Muda que quando a Gente Muda
como vou explicar para os meus netos
como era viver em uma época que a gente
tinha que pedir desculpa por respirar?
Sinto saudade de muita gente: pais, filhos, irmãos, amigos, parentes distantes, gente que vi apenas uma vez e outros que eu jamais vi ou sei quem é. Só não sinto saudade de Deus.
Na angústia – dizemos nós – “a gente sente-se estranho”. O que suscita tal estranheza e quem é por ela afetado? Não podemos dizer diante de que a gente se sente estranho. A gente se sente totalmente assim. Todas as coisas e nós mesmos afundamo-nos numa indiferença. Isto, entretanto, não no sentido de um simples desaparecer, mas em se afastando elas se voltam para nós. Este afastar-se do ente em sua totalidade, que nos assedia na angústia, nos oprime. Não resta nenhum apoio. Só resta e nos sobrevém – na fuga do ente – este nenhum’. A angústia manifesta o nada.
O mais difícil na morte é acomodar-se a gente aos novos hábitos.
Um dia de chuva é bom para a gente comprar livros de poemas... Quem perguntar por que, de nada lhe adianta comprar um livro de poemas.
Com a adição de mais um dia nos anos bissextos – esse indesejado 29 de fevereiro – a gente sempre desconfia que na verdade foi vítima de uma subtração.
Poesia não é a gente tentar em vão trepar pelas paredes, como se vê em tanto louco por aí: poesia é trepar mesmo pelas paredes.
A gente pinta a vida,
a gente pinta
o que necessário for.
A gente só não permite que o amor
fique sem cor.
_ Sueli Matochi
Dentro da gente moram tantas memórias e tantas pessoas que, às vezes, a gente prefere nem abrir a porta para que nenhuma delas escape do coração.
(*Dos espaços da memória)
Quem mostra o caminho das pedras, toma mais pedrada. A gente só tem que preparar o lombo. Mas, disso a gente entende e estamos calejados.
Às vezes, a gente deixa pra lá e segue em paz, outras vezes, manda logo a pessoa se lascar que ninguém tem nervos de aço. E está tudo bem por isso.
Poemas são coisas que eu invento, as conto para mim, que são
verdades de muita gente! Ainda vira poesia!
