Mundo
A angústia começa quando o mundo perde seus nomes habituais e o indivíduo se vê diante da nudez de sua própria existência.
Não somos apenas aquilo que recebemos do mundo, mas também aquilo que, diante dele, decidimos fazer de nós mesmos.
Antes que o pensamento interprete o mundo, os sentidos já o receberam; toda filosofia nasce tarde diante da primeira experiência de estar vivo.
O mundo não é apenas aquilo que concebemos intelectualmente, mas aquilo que tocamos, percebemos, sofremos e habitamos antes mesmo de podermos explicá-lo.
A consciência não paira sobre as coisas como um espectador; ela se compromete com o mundo através da espessura concreta do corpo.
Antes de possuir uma teoria sobre o mundo, já estamos lançados dentro dele, respirando sua presença e suportando sua resistência.
O Direito procura a justiça entre os homens; a ciência procura evidências sobre o mundo. Confundi-los é tão perigoso quanto separá-los completamente.
Quanto mais conhecemos o mundo, mais difícil fica acreditar que ele foi desenhado especificamente para nossa satisfação.
Todo mundo possui virtudes ocultas. O problema é que os vícios costumam encontrar a ocasião primeiro.
O homem não foi lançado ao mundo apenas para contemplá-lo, mas para agir dentro dele e responder pelas consequências de seus atos.
O mundo que conhecemos não chega à consciência em estado bruto; entre a realidade e aquilo que acreditamos ser realidade existe sempre a estrutura de nossa própria percepção.
Mudar o mundo sem examinar a si mesmo é tentar reformar a sociedade carregando intactas as contradições que se pretende combater.
Posso duvidar do mundo, dos sentidos e das aparências; enquanto duvido, porém, permanece uma certeza: há pensamento onde existe dúvida.
A maior conquista não é tornar-se alguém aos olhos do mundo, mas não deixar de ser quem você é para caber nele.
O último território da liberdade talvez não seja o mundo, mas aquilo que ainda conseguimos pensar sem autorização.
A tecnologia modifica não apenas o que fazemos, mas como percebemos o mundo e como o Direito precisa regulá-lo.
Enquanto os homens disputam interpretações sobre o mundo, a natureza continua produzindo seus efeitos indiferente às nossas narrativas.
Nas redes sociais, o indivíduo oferece ao mundo a imagem de sua presença enquanto, silenciosamente, administra a ausência de si mesmo.
