Nada Pior que o Silencio
"Benevolência e sapiência não têm nada a ver com a síndrome de Caim, ou anta, ou deglutir Cururu.
Mas sim com sinuosidade da serpente em vencer o revés sem ferrar ninguém, ou tentando ser homem do sol."
"Não há nada que eu não possa realizar. Enfrentei batalhas marcadas pelas minhas próprias lágrimas.
Tornei-me um ser formidável em minha solidão. Dominei minha mente,
criando um território intransponível.
Assim,
transformei-me em um ser obstinado e poderoso."
"Faça tudo o que te faça feliz.
Mas nunca fale
ou conte nada a ninguém.
Pois a maior desgraça
ou infortúnio do ser humano
é a inveja e ambição."
"Não troque a sua paz por nada.
Aprenda que a qualidade é
melhor do que a quantidade.
Então procure falar com todos,
mas ande com poucos.
Entretanto,
procure acreditar que todas as coisas são possíveis."
"Não há nada ilegal em relação à maturidade.
É uma versão modificada, é verdade,
mas inteligente em excelência e plenitude.
Biopsicossocial e culturalmente em mutação.
A bronca é chegar lá."
"Sou resultante da superação. De vários eventos que sobrepujei.
Nada é fácil, e em cada cicatriz houve somatório de várias palavras que me ensinaram a lidar com dor, decepção e com o maldito silêncio de quem eu nunca esperei. Meus desejos, minha necessidades. Mas continuo a seguir os rastros do invisível."
arraigada
Nada que eu fizesse antes...
Nem flores, nem diamantes,
Nada que eu desse...
Primavera ou paraíso,
Nada que eu prometesse...
Paixão ou amor,
Nada que eu cantasse...
A emoção de olhar e querer,
Nada que me encantasse...
Tempestade ou lágrima,
Nada que eu morresse...
Nada que me matasse
Como o silencio indiferente
Nada que me dizimasse
Como se jubilasse
Diante da presença vil
Do estafeta de perfil marginal,
Nada lhe faria ver a luz do dia
Arraigada nas trevas do que lhe saciasse
Procurando a felicidade, como um ancião
Procura os óculos, que está na sua face...
QUASE
Quase nada é esse vazio,
Esse fenecer, esse desfalecer,
Quase nada é esse Quasímodo
Emergindo do lago,
Qualquer que seja o motivo,
Quase, não chega a ser imperativo,
Quase não é um quasar,
Um buraco negro, um negro no buraco
Um jaguar, qualquer jacaré
Quase um beijo,
Não é uma história de amor ...
Um percevejo,
Quase que eu não percebo... quase.
Esse vazio é um cadafalso,
Quase um falso, em cada palavra
E a corda aperta o pescoço...
Até que eu flutuo
Insustentavelmente leve, quase brisa...
ALGO QUE PULSE
Às vezes você me olha
E eu penso que nada é exatamente nada
Até que que se explique, se desfaça, se dissolva
Ou se resgate algo que pulse
Às vezes você me olha,
E eu não disponho de algo que aborde
Aceite ou pelo menos caiba tanta emoção
Sem agredir o que resiste do que é quase morto em mim
Ás vezes você me olha
E a minha transparência , suposta capacidade que me atribui
A tua proximidade, de mostrar o outro lado
Ou de transpor o translúcido
Para atingir o espírito, sem molestar a matéria
Para mostrar que apenas as vezes você me olha...
EMBARCAÇÃO
Nem tanto assim,
Os meus delírios são só meus,
É um refúgio,
Nada mais que enganar a ilusão,
Eu aprendi a ser assim fugidio,
Mais fugaz, que vagabundo e vadio
Pra escapar da paixão,
E se as vezes me sinto sozinho...
É solitude não é solidão,
Nem tanto assim...
Este deserto é plantação,
Nos descampados eu tenho o meu teto,
Nos absurdos percebo o que é sábio,
Bússola e astrolábio é este vazio,
Neste deserto sou embarcação...
Estar bem perto de nada é um deserto
Estar do outro lado da lua é uma incógnita
Estar do outro lado da rua é um ponto de vista
Do outro lado da vida não há visita,
Está bem perto de tudo é um sonho,
Do outro lado do sonho tem favelas,
Tem chinelas de dedo, tem o medo, tem balas perdidas
Do outro lado tem a avenida Brasil
Rápida e inconsumível
Do outro lado da avenida Brasil
Tem o mundo tem a novela
Tem Carminha na arte da vagabundagem...
Do outro lado a turma do plin plin...
Nada mais que eu diga
mudará nossos destinos
nada mais que eu faça
mudará o sentimento
meu melhor momento
é me sentir bem pequenino
tua ausência é o meu maior tormento
Já fui feliz um dia
ou pensei que era
mundo de fantasia,
mundo de quimeras
agora sigo aflito nessa ansiedade
só o instante da tua presença traz felicidade
Sempre soube que não poderia viver sem você
Que minha vida nada significaria sem você,
Sempre soube que precisava do seu olhar
Como um farol a me orientar,
Sempre soube que sua voz seria o meu consolo
Que seu sorriso seria meu bálsamo
Sempre soube que o teu amor
Seria o alimento pra minh’alma e pro meu corpo
Sempre achei que tua presença era a minha vida
E que sem ela eu não viveria...
Como me enganei!...
O QUE É O AMOR
nada do que disseram antes
nada do que dirão depois
nada do que calaram sempre,
nada do que bradaram os profetas
nada do que foi promessa
nada do que negaram sempre,
nada do que cantaram os poetas,
nada do que calaram os céticos
ouça com o olhar
apure o paladar
tenha sessenta sentidos
veja com a audição
nada do que disseram antes,
nada do que dirão depois
escute a videira, o farfalhar sob os seus pés
e colha o arroz...
o que penso que quero saber
é saber dessas coisas que nada sabem
porque florescem os cactos em meio a tantos espinhos
porque tulipas florescem tão próximo às urtigas
essas coisas que a gente pensa que nada sabem
e não sabemos que o sapo conquistou o universo
e ele nem quer saber como soletrar insetos
tem um jogo de língua, e se alimenta de asteróides
mas não quer saber...
saber como o peixe palhaço se caracterizou
mas imagina a sereia com aquela cauda
a fauna se apaixonou
e surgiram cavalos marinhos, peixes-bois
peixes leões, os bichos invadiram o fundo do mar...
mas quem quer saber disso
saber é o inverso do inverso do reverso da ignorância
saber saber é ignorar a ignorância...
a serpente rasteja, é cega e no paraíso enganou Adão e Eva
então se descobriram despidos...
sem saber que aquilo era paixão
mas o que eu penso que quero saber
é saber exatamente o que não quero
