Nada Pior que o Silencio
Silêncio ou palavras
têm todo poder:
tanto influem quanto castram;
tanto ferem quanto curam;
tanto salvam quanto matam.
No silêncio da madrugada
Vejo o tempo passar
Olho e você não está
Vou sair para te procurar
Ando de lá para cá
E não consegui te encontrar
Onde você está
Não sei onde procurar
Volto para casa
E fico no mesmo lugar
E se voltar um dia
Saberá do seu lugar
Que eu deixei
Para te amar ......
Pedido -
Não me peças calma nem virtude,
nem pausa, nem silêncio. Que me dói a Alma,
que me dói o coração, profunda inquietude
na distância de quem ama!
Que meu corpo sobre o teu, num enleio,
procura amar o teu amor,
procura um porto no teu seio,
uma chama, um calor ...
Que na doçura dos sentidos
trocamos promessas e ensejos
entre gritos ressentidos ...
Tantos versos escritos e não lidos,
tantas horas tristes de desejo,
tantos homens por amar, perdidos ...
" Os tolos desdenham até do eloquente silêncio, pois tudo, além do adaptável ermite uma mensagem. "
Na engenharia das cores,
o silêncio era chama úmida,
havia uma voz do vento
um poço de milagres, ao tempo
E, em cada momento,
eu via, Jesus passar...
.
Dizia, o viajante
Não Sei -
Não sei porque te espero eu já não sei
silêncio é para mim nocturno tempo
não quero nada amor do que te dei
deixa que te cante este lamento.
Não sei porque te amei eu já não sei
desde aquela hora em que te vi
não sei se te quis ou inventei
só sei que te não tive e que te quis.
Há palavras que nos turvam o olhar
no triste caminhar de uma ilusão
um amor que a cada dia faz penar
é amor que já esqueceu o coração.
É tudo tão diferente ao que eu sonhei,
brutal, o teu silêncio é solidão
não sei porque te amei eu já não sei
só sei que já calei meu coração.
Eco de Saudade -
Sou pedra de silêncio sem sentido
um eco de saudade pela rua
a sombra de um passado, ressequido,
ausência, meu Amor, mas sempre tua.
Sou um longo xaile negro d'ilusão
aos ombros de um destino que é o meu
ó Deus o que será de um coração
que tanto se entregou e se perdeu?!
Duas vidas tão unidas, separadas
dois seres que se amaram, sem sentido
duas Almas incompletas, mal-amadas
dois amantes sem destino, proibidos.
Meus olhos já nem choram esta dor
meu canto já vacila nestes versos
já não sei o que fazer a tanto amor
perdido na carência dos desejos.
Talvez um dia oiças, quem me dera,
o Fado que hoje canto à despedida
de ti meu coração já nada espera
amor que tanto amei além da vida.
Não sei porque te espero -
Não sei porque te espero eu já não sei
silêncio é para mim nocturno tempo
não quero nada amor do que te dei
deixa que te cante este lamento.
Não sei porque te amei eu já não sei
desde aquela hora em que te vi
não sei se eu te quis ou inventei
só sei que te não tive e que te quis.
É tudo tão diferente ao que eu sonhei
brutal, o teu silêncio é solidão
não sei porque te amei eu já não sei
só sei que já calei meu coração.
Não sei porque se foi, porque partiu,
não sei porque partiu o meu Amor ...
Eu, Évora e a Solidão -
É noite … Évora faz silêncio.
Caminho-a na penumbra,
meio triste, meio esquecido …
Sozinho, em direcção, não sei de quê – vou!
E vou em vão! Ou não! Talvez vá, bem sei …
Mas indo irei eu a parte alguma?!
Não sei! A parte incerta irei, por certo!
Mas irei … irei … Que os meus cansaços
não me turvam, nem me toldam,
nem dominam! Irei! Irei!
Caminhando pela umbra … vou além …
onde não cheguei ou alguém foi.
A avenida, o Hospital, carros a passar,
um caminho sinuoso por passeio,
árvores sem copa, folhas, tantas folhas -
secas - pelo chão … que piso!
Triste quadro. Minha vida. Pobre vida.
Eu, tão grande, “doente”, a pé, só,
por caminhos, tristes, sem tectos,
caminhando sobre folhas, secas,
esperanças fugidias … sou eu! Sou eu!
Um ser obsoleto! Alguém que sobra!
E é noite, cerrada – madrugada, infeliz.
Só eu e nada, Évora e a minha solidão.
Eu, meu coração, Évora e este “chão”...
E piso a noite, passo,
num passar que pisa a solidão.
E piso a vida, vou,
num ir que parece ser em vão!
Mas vou … E nunca, nunca aprendi a existir!
Esta dor de fora fáz-me exacto por dentro! Só ela!
E isso que vos importa?! Nada! Digam-no!
Das mãos de Deus o aceito, de vós o aceitarei,
sem reservas ou lamentos,
que tudo tem seu jeito! Terá?!
Quem sabe?! Tenho que ir …
se o quero saber, terei que ir …
deixando p'lo caminho os “corpos” de toda gente.
E dói-me o meu destino …
Não posso esperar por ninguém!
Pois não posso estar morto quando a morte vier!
Quero que ela mate em mim um vivo!
Por isso, vou, e deixo os “mortos” no caminho.
Os meus mortos!
Que estando vivos, são mortos! Mortos!
Meu caminho é por mim, é em mim,
por mim fora, de mim a mim …
E quem quererá ouvir ou entender
este espírito de coragem?!
Quem?! Onde?! … Se eu próprio o não entendo!
Se eu mesmo o não desvendo e desprezo!
E vou … indo … em frente …
Sequer olho para traz, que a saudade,
rói meu pensamento,
transformando coragem de ir, só,
em medo, ausência e lamento!
Não serei a estátua de sal das escrituras …
E não olho … não olho … e vou … e irei … sempre …
Em frente! Só! Em frente!
Um cansaço mental me deixou em silêncio diante da falácia de um tolo que saiu gabando-se de ter-me vencido...
Eu já me revoltei contra o silêncio. Já dei muitos tapas na ignorância. Já lutei contra a inércia. Nunca entendi a apatia. E me recuso a aceitar a submissão.
Silêncio,
A mente pede silêncio,
O corpo precisa de descanso,
Não existe mais depois,
O relógio parou e o tempo nunca existiu.
Hora de juntar os cacos, arrumar a casa e varrer as poeiras.
Não existe mais justificativas,
Não existe mais refrão,
Nada embala o som do coração,
Não existe mais ideologias que não tenha sido compreendidas.
A hora do adeus chegou e essa é a minha partida.
De tão intenso, o coração derramou todo sangue e por falta de amor , desacelerou e morreu.
Hoje preciso ouvir o silêncio do céu,
Nada é urgente .
E o coração agora vai descansar.
Não expresso tudo o que sinto e nem falo tudo o que sei, refletindo em silêncio, escrevi o que pensei.
