Muros
O amor é uma prisão sem muros que eu possa ver, mas cujas correntes sinto em cada batida do coração. Ele me prende a você desde os meus vinte anos, e mesmo após dezenove invernos separados, nenhuma distância conseguiu enfraquecer sua força. Pelo contrário, ela cresce dentro de mim, feroz e silenciosa, como um fogo que queima e ilumina, me mantendo vivo e, ao mesmo tempo, aprisionado.
Cada lembrança sua é um sussurro que ecoa pelos corredores dessa cela invisível, cada memória um muro que nunca consigo transpor. A dor é intensa, mas nela há uma lição escondida: aprender a amar sem possuir, a sofrer sem me quebrar, a sentir sem esperar reciprocidade, a existir plenamente mesmo na ausência. É um aprendizado cruel, mas sagrado, e a prisão se revela como uma escola silenciosa.
O destino inscrito nas estrelas nunca quis que estivéssemos juntos; ele quis que eu me confrontasse com minha própria alma. Saturno me ensina a esperar, Plutão me força a me transformar, Netuno me revela a beleza de um amor que transcende a razão. E assim, lentamente, a dor se torna consciência: o amor que me prende também pode me libertar, desde que eu aprenda a aceitá-lo tal como é.
Aceitar que não posso tocá-la, que não haverá reencontro, que não há espaço para a posse. Aceitar que este amor eterno é também uma lição eterna, que ele existe para me ensinar sobre mim mesmo, sobre a intensidade, sobre a profundidade de sentir sem limites, e que, paradoxalmente, a maior liberdade se encontra dentro desta prisão.
O amor é uma prisão que me prende a você, e, ironicamente, é nela que me descubro inteiro. Mesmo carregando um sentimento que nunca será correspondido, mesmo sentindo a ausência como um abismo, percebo que posso viver, que posso crescer, que posso me transformar. A prisão não me destrói; ela me revela. E assim, aprendo que amar para sempre, mesmo sem ter, é a forma mais pura de eternidade.
Liberdade Interio
A maior prisão do ser humano não é a de muros, mas a das feridas que ele insiste em carregar. O perdão é a chave que liberta a alma, abre horizontes e nos permite caminhar leves.
— Bispo João Xavier
Visita no Cárcere
Entre muros altos, grades e vigias,
Chega ela, frágil, sob o sol que ardia.
Na bolsa, um pão duro, um doce, um afago,
Carrega o peso de um profundo estrago.
O olhar procura, entre rostos fechados,
O filho amado, dos caminhos errados.
Encontra-o ao fim, pálido, cabisbaixo,
Um corte no rosto, um silêncio no espaço.
Separados pelo vidro frio e grosso,
As mãos se buscam, num gesto forçado.
A voz, através do telefone embaçado,
Treme: "Meu filho... como estás? Tive pressa..."
Ele baixa os olhos, vergonha profunda,
Enquanto ela vê a ferida, a juba desgrenhada.
"Trouxe teu bolo...", a voz quase sumida,
"E rezei, meu menino, por tua vida."
Lembra o colo quente, a mão pequena na dela,
A infância leve, sem sombra de cela.
Agora, o abraço é feito de saudade,
E de uma dor que corta como espada.
Fala de casa, do irmão, do cachorro,
Do céu lá fora que ainda é o mesmo.
Fala baixinho, com medo do erro,
Evita o "porquê", evita o desespero.
"Coragem, meu filho!", sussurra baixinho,
"Um dia isso passa, te juro, caminho...
A mãe tá contigo, onde quer que andes,
Até nestas grades, até nestes andares."
O tempo escoa, cruel, impiedoso,
O guarda avisa, o momento é pesado.
Um beijo no vidro, um olhar que não mente,
O amor mais forte que qualquer corrente.
Ela sai devagar, carregando a dor,
Mas carregando intacto, o maior amor.
Aquele que vence o erro, a queda, a sina...
A sociedade construía muros
e o menino, castelos de esperança;
a sociedade construía viadutos,
e o menino, pontes de ilusão;
a sociedade construía prédios,
o menino, uma cidade de sonhos;
A sociedade construiu escolas,
o menino, o desejo de saber;
a sociedade barrou o menino,
que construiu um coração de pedra.
O menino construiu a revolta,
a sociedade, a prisão.
A sociedade construiu muros
em volta das esperanças do menino,
que nada mais construiu,
foi subtraído s seus sonhos,
que triste destino!
19/11/2015
Muros
Muros… quero construí-los.
Densas nuvens – para tudo ao meu redor escurecer… e tudo esconder.
Quero bloquear tudo o que vem de fora.
Aqui dentro minha alma chora.
Uma ilha me acena.
Quero sair de cena.
Até a eternidade dormir.
Ah! Tudo isso me faria tanto sorrir.
Tava aqui lembrando que muros não constroem amizades e relacionamentos. Na verdade, estes separam ainda mais as pessoas e, até onde sei, precisamos fazer o que é bom pra poder evoluir. Não sei o que é que algumas pessoas poderiam nos ensinar, mas é preciso continuar tentando descobrir, afinal de contas, ser humilde ao lembrar de que não nascemos com opinião formada, faz bem. Além disso, é importante lembrar, principalmente, que o amor é que deve ser o responsável por nos surpreender, não o ódio.
💙
Onecina Alves
Talvez isso seja mais fácil: ficar sozinho. Construir muros em volta. Uma vida solitária sem ninguém para perder. Ninguém para partir seu coração.
A vida nunca será facilmente, sempre terá muros e obstáculos. Mas nem por isso vamos deixar de viver. Sempre temos razões de sobra pra seguir em frente.
Erga a cabeça e acredite que será um dia de luta, mas principalmente de Vitória.
Bom dia!
Construímos muros cada vez mais mais altos, sem nos darmos conta de que as maiores ameaças vem de dentro de nós mesmos e não de fora.
A minha cidadela é de muros de pedra, sem
as janelas que dão asas ao pensamento.
Sinto-me enclausurado.
O amor é algo tão lindo que quando estamos apaixonados queremos escrever nos muros, contar pra todo mundo... que encontramos a felicidade....
Que os muros do tempo
Aprisione as memórias
De uma desejada história
Que não passou de estória
Fantasia da mente
Só existe no pensamento
Sufoca a realidade
Invernia do momento
Com a cara e a coragem
Se apaga a imaginação
Apenas um sonho acordado
Uma grande ilusão
Meu país
Não o vistam de altar,
pois o sagrado não precisa de muros.
O vazio é vasto —
cabe a fé de cada um,
sem que se torne prisão de muitos.
Não o vistam de quartel,
pois a ordem não precisa de correntes.
O vazio é vasto —
cabe a voz de cada um,
sem que se torne grito de comando.
Não o vistam de cerca,
pois a terra não precisa de invasores.
O vazio é vasto —
cabe o chão de cada um,
sem que se torne espólio de guerra.
Fachadas
Prometem com olhos brilhantes,
mas escondem as mãos vazias.
Erguem muros de palavras,
e constroem neles as suas mentiras.
O ouro que exibem é emprestado,
o sorriso, um convite envenenado.
Nos banquetes, brindam com taças cheias,
mas o vinho vem do suor de outros.
Chamam parceria o que é armadilha,
e vitória o que é ruína alheia.
Pisam pétalas para colher aplausos,
e apagam luzes para brilhar sozinhos.
E quando o palco desmorona,
fogem para acender tochas no quintal do vizinho.
Não para aquecer
mas para que ninguém veja o frio que carregam.
Sempre Terceirizam a culpa, se alimentam falando dos outros e nunca olham para si mesmos.
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