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Leônidas Ferreira

Encontrados 6 pensamentos de Leônidas Ferreira

"A obtusidade entrou em erupção..."
Os lóbulos frontais,
campos outrora férteis da razão,
agora soterrados pela lava quente da idolatria.
Milhões assistem, aplaudem, repetem, defendem...
Não pensam. Sentem.
Sentem com o fígado. Pensar dói.

SOCORRO, SOCORRO... TEM ALGUÉM AÍ?
Entre os destroços da lógica e da ética,
há ecos de consciências exiladas.
Vozes roucas pedem lucidez.
Mas o fanatismo grita mais alto.
Cegos por escolha.
Surdos por conveniência.
Presos em bolhas que eles mesmos inflaram.
Políticos passam.
O povo fica.

Meu país

Não o vistam de altar,
pois o sagrado não precisa de muros.
O vazio é vasto —
cabe a fé de cada um,
sem que se torne prisão de muitos.

Não o vistam de quartel,
pois a ordem não precisa de correntes.
O vazio é vasto —
cabe a voz de cada um,
sem que se torne grito de comando.

Não o vistam de cerca,
pois a terra não precisa de invasores.
O vazio é vasto —
cabe o chão de cada um,
sem que se torne espólio de guerra.

Manifesto dos Colarinhos

Sem o varejo da esquina, os colarinhos não brilhariam.
Precisam do primo pobre sujando as mãos,
exposto, caçado, condenado...

Enquanto isso, lá em cima,
os colarinhos se banham em alvejante.
- Brancos.
- Engomados.
-Respeitáveis.

Mas o brilho deles não é pureza —
é o reflexo da miséria de quem sustenta a base.

Que dó do primo pobre...
Nunca mais irá para a esquina,
incansavelmente esperando a carta do judiciário.

A Fé...

Círio de Nazaré chegando,
os pescadores vão logo se ajoelhando,
orando, pedindo com fé,
que da maré ao oceano
não falte gente votando.

De tanto orar,
meu primo Zé
esqueceu de como pescar...

Mas para que se preocupar?
Meu voto está "seguro",
pois tenho minha "defesa".

Com isso, não vai faltar
comida em vossa mesa.

Pode pisar em terras diferentes, vestir-se de um bom casaco de pele mesmo que isso leve a óbito seu dono, tentas impressionar até o teu reflexo em um espelho estático.

“Mas ainda sim... o bode de terno continua sendo um bode...”

O POLÍTICO...
Agora estás diante do julgamento.
Assumiste o comando de um grande movimento, mas carregaste toda a responsabilidade de forma irresponsável, até o ponto de fazê-lo afundar.
Quando chegou a hora da verdade, não estiveste no convés: preferiste resguardar-te, em segurança, enquanto tua tripulação foi jogada ao mar.
Hoje, muitos que acreditaram em ti estão presos, esperando por um gesto, um socorro, um “salva-vidas” — mas tu os deixaste à própria sorte.
Esse é o preço da covardia: inflamar multidões e depois abandoná-las.
Um verdadeiro líder não sobrecarrega nem expõe seu povo, reparte a carga e enfrenta a tempestade junto com eles.
Aprende com o bambu: ele se curva ao vento sem se quebrar, porque sabe que a humildade é mais forte que a arrogância.