Nao Acabou pra Mim

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O valor de uma pessoa depende do que ela é, não do que ela faz, ou quanto ela tem. O valor de uma pessoa, ou uma coisa, ou uma idéia, é ser, não fazer, ou ter.

O que sou não passa de uma preparação do que serei.

Se fazes o bem para que te o agradeçam, negociante és, não benfeitor; cobiçoso, não caritativo.

O que desculpa Deus é o fato de Ele não existir.

Não fale mal de alguém se você não tem certeza; e se você tiver, pergunte-se por que está falando isso.

Não há nada que determine mais o que seremos do que as coisas que optamos ignorar.

O mundo não poderá tomar um novo caminho se não conseguir uma união íntima da técnica e da moral.

Muitas vezes digo à vida: não me dês tanto, para que não me possas levar tanto.

A morte não é um mal: porque liberta o homem de todos os males, e ao mesmo tempo que os bens tira-lhe os desejos. A velhice é o pior dos males: porque priva o homem de todos os prazeres, deixando-lhe deles todos os apetites; e traz consigo todas as dores. Não obstante, os homens temem a morte e desejam a velhice.

A razão, sem a memória, não teria materiais com que exercer a sua atividade.

O poder não é prova suficiente da verdade.

Hoje, não se sabe falar porque já não se sabe ouvir.

Na hora que você pega na bola, se você não sabe o que fazer com ela, tente outro esporte.

As mulheres bonitas não sabem envelhecer, os artistas não sabem sair de cena quando é tempo: ambos estão errados.

A cultura é uma muleta com que o coxo bate no são para mostrar que também a ele não faltam as forças.

Não sei teus gestos
nem a cor do teu sorriso
mas pressinto os passos.

Não é verdade que o sofrimento enobreça o espírito; por vezes a felicidade fá-lo, e o sofrimento a maior parte das vezes torna os homens mesquinhos e vingativos.

Canção de Primavera

Eu, dar flor, já não dou. Mas vós, ó flores,
Pois que Maio chegou,
Revesti-o de clâmides de cores!
Que eu, dar, flor, já não dou.

Eu, cantar, já não canto. Mas vós, aves,
Acordai desse azul, calado há tanto,
As infinitas naves!
Que eu, cantar, já não canto.

Eu, Invernos e Outonos recalcados
Regelaram meu ser neste arrepio…
Aquece tu, ó sol, jardins e prados!
Que eu, é de mim o frio.

Eu, Maio, já não tenho. Mas tu, Maio,
Vem com tua paixão,
Prostrar a terra em cálido desmaio!
Que eu, ter Maio, já não.

Que eu, dar flor, já não dou; cantar, não canto;
Ter sol, não tenho; e amar…
Mas, se não amo,
Como é que, Maio em flor, te chamo tanto,
E não por mim assim te chamo?

José Régio
Filho do Homem

O exagero é sempre a exageração de algo que não o é.

Não existe defeito que, com o tempo, numa sociedade corrupta, não se torne um mérito, nem vício que a convenção não consiga elevar à virtude.