Morte de um Bebe
Penso que a mortalidade de nossos desejos, sonhos e aptidões, seja fundamental pra que façamos escolhas e sacrifícios em direção ao que mais queremos em vida. Para muitos, esta busca simplifica-se em felicidade ou legado. Queremos levar o melhor da vida e deixar o melhor de nós para o mundo, basicamente. A morte nos dá um prazo, uma condição. E nisto fundamos qualquer valor sobre a vida. Sobre nós.
Se tudo está intrinsecamente ligado, razão pela qual chamamos 'universo', então é fácil presumir que um dia, em algum ponto deste entrelaçamento, um evento singular irá acontecer no encontro entre nossa consciência e sua origem. A morte, por fim, terá seu significado resoluto.
O fato de não compreendermos com precisão o que acontece diante da interrupção da vida - biológica, mental e todas as energias - da mesma forma que entendemos o nascimento de um ser vivo, me leva a imaginar um universo ainda maior na totalidade de suas dimensões. Transcendemos a realidade conhecida? Mergulhamos num sono completamente escuro e sem sonhos do qual jamais despertaremos outra vez? Nossa matriz energética se dispersa e não se converte em mais nada, apodrecendo-se com a matéria de nossos corpos? Melhor, se almas ou espíritos existem, como um tipo de matéria ou energia, a morte seria um estágio natural do processo que nos leva a assumir sua verdadeira forma ou seu perfeito estado?! Uma possibilidade fascinante! Aterrorizante!
Sempre me lembro da maior dualidade da vida: força e fragilidade. Caio na resolução de que somos ingênuas criaturas desamparadas na imensidão do cosmos, seduzidos por sua mortal exuberância.
A insensibilidade do nosso representante maior é totalmente desumana, insana e mortal. Entretanto, essas mortes fora de controle, da pandemia, são de nossa total responsabilidade.
Às vezes aqueles que se foram mais cedo, aqueles que decidiram que iriam parar seu próprio tempo, aqueles que pararam sua dor por conta própria, estes, estes perceberam que não é possível sonhar acordado, apenas imaginar, então caíram em um sono do qual não podem mais acordar, sua dor parou, sua respiração se tornou um desejo de quem permaneceu acordado... Nenhuma carta foi deixada, nenhum "adeus" foi dito, dívidas de saudades se acumularam e aquele pensamento de que tudo poderia estar bem agora, esse pensamento será eterno.
Meu amor se vai
Eu já não sei mais o que comer
Eu já não sei mais o que beber
Eu já não sei mais como viver.
Resta pouco tempo pra ti
Vai sobrar só o caos pra mim
Eu não sei mais como agir.
Você está indo,precisa de espaço
E tudo que eu queria era seu último abraço.
-andreise vitória.2020
O escritor é um maluco que tem a obrigação ou o duvidoso privilégio de ver a realidade, e por isso, quando um escritor para de escrever, acaba se matando, porque não consegue se livrar do vício de ver a realidade, mas já não tem aquele escudo para se proteger dela.
Eu então percebia, pela primeira vez, que tudo segue, desbota, estraga enquanto a vida continua. Que não existe final na nossa história até que chega a morte e o corpo se desfaz.
Não há palavras que aplaquem a dor da perda de um ente querido. A energia e a força recebidas, todavia, são reconfortantes.
Sufoco, insaciedade, injustiça, dor, sofrimento, amargura, incapacidade, fraqueza, saudade... pra qual objetivo? Milagre biológico ou catástrofe? Sinto-me incapaz de seguir qualquer ideologia, não tenho minhas próprias. Não sei o que sou, pra que eu estou, pra onde eu vou... isso dói, me dá desespero e uma hora vai acabar, mesmo tentando correr e abraçar alguém pra acalmar, mas ela chega e quando você nem perceber já não ama, pensa, sonha, vive..
Eu costumava brincar com a ideia de que, ao morrermos, finalmente ficamos sabendo para que a vida serviu. Nunca imaginei que poderia descobrir isso quando outra pessoa morresse.
Algum dia um juiz teve esse poder, de matar uma criança para outra poder viver? De ser ao mesmo tempo salvador e carrasco? Uma família saía ganhando, a outra perdia tudo.
CAPÍTULO 1, PARTE 1
Qual a sensação de sentir-se vivo? Li outro dia que o coração acelera, o estômago embrulha, dá uma vontade de vomitar, eu acho, a pele fica sensível e arrepia, os olhos enchem d'água. Apesar de parecer algo terrível dito assim, juram que é uma sensação libertadora, e é disso que eu precisava, me libertar. Me libertar dos demônios que se escondiam embaixo das minhas unhas como a pele de um assassino o qual colocou suas mãos em volta do meu pescoço, lutei pela minha vida, em vão, ele me olhava nos olhos e se sentia Deus, com os joelhos ao lado da minha cintura. De repente, tudo foi ficando meio embaçado, de repente não doía mais, de repente o fim. Não, meus demônios não são a pele embaixo das unhas, são o próprio assassino de olhar frio e assombroso, sentindo-se Deus sobre minha vida. Tanto faz, nunca fui bom em analogias e quando reflito, me perco em meio às partes mais sombrias de mim mesmo.
Engraçado como os momentos em que nos sentimos mais vivos, geralmente antecedem a nossa morte, é como se a vida toda fosse um "quase" e a morte fosse o finalmente.
— Munyke Melo, no livro "Asfixia: A historia de um assassino" ( Lançamento em breve. )
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