no máximo um papel que a pessoa encena para si mesma.
Hannah Arendt, in 'A Condição Humana'
