Nada Pior que o Silencio
A mente hiperconectada esqueceu como se escuta. O silêncio virou luxo — e a presença, um ato de coragem.
Reflexões do livro Pega Leve — porque saber desacelerar, às vezes, é um ato de coragem.
Eriec e seu silêncio...
todo mundo fala
do perigo que vem
mas quase ninguém vê
o que já mora no bolso
temem as máquinas que pensam
mas não temem os dedos distraídos
que matam em silêncio
com um “só um segundo”
o futuro assusta
mas o presente... anestesia
enquanto a vida passa
no reflexo da tela
todo mundo critica o novo
mas quase ninguém questiona o velho
que já virou hábito
mesmo quando sangra
e se o problema não for a máquina?
e se for o piloto que não olha pra frente?
ou pior — que olha,
mas finge que não vê?
porque pensar dói,
e assumir... mais ainda
então seguimos:
acusando espelhos
pra não encarar a própria imagem
Ante ao teu silêncio audível
Abarquei-me de tudo aquilo que
Já era repugnante para mim
Distanciei-me
Amei-me.
vts-24/05/25
Ao reparar no silêncio respeitoso que se manifesta quando uma pessoa de idade chega em algum local e observar como as pessoas abrem passagem para ela, demonstrando respeito e sincera consideração, percebo, aliviado, que nem tudo está perdido neste mundo.
O silêncio expressa melhor a sabedoria do que as palavras e nos faz enxergar melhor os verdadeiros valores de uma pessoa. O silêncio preserva a fragilidade de uma personalidade e a conecta com seus valores e caráter autênticos, trazendo respostas e significados às perguntas que nunca foram formuladas.
Amor em Silêncio
Renovo-me em ti a cada amanhecer,
quando teus olhos — simples luz —
revelam o mistério que só o coração entende.
És morena, doce miragem,
onde minha alma repousa e se perde.
Teu corpo, suave estrada dos meus sonhos,
me conduz por caminhos sem mapa,
em busca de uma perfeição
que só tua voz sabe desenhar no ar.
É proibido, eu sei —
mas não há força mais pura
do que esse desejo que me toma
quando lembro do teu riso contido,
do toque que nunca tive, mas sinto.
Vives em mim como brisa e tempestade,
lembrança e futuro,
e mesmo ausente,
és o alicerce invisível
que sustenta meus dias.
Mais vale o silêncio do justo do que mil vozes que gritam em vaidade, pois Deus exalta aquele que busca o saber no segredo da oração.
O amor que espera retorno é comércio; o que permanece, mesmo em silêncio, é semente de eternidade. Só ama incondicionalmente quem já morreu para o orgulho. O amor sem condições não busca se completar no outro, mas transbordar dele.
Morrer não é o fim: é apenas o regresso ao silêncio, com as pegadas do mundo ainda gravadas na alma.
Silêncio Sagrado da Saudade
Nem SEMPRE a alma acompanha o ritmo das festas, mesmo quando há gratidão e alegria guardadas no coração. Hoje, meu passo é mais lento, o olhar mais profundo…
Recebi a notícia da partida repentina de uma amiga muito querida. E com ela, veio o silêncio.
Um silêncio que não é vazio — é sagrado.
Um silêncio que carrega memórias, orações, e aquele aperto no peito que só a saudade sabe causar.
É nesses momentos que percebo como a vida é frágil… como cada encontro é um presente divino, e cada despedida, uma entrega difícil aos cuidados de Deus.
Mesmo gostando de celebrar a vida e estar com boas companhias, hoje escolho a quietude.
Hoje, permito que o silêncio fale por mim.
Porque sei que Deus também habita o silêncio. Ele acolhe minha dor, acalma meu coração e, aos poucos, faz brotar consolo em forma de fé.
Sigo… com gratidão, mesmo em meio à ausência.
Porque sei que, em breve, a energia volta, o sorriso reaparece, e a vida — com toda sua beleza e mistério — floresce mais uma vez.
Para você que veio até aqui em busca de palavras de consolo,
E que esse “Silêncio Sagrado da Saudade” continue sendo espaço de consolo, fé e presença de Deus para você também.
Um abraço cheio de paz no seu coração.
Salmo 30:11-12
Tu trocaste o meu lamento em dança; desfizeste o meu pano de saco e me cingiste de alegria, para que o meu coração te cante e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te darei graças para SEMPRE.
Com fé e gratidão,
Geórgia Palermo 💐
Amém!
Depois da tempestade
Estava em silêncio, descalça e sem defesas, perdida no mundo que construí para suportar o que não entendia. Demorei a enxergar, mas quando a sombra se projetou sobre mim, não tive mais como fingir. Me afastei com o pouco de força que ainda restava. No meio do vendaval que quase me arrancou de mim, vi o que era real. Quando já não havia mais nada entre eu e a verdade, você atravessou meu caminho. Foi no meio da rotina esquecida, entre dias vazios, que eu permiti. E mesmo com as defesas erguidas, mesmo atrás dos meus óculos cansados, eu via você. E você, de alguma forma, também me via. O tempo, sempre implacável, passou. E depois do silêncio, vieram palavras que atravessaram os muros que eu pensava serem intransponíveis. Você se abriu, e eu vi a sua essência nua, crua, sem filtros, imperfeita e humana. Eu amei você, não pelo que imaginei, mas exatamente por aquilo que nunca tive. Amei a sua verdade e a minha coragem de sentir. Hoje, em meio à ruína e à saudade, é por essa essência que eu espero. Mesmo que a tempestade leve tudo, ainda estarei aqui.
O verdadeiro silêncio não é a ausência de som, mas a presença devastadora de tudo aquilo que jamais ousamos dizer.
