Nao Acabou pra Mim
A criança que existe em mim desperta toda vez que lembro de minha mãe, e então, mergulho fundo na bolsa amniótica como se fossem um mar infinito e me firmo no cordão umbilical, e faço dele meu bote de salva vidas e ela sorri pra mim e vai me puxando pro céu...
Ando tão anestesiada do autismo que quando passa a crise, eu pergunto pra mim mesma?
- Já passou? Posso voltar pra sala de recuperação?
IMAGINAÇÃO PUERIL...
Hoje despertou em mim a menina que brincava
de casinha de bonecas e comecei a imaginar…
E brincou?
- Tanto… Que até queria esquecer de voltar…
Quem me perguntou?
- A minha realidade…
VERSOS FLUTUANTES...
E é nesse mundo que habita
em mim que só eu conheço…
que sobrevôo por recantos
indevassáveis e incorpóreos
e flutuo num vazio disperso…
quando retorno vejo apenas
manuscritos de meus versos…
LINHAS DO TEMPO...
Asas invisíveis se debatem dentro de mim, tentando voar pra bem longe essa ventania de conflitos e sentimentos…
Enquanto isso, observo as linhas do tempo na palma da minha mão e fico tentando decifrar essa tempestiva confusão…
OCEANO DE EMOÇÕES...
Pensamentos dispersos
flutuam confusos e em
retroversos de mim aqui
e lá fora….
Enquanto eu não volto
pingos de chuva lavam
meu corpo e minha alma
dentro desse oceano de
emoções que só eu
sinto agora…
Parte de mim se perdeu em ti para que um dia a gente se encontre num passado de outrora ou num presente vindouro ou num hoje de agora e então nos tornaremos um só.
Dentro de um corpo desalinhado acordei e o que vejo e sinto em mim é uma alma totalmente perdida e enleada, aturdida com tantas perguntas sem respostas nessas oscilações mutantes que são uma incógnita dessa vida incrustadas nessas íngremes encostas.
SAINDO DO CASULO...
Agora, sou apenas um casulo de mim mesma onde borboletas se debatem querendo voar, e quem sabe nesse desencontro entre atalhos e reversos eu possa me encontrar.
VAZIO...
Queria escrever algo, mas acordei com o pensamento solto e disperso de mim…
Quanto sinto esse silêncio fugidio, não consigo escrever nada, fico oca por dentro e bate um vazio…
É sempre assim!
O PESO DO SER
(Entre o ruído e a desconexão)
Dentro de mim ouço ruídos pesados como chumbo. São nesses gritos, que ecoam um som metálico e se arrastam por dentro da consciência, que o mundo lá fora se apaga. Eles ocupam os espaços onde antes "por lapsos de instantes habitava o meu silêncio".
É uma gravidade particular; cada pensamento que surge não flutua, ele cai, sólido e frio, exigindo um esforço absurdo para ser levantado novamente. Tento traduzir o que dizem essas batidas surdas, mas o chumbo não fala, ele apenas me desconecta, impedindo que eu esqueça o peso de estar aqui.
Viver e conviver assim não é drama; é um estado de suspensão onde não há compreensão, apenas o peso de ser. E mais nada.
Lu Lena /2026
Por mais diferentes lugares por onde vagueiam os meus pensamentos, além de aqui dentro de mim, sempre encontram os teus que acolhem o melhor do meu eu.
