Mulheres que Brigam por Amor
Trago em mim
os dias confusos
de inércia e fogo
preso na garganta.
A carne,
envelhecendo sem pressa
ferida aberta feito flor.
Nas mãos,
alguns amores imperfeitos.
No ventre,
poemas esperando
a hora do parto.
Nos meus dedos,
nós ainda não desfeitos.
Dos olhos escorre um rio
lençol sem leito
dos meus desejos molhados.
Nos meus pés,
duas asas,
borboleta
em constante metamorfose.
No meu colo,
pedaços de céu
e nuvens de algodão doce
espreitam
a revoada dos pássaros,
no nascer dos dias.
Tudo são gestos,
cores,
sons,
sabores,
algumas dores...
uma vigília constante
para não esquecer
do quanto sou humana.
Figura
de
amor
(imper-feita).
ESTE...
Este, o soneto dum amador obstinado
Em que, viveu cada situação da paixão
Tal diz a prosa do coração aprazerado:
Se havia afeto, ele fiel a sua adoração
Este, o verso com sentimento ritmado
Dentre tantos sonhos, rimas de ilusão
Onde d’alma escoa o tom apaixonado
Enchendo o canto de fluida sensação
Este, o tinido sentimentalista profundo
Em que a nota poética, é um fecundo
Apreço, de encontros e de puro ardor
Este, o sentido dum cântico contente
Deste que no amor existe realmente
O qual sabes que és o singular Amor!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
29/09/2024, 12’55” – Araguari, MG
A melhor estratégia para um relacionamento bem-sucedido é sempre agir com a verdade. Se, em algum momento, a verdade ameaçar o relacionamento, agradeça, pois ela se torna também a melhor estratégia para sua vida. Embora a verdade possa doer, causar frustração e afastar algumas pessoas, ela nunca o afastará do genuíno e natural caminho do sucesso, seja no relacionamento ou na vida.
Inexoravelmente, obrigamo-nos a acreditar que antes de tudo, devemos achar a felicidade em nós mesmo para posteriormente pensarmos em partilhar com alguém. Logo, iremos constatar que sensatamente, esse é um paradigma genuíno e por certo incontestável.
Plenitude
Estou plena
De um jeito suave
Que sussurra certezas no silêncio,
que agora sim é um silêncio audível
A intuição, essa velha conhecida,
Me apontou o caminho sem mapas,
Só com a leveza dos instantes
E o peso exato das decisões.
Escolhi minha jornada
Como quem escolhe o vento para guiar o barco
Não sei onde vai dar,
Mas sei que estou no rumo certo.
Há uma paz que nasce da coragem,
Daquela que não aparece nos grandes gestos
Mas no simples aceitar.
Aceitar que o caminho às vezes é escuro
E, mesmo assim, seguir em frente.
Estar bem é isso,
É perceber que há força em cada escolha,
Que há sentido em cada dúvida.
E que a coragem, no fundo,
É apenas um modo de estar em paz.
Paralisia do Silêncio
O silêncio, tão denso quanto a noite, não veio pela calma, mas pelo medo. Ele se instalou nas palavras que nunca foram ditas, nas mãos que não se tocam mais, nas promessas que ficaram no ar, suspensas entre o desejo de acertar e o temor de errar. Cada olhar fugidio, cada suspiro contido, revela uma alma paralisada, sem direção, presa em um labirinto de incertezas.
O silêncio é um campo minado, onde cada passo hesitante pode desencadear uma explosão de dores veladas. Ele é o eco da insegurança, uma muralha invisível que se ergueu entre dois corações que, outrora, pulsavam em uníssono. E agora, o amor que antes era um farol se perde na escuridão, sem saber para onde ir, sem ter para onde correr.
Neste silêncio, há uma busca desesperada por segurança, por não errar mais, por não perder o que resta. Mas, ao mesmo tempo, há o receio de que, ao tentar se mover, tudo desmorone. O silêncio, então, se torna um refúgio doloroso, um esconderijo onde o coração se protege do que não pode controlar.
E assim, paralisados, permanecemos em um espaço onde o medo de perder fala mais alto do que a vontade de encontrar o caminho.
Deus é sua voz interior. Neste sentido, leia-se para o bom entendedor. Deus é você, Deus somos nós. Deus é o todo. Todos os seres de todos os multiversos e multidimensões. O amor que liga e explica tudo.
O Refúgio
Após intermináveis dias de tormento e angústia, onde os medos se enraízam e os traumas se entrelaçam como espinhos na alma, o que mais ansiamos é o aconchego inigualável que só aquela pessoa, com sua essência única, pode nos brindar.
A vida é (sim)
Muito mais que sobreviver
Ou simplesmente existir
Viver é o ato de seguir em frente
Onde quer que você esteja
Com um sorriso no rosto
E amor no coração
Às vezes, somos tão duros com quem mais amamos que esquecemos que também eles carregam as suas próprias cicatrizes.
Procurei essa noite seu cheiro nas perfumarias da cidade. Me coloquei a cheirar todos, porém nada… Nem os mais caros, nem os mais vistosos, nem os mais exóticos.
Voltei para o quarto, e quando encostei a cabeça no travesseiro encontrei, quando tocou aquela música senti, quando vi aquela cena em que a criança sorri para a mãe e ela o abraça com seu abraço mais fraternal, pensei “ela está aqui”.
Teu perfume me abraçou, sua mão invisível me tocou e a voz doce, ressalto, me disse de novo…
- Por que, meu bem, não me fala sobre o amor?
Ele não quis jantar aquela noite,
Resolveu deixar espaço para as borboletas voarem no seu estômago.
Nem um copo de leite, nem um copo de suco,
Nem um copo de nada,
Não quis dormir.
Ele sentou na cadeira com o rangido quase infinito,
Olhou o relógio,
Olhou pra janela,
Olhou nas memórias,
Mas não quis jantar naquela noite.
À sombra de que nem todo clichê é válido,
A certeza iminente do fim,
A raiva por aceitar que: é a vida.
Falta dó impalpável mesmo achando ter vivido cada segundo como se fosse o último .
Olhou pra dentro
Respirou fundo
Tentou achar razão e até cochilar
Mas não quis jantar naquela noite."
