Morto
No amor não existe mal entendido
Só o dito e o mal dito
Escrever uma carta para alguém morto não é amor
É solidão
Também é solidão ameaçar ir embora
Ou mandar embora
É tão igual a morte ...
E dispensa cartas ou palavras
Falar as vezes destrói mais que o silêncio
Me faltaram palavras
Não sei se minhas ou para mim
Sobrou sentimento
Me calei ...
Como se cala no cemitério
Com austeridade
Com paixão
Com palavras
As palavras ferem além do corpo
Menos que a alma
E ficam ecoando na cama vazia
No teto sem luz
Ou no espelho da parede
Toca alguma canção distante
Quase sem palavras
Queria muito escutar poucas palavras
Mas elas não vêem
Ficam presas na garganta de quem as tem
Sendo assim fico em silêncio
E espero
No ambiente de trabalho é mais fácil domar aquele que tem sangue na veia do que ressuscitar um morto.
Milagres visto por um milagre.
Vi o surdo escutar, o mudo falar, o paralítico andar, o morto ressuscitar, tudo isso logo após Jesus na minha vida entrar.
Qual foi o meu milagre?
brasil, 8 de fevereiro de 2025.
a um morto qualquer a quem se aplique,
você foi incrível, blá, blá e blá.
sua trajetória de vida foi linda, blá, blá e blá.
faz falta, blá, blá e blá.
quantos sonhos que nunca serão realizados, blá, blá e blá.
blá, blá, blá e etcetera.
mas a quem temos, a partir de agora, são os outros: flores aos vivos!
ao morto: meus sentimentos!
com afeto,
Era uma caminhada silenciosa todo o peso do morto dividido por quatro ,elevado às presenças e semblantes, às tantas potencias... quem faria tantos cálculos? O orgulho do finado pesaria pelos coturnos de todos os exércitos, multiplicado por todos os pelos do bigode de Hitler e tudo brilharia como os botões do batalhão nazista que venceria a Europa; . mas era uma caminhada silenciosa sem sons metálicos de fuzis ou baionetas, era uma caminhada silenciosa, era uma caminhada silenciosa. Alguém procuraria no fumê do Chanel da viúva, um traço de tristeza na sua roupa preta, nas suas pernas bem torneadas, provavelmente esquecidas na política bélica de estratégia de guerrilha; quem pensaria em guerra diante de tanta beleza? O féretro desceu, desceu a bandeira, uma salva de festim que só tornou depois tudo ainda mais silente. As pernas da viúva tinham prazer pela vida...
PASSAGEM
O que olha, o olhar do morto fixo no teto,
Pensa no aborto no feto,
No filho que seria o prodígio,
Porque os que vingaram,
Envolveram-se com drogas,
O que pensa o defunto?
Pensa no gerúndio do verbo morrer
Pensa nas coisas que deixou de dizer,
Pensa nos abraços que deixou de dar,
Pensa na esposa que deixou de amar,
Pensa no particípio do verbo finar
O que pensa o finado
No féretro fechado
No pranto caindo de alguém preterido
No pretérito imperfeito
E no mais que perfeito
Do verbo acabar
Acabara bem antes do lapso, do colapso
O que olha o olhar do morto,
Num ponto indeterminado,
Pensa no pigarro, na cirrose,
Pensa no enfisema,
Na cachaça que não mais beberia,
No cigarro, que não fumaria ...
O que olha o olhar do defunto,
Germes, vermes em festa,
Por um novo presunto,
A passagem? Alguma paisagem?
Trevas ou luz?
Ou A singular possibilidade de renascer?
A existência parece insistir em ações isoladas, cada qual em seu casulo morto, acreditando que do seco brotará esperança e vida.
ARQUIVO MORTO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Dou ao tempo a coragem dos meus passos,
porque tenho a missão de ser quem sou,
crio laços e driblo a solidão;
não me dou ao vazio que se oferta...
Quero apenas o quanto está pra mim;
vou pro mundo que vem ao meu olhar,
lá no fim se desenha o que já é
neste mar de verdades pré-moldadas...
As receitas estão no arquivo morto,
há um porto em que todas as sucatas
contam suas histórias pra ninguém...
Forjo a rota, o destino, crio a fé
sem correr, pois a vida me acomoda;
tenho muita preguiça de morrer...
ARQUIVO MORTO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Um amor que não sei com quem usar,
porque já me cansou essa procura,
feito cura que agora me adoece
de sem dor e sem dar o que acumulo...
Quero alguém que meus olhos possam ver
dentro e fora, por todas as vertentes;
desde os dentes a todos os sentidos,
para ter uma história bem escrita...
Tenho amor nos meus poros, nos meus eixos,
na minh´alma e na caixa do meu peito,
neste jeito que até me desabona...
Mas não tenho a quem ter e ter certeza
de que valem as penas de uma troca;
cada riso e tristeza de uma vida...
Quando tiver q fazer algo por alguém, faça-o enquanto está vivo, depois de morto só servirá pro bicho comer debaixo da sepultura.
"Eu estou morto.
Eu não sei quem me matou.
Também, há muito, que nem sei quem sou.
Então, não sei quem morreu, ou quem me matou.
Mas sei que estou morto e que morto, estou.
Ser ou não ser, ser quem não ama, ou ser quem odiou?
Ser quem ela deseja, ou ser quem sou?
Nessas idas e vindas, não sei se fico; não sei se vou.
Não sei se é ódio, não sei se é amor.
Coração empedrado, desprezo, rancor.
Amaldiçoo-a pela madrugada, acordei respirando n'outro dia, que azar, senhor.
Meu corpo vive, mas minh'alma, há muito que jaz, e não sei quem a matou.
O que sei? Mesmo respirando, sorrindo, coração batendo, divertindo; morto estou..."
Se o filho do Pelé fosse pobre, talvez ele já teria sido espancado e morto, como acontece com muitos por aí. Eu posso até estar errada, mas tenho pra mim que o negócio, aqui no Brasil, não é cor não, e sim dinheiro. Tem gente que só respeita dinheiro, infelizmente.
Nietzsche está morto: e, apesar da distância entre o céu e a Terra, talvez agora ele veja a sombra de Deus refletida nos Homens.
"Todo homem já está morto, a diferença entre uns e outros: é que alguns, tiveram a sorte do jazer debaixo da terra; outros, perambulam por aí, tentando em vão, ressuscitar-se nos beijos e abraços, do sexo oposto.
Ao sentir-me tão vivo nos beijos dela, nunca estive tão morto.
Se Deus me desse a vida eterna, em verdade vos digo; com inenarrável prazer, morreria de novo..." - EDSON, Wikney - Reflexões
