Nada Pior que o Silencio
Sentado em silêncio, o velho a pensar,
Com a mente cansada de tanto esperar,
No rosto marcado, um traço de dor,
Carrega no peito um profundo clamor.
As contas nas mãos, deslizam sem fim,
Cada nó, um segredo guardado em si,
O tempo que passa não traz mais razão,
A vida esculpida na pura solidão.
O olhar vazio, perdido em si mesmo,
Parece buscar algum outro enredo,
Mas o peso do mundo o faz inclinar,
A alma se curva, sem forças pra andar.
Talvez seja a espera por algo que vem,
Ou memórias antigas de alguém que se tem,
Na quietude da pose, o cansaço revela,
Uma história profunda que a vida desvela.
Cores vibrantes, contraste feroz,
Mostram o grito que não tem voz,
E o velho sentado, em meio ao torpor,
É o retrato da vida, em busca de amor.
Janeiro
“A verdadeira evolução ocorre quando desafiamos o silêncio das nossas certezas e permitimos que a sabedoria nasça do diálogo entre nossos conflitos internos.”
"Cada momento de silêncio é uma oportunidade para ouvir os ecos das decisões que moldam nossa jornada."
O silêncio que invade os ouvidos dos homens em tempo de paz, não se deve confundir com a alma dos mortos que vagueiam pela terra.
O silêncio é uma arte de luz que ilumina a nossa mente mesmo quando torcidos pelo sono, somos seres conscientes despertos pelo eco da nossa mente.
O barulho que me cala a alma ama o silêncio e essa liberdade que só a solitude é capaz de proporcionar-me.
O Silêncio que Fica
No silêncio das noites sem voz,
Onde o eco do riso se apaga,
Fico só, com a saudade feroz,
E o vazio que em meu peito naufraga.
Os amigos partiram no vento,
Como folhas caídas no chão,
E eu, prisioneiro do tempo,
Sigo preso à minha solidão.
O amor, que um dia brilhou,
Hoje é estrela distante, sem cor,
E aqui, onde tudo parou,
Resta apenas o peso da dor.
Mas entre sombras e ausências,
Talvez haja um novo amanhecer,
E nas margens da minha paciência,
Quem sabe, eu volte a renascer.
Pois a solitude é escolha cruel,
Mas no fundo há algo a ensinar:
Que mesmo no vácuo de um céu,
Ainda podemos voar.
Um coração magoado chora em silêncio,
Coberto de lágrimas que caem ao vento.
No outono sombrio, as folhas se vão,
Levando consigo a última ilusão.
O frio se instala, endurece a paixão,
E o amor já não encontra mais chão.
As flores murcharam, o riso calou,
A primavera, quem sabe, nunca chegou.
Mas no ciclo da vida há sempre um renascer,
Mesmo no peito que teme sofrer.
Sob as cinzas do outono, a esperança refaz,
E um novo amor brota na estação da paz.
Silêncio na Porta Fechada.
Pai, por que não batestes na porta?
Nós esperávamos ansiosos por ti.
No vazio da noite restou o silêncio.
O som mais cruel que ouvi.
Saudade! Do sorriso no teu rosto cansado.
Do toque das tuas mãos calejadas em mim.
Caístes do quinto andar pai,
Não voltastes do trabalho sem fim.
Por que não gritastes o perigo da obra?
Um trabalho sem dignidade, sem proteção.
Nem sequer te treinaram pai.
Restaram as marcas do teu sangue no chão.
Pai, que teu nome seja lembrado,
Não como um número em uma estatística fria,
Mas como o grito do filho que não pode mais esperar,
Que a porta se abra ao final do dia.
